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    Como PCC monitorava movimentação policial em cidade de 127 mil habitantes

    Câmeras instaladas em pontos estratégicos e de diferentes bairros vigiava chegada de forças de segurança, impedindo prisões e apreensões

    Metrópoles
    23 de setembro de 2026 às 05:00
    Como PCC monitorava movimentação policial em cidade de 127 mil habitantes
    Foto: Metrópoles

    Dezenas de câmeras em pontos estratégicos e de diferentes bairros de Itatiba, município de 127 mil habitantes no interior de São Paulo , foram apreendidas durante a Operação Nexus , deflagrada no último dia 15 pelo Ministério Público de São Paulo ( MPSP ) e o 1° Batalhão de Ações Especiais ( Baep ) da Polícia Militar. Segundo as investigações, os equipamentos eram usados por pessoas vinculadas ao Primeiro Comando da Capital ( PCC ) para monitorar a presença de viaturas da PM e da Guarda Civil Municipal (GCM).

    Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) descobriram que traficantes tinham dois grupos no Whatsapp para finalidades distintas.

    O primeiro, denominado “30° Encontro dos Cavaleiros da Estrada”, tratava exclusivamente sobre a presença e movimentação de viaturas da PM e GCM de Itatiba. Já o segundo, intutulado “Família Real”, contava com uma centena de pessoas e versava sobre transações ligadas ao tráfico, como a rotatividade de drogas, etc. ( veja abaixo)

    Arte/Metrópoles
    Arte/Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Mensagens interceptadas pelo MPSP mostram que o primeiro grupo funcionava basicamente por 24 horas diariamente. Há, por exemplo, a troca de informações em períodos matutinos e vespertinos.

    Relatórios da investigação relacionam que as câmeras utilizadas pelos grupos investigados pertencem a uma associação ligada ao vereador Carlos Eduardo de Oliveira Franco (MDB), o Duguaca, um dos alvo das ordens judiciais de busca e apreensão no âmbito da Operação Nexus.

    A residência e o gabinete de Duguaca foram alvo da operação. Documentos mostram que a presidência da associação variava entre o parlamentar e a esposa dele.

    Arte facção criminosa, PCC -- Metrópoles
    Arte facção criminosa, PCC -- Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Nas redes sociais, contudo, o vereador negou qualquer tipo de elo com o crime organizado, argumentou que os dispositivos têm como premissa o monitoramento de espaços públicos e eventual forma de intimidar vândalos a cometerem crimes e afirmou ainda que não foi encontrado nenhum tipo de documento comprometedor durante as diligências realizadas.

    Em nota, a Câmara de Itatiba confirmou que o mandado de busca e apreensão foi cumprido no gabinete do parlamentar emedebista. O texto diz que, até o momento, a apuração não está “relacionada ao exercício da função parlamentar”, à atuação institucional ou a atos em nome da Casa de Leis.

    Um policial militar, cuja identidade não foi divulgada, também foi alvo da ação. A Corregedoria da PM cumpriu o mandado de busca e apreensão contra ele — que tinha conversas com o traficante chamado Tim.

    Como PCC monitorava movimentação policial em cidade de 127 mil habitantes - destaque galeria
    Como PCC monitorava movimentação policial em cidade de 127 mil habitantes - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O promotor Rafael Salzedas, responsável pela investigação, afirmou ao Metrópoles que novos elementos são analisados relativos ao caso.

    Seis pessoas, entre elas Reginaldo Pereira da Silva , o Tim, e a esposa dele, Roseli de Souza Figueiredo, estão presas. As investigações apontam que o principal alvo da Operação Nexus chegou a negociar, pelo menos, 20 carros de luxo de marcas como Lamborghini, Ferrari e Porshe .

    Tim foi preso em um condomínio de luxo de Itatiba. Com ele, foram apreendidos um carro modelo Porshe e uma Ferrari (veja abaixo), além de farta quantia em dinheiro. A reportagem apurou que este foi o único alvo a tentar escapar de promotores e policiais. Os indícios indicam que ele foi beneficiado com informações oriundas do sistema de monitoramento para tentar escapar por área de mata.

    Como PCC monitorava movimentação policial em cidade de 127 mil habitantes - imagem 2
    Como PCC monitorava movimentação policial em cidade de 127 mil habitantes - imagem 2 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Documentos, aos quais foram obtidos pelo Metrópoles , mostram que o empresário do ramo de carros de luxo, que ostenta mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, Leandro Gabioneta, é investigado por agir, segundo o MPSP, em conluio com Tim, como uma espécie de “banco particular”. Relatórios apontam para movimentações financeiras entre o empresário e o traficante superiores a R$ 2 milhões.

    Nas redes sociais, Gabioneta tem mais de 1 milhão de seguidores

    Empresário tem loja nas proximidades de um shopping de luxo de Campinas

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    Como PCC monitorava movimentação policial em cidade de 127 mil habitantes - imagem 3 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Em nota, o empresário negou envolvimento com o traficante e diz atuar há 22 anos no mercado. E, somente recentemente, inaugurou sua primeira e única loja própria no segmento automotivo, localizada em Campinas. Todos os negócios realizados por ele foram conduzidos de forma lícita e regular, disse.

    A rede criminosa que tinha como comando final o traficante Tim começou a ser descoberta a partir da prisão d0 traficante Rodrigo Pereira Malta, o Malta, durante Operação Onça Preta. A investigação começou há quatro meses e segue em andamento.

    O Gaeco diz que Tim é um dos chefes regionais do PCC, com histórico criminal remetendo a 2008. A Operação Nexus é desdobramento de relatórios obtidos durante a Operação Onça Preta, deflagrada em dezembro de 2022, em Jaguariúna, interior paulista, a qual teve como um dos principais alvo um traficante conhecido como “Fantasma”.

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    Como PCC monitorava movimentação policial em cidade de 127 mil habitantes - imagem 4 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O celular do traficante preso, à época, foi ponto inicial para promotores descobrirem toda rede ilegal comandada por Tim. As mensagens extraídas confirmaram que Fantasma era subordinado a Tim.

    A Operação Nexus prendeu, em caráter temporário, cinco pessoas, entre elas Tim e a esposa, um suspeito de tráfico em flagrante e apreendeu R$ 200 mil em dinheiro, 10 quilos de drogas e carros avaliados em mais de R$ 5 milhões. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias e de bens imóveis dos investigados.

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    Nas redes sociais, Gabioneta tem mais de 1 milhão de seguidores
    Nas redes sociais, Gabioneta tem mais de 1 milhão de seguidores — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Empresário tem loja nas proximidades de um shopping de luxo de Campinas
    Empresário tem loja nas proximidades de um shopping de luxo de Campinas — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/como-pcc-monitorava-movimentacao-policial-em-cidade-de-127-mil-habitantes.

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