Como pequenos negócios podem crescer e se diferenciar por meio da sustentabilidade
Sustentabilidade também é assunto de pequeno negócio Acervo de Giovana Navarro Sustentabilidade pode parecer um assunto de grandes corporações, com recursos e muita estrutura para investir, mas isso está longe de ser verdade. Segundo o Panorama das Empresas Verdes, do Sebrae, das quase 1,77 milhão de empresas verdes mercantis ativas em 2025, 95,8% eram pequenos negócios, isto é, microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs). “O Sebrae quer mostrar que a sustentabilidade não é só para os grandes, até porque não é somente o grande que precisa ser
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Sustentabilidade também é assunto de pequeno negócio — Foto: Acervo de Giovana Navarro
Sustentabilidade pode parecer um assunto de grandes corporações, com recursos e muita estrutura para investir, mas isso está longe de ser verdade. Segundo o Panorama das Empresas Verdes, do Sebrae, das quase 1,77 milhão de empresas verdes mercantis ativas em 2025, 95,8% eram pequenos negócios, isto é, microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs).
“O Sebrae quer mostrar que a sustentabilidade não é só para os grandes, até porque não é somente o grande que precisa ser sustentável”, afirma Ana Caroline Ribeiro Mangia, gestora do Projeto Crescimento Sustentável do Sebrae Nacional. Criado para apoiar os pequenos, o projeto oferece uma plataforma interativa de diagnóstico e acompanhamento da maturidade ESG, ou seja, ambiental, social e de governança.

Mais do que preservar o meio ambiente, a sustentabilidade nos pequenos negócios envolve a forma como os colaboradores são tratados e como a empresa é administrada, indo do uso responsável dos recursos a ações de inclusão e diversidade até uma gestão ética, organizada e transparente.
A trajetória de Giovana Navarro de Almeida (70) e Aurelino de Almeida Sampaio (70) é um exemplo disso. O casal de empresários é dono de uma chácara em Brasília (DF) e a sustentabilidade é um princípio que acompanha suas decisões antes mesmo de empreender ou do tema ganhar força no mercado.
Conciliando seus empregos formais no serviço público com o trabalho na propriedade, o casal viu a rota mudar quando, na busca por uma alimentação nutritiva e de fácil digestão para a primeira neta, passaram a produzir leite e queijos caprinos. Assim, o que começou com o manejo de duas cabras em 1993 e cresceu em parceria com um capril da região, deu origem, em 2019, à queijaria artesanal premiada conhecida hoje: a Cabríssima .
Cabríssima, queijaria de casal brasiliense, possui prêmios em todos seus queijos — Foto: Acervo de Giovana Navarro
Com o tempo, a mesma propriedade da produção de laticínios capris passou a abarcar turismo rural, experiências gastronômicas e yoga com cabritinhas. Ainda assim, a sustentabilidade aparece em todas as frentes:
Ambiental – reflorestamento, preservação de dois terços da área, irrigação por gotejamento, uso de energia solar, compostagem do esterco, separação de resíduos e destinação do soro dos queijos.
Social – funcionários com carteira assinada, critérios de contratação sem discriminação de cor, raça ou orientação sexual, investimento em ergonomia e ações de saúde mental e educação ambiental.
Governança – atividades devidamente formalizadas, conformidade sanitária e mapeamento documental do uso da propriedade.
Para reduzir o consumo de água durante a higienização das instalações e dos equipamentos da queijaria, por exemplo, o casal investiu em um sistema de tubulações de aço inox, que economizam cerca de 2 mil litros de água por dia de serviço. “Sabemos que produzir com sustentabilidade e cuidado com o meio ambiente exige investimentos que aumentam o custo do produto, mas os clientes que entendem o nosso valor apoiam a causa”, enfatiza Giovana.
Todavia, para Ana Caroline, do Sebrae, esse investimento não deve ser visto apenas como uma despesa. “Existe um pensamento corrente de que a cultura ESG é só sobre aumentar os custos, no entanto, a real sustentabilidade é aquela que gera eficiência e vantagem competitiva para o negócio crescer”, afirma.
Cada uma dessas escolhas ajudou a Cabríssima a se diferenciar no mercado. Ao dar transparência aos processos, o negócio aproximou-se de consumidores atentos à origem e à forma de produção dos alimentos, dispostos a reconhecer o valor agregado de um produto artesanal e responsável. Essa conexão fortaleceu as vendas diretas e abriu espaço para a presença dos queijos em restaurantes e pizzarias de alta gastronomia.
A obtenção do Serviço de Inspeção Federal (SIF), em 2022, ampliou ainda mais as possibilidades de comercialização e permitiu à queijaria levar seus produtos a todo Brasil. O reconhecimento veio também na forma de prêmios: de 2024 para cá foram 48 medalhas conquistadas em competições, como a ExpoQueijo Brasil e o Mundial do Queijo. O modelo sustentável da fazenda ainda foi consagrado em 2025 com o 3º lugar nacional no Prêmio Globo Rural de Sustentabilidade.
O território de Giovana e Aurelino também ajuda a ilustrar uma característica dos negócios sustentáveis no país: eles estão espalhados por diferentes regiões. Embora o Sudeste concentre o maior volume absoluto (49%), seguido pelo Sul (20,5%), o Centro-Oeste aparece entre as regiões com maior proporção de empresas verdes em relação ao total de negócios locais: 7,5%, valor acima da média nacional (6,7%).
O Nordeste, terceiro em volume, reúne 15,6%. Foi nesse chão nordestino, mais precisamente no Maranhão, que a sustentabilidade floresceu no negócio da arquiteta e paisagista Ana Carolina de Faria Frota. O luto pela perda da mãe e o interesse pela agrofloresta deram origem à Sintropia, marca de cosméticos regenerativos desenvolvida a partir da biodiversidade local. O estado reúne biomas como a Amazônia, o Cerrado e a Mata dos Cocais, cuja riqueza vegetal está na base das formulações da marca.
A Sintropia nasceu com um propósito: mostrar que a floresta de pé vale muito mais do que ela deitada. Apoiada pelas capacitações e mentorias do Inova Amazônia , programa do Sebrae voltado ao desenvolvimento de negócios de bioeconomia, a produção caseira de Ana ganhou estrutura e deu lugar a uma startup. Veja mais a seguir.
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/empreendedorismo/pegn/especial-publicitario/empreenda-com-sebrae/noticia/2026/09/22/como-pequenos-negocios-podem-crescer-e-se-diferenciar-por-meio-da-sustentabilidade.ghtml.

Sintropia combina a riqueza dos biomas do Maranhão em seus cosméticos — Foto: G1
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