Como os alunos brasileiros vão nas provas do Pisa? Veja exemplos de questões
O Brasil manteve resultados próximos aos das edições anteriores no Pisa 2025 , mas continua abaixo da média dos países da OCDE (grupo de países ricos) nas três áreas tradicionais avaliadas, que são matemática , leitura e ciências. Leia mais (09/08/2026 - 04h30)

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O Brasil manteve resultados próximos aos das edições anteriores no Pisa 2025 , mas continua abaixo da média dos países da OCDE (grupo de países ricos) nas três áreas tradicionais avaliadas, que são matemática , leitura e ciências.

Entre 2022, edição anterior da avaliação, e 2025, a pontuação média do país aumentou 6 pontos em ciências e caiu 2 pontos tanto em matemática quanto em leitura. Segundo a metodologia, oscilações dessa magnitude podem estar dentro da margem de erro amostral e, portanto, não permitem afirmar que houve uma mudança real no desempenho dos estudantes. A variação mantém o Brasil próximo dos resultados registrados nas últimas edições.
A maior parte dos estudantes brasileiros também não alcança o nível 2 de proficiência, considerado pela OCDE o patamar básico para que o aluno tenha conhecimentos e habilidades necessários à participação plena na sociedade.
Em ciências, área prioritária desta edição, 48% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 (pontuação mínima de 410), considerado pela OCDE o patamar básico para que o aluno tenha conhecimentos e habilidades necessários à participação plena na sociedade. Em comparação, essa média é de 74% nos países da OCDE. Na edição de 2022, eram 45%.

No nível 2, o estudante consegue reconhecer explicações corretas para fenômenos científicos familiares e usar esse conhecimento em situações simples. Também é capaz de avaliar conclusões a partir de dados fornecidos e distinguir explicações científicas de não científicas.
Nos níveis mais altos de proficiência, 5 e 6, apenas 1% dos estudantes brasileiros atingiu esse desempenho, ante 7% na média da OCDE. Nesses níveis, as questões exigem que o aluno mobilize conhecimentos científicos para lidar de forma autônoma com problemas mais complexos e situações que podem não ser familiares.
O Pisa procura verificar justamente se o estudante consegue usar o que aprendeu diante de situações que não aparecem necessariamente da mesma forma em uma aula ou em um exercício tradicional. As questões apresentam problemas baseados em situações do mundo real e pedem que o aluno mobilize informações e conhecimentos para chegar a uma conclusão, em vez de apenas recordar uma definição ou aplicar uma fórmula .

Em matemática, 28% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência em 2025, ante 65% na média da OCDE. Em 2022, eram 27%.
Nesse patamar, o estudante consegue reconhecer como uma situação simples do cotidiano pode ser representada matematicamente, mesmo sem receber instruções diretas. Entre as tarefas associadas a esse nível estão comparar a distância total de duas rotas alternativas e converter preços de produtos para outra moeda.
Nos níveis 5 e 6, que reúnem os estudantes com desempenho mais alto, praticamente nenhum aluno brasileiro chegou a esse patamar, ante 8% na média da OCDE. As tarefas nesses níveis envolvem problemas complexos que exigem a elaboração e o uso de modelos matemáticos e a avaliação de diferentes estratégias para chegar a uma solução.

Já em leitura , 49% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2, ante 69% na média da OCDE. Em 2022, eram 50%.
Nesse nível, o aluno consegue identificar a ideia principal de um texto de comprimento moderado e localizar informações específicas a partir de critérios apresentados no próprio texto. Também é capaz de refletir sobre o conteúdo, a forma e o propósito de uma leitura quando recebe orientações explícitas.
Nos níveis mais altos, 1% dos estudantes brasileiros atingiu o nível 5 ou superior, ante 6% na média da OCDE. As tarefas desse patamar envolvem textos mais longos e complexos, nos quais o estudante precisa lidar com conceitos abstratos e distinguir fatos de opiniões a partir de informações explícitas e implícitas.

O desempenho também varia de acordo com a condição socioeconômica dos estudantes. Em ciências, a diferença entre os 25% de alunos brasileiros mais ricos e os 25% mais pobres foi de 96 pontos, acima da média de 85 pontos da OCDE.
As questões de ciências, área prioritária desta edição, apresentam situações do cotidiano em que o estudante precisa interpretar gráficos e aplicar conhecimento científico para tomar decisões.
Um dos itens, por exemplo, coloca o aluno no papel de prefeito de uma cidade fictícia que precisa escolher uma fonte de energia para substituir um gerador a diesel, comparando gráficos de geração e custo de opções eólica, solar, hidrelétrica e a gás.

Veja alguns exemplos liberados pela OCDE da edição 2025:
Crédito parcial (acertou só uma): Fast fashion - dificuldade nível 2: identificar a fonte mais confiável. Resposta certa: C — artigo de revista agrícola internacional revisado por cientistas agrícolas.
Crédito completo (acertou as duas): Fast fashion - dificuldade nível 6: justificar a confiabilidade da fonte. Resposta certa: ela foi revisada por outros especialistas, ela compara os resultados de um estudo científicos ao longo do tempo e o autor é especialista em análise de tendências de dados.

Raios - dificuldade nível 2: explicar por que o relâmpago é visto antes do trovão. Resposta certa: a velocidade da luz no ar é mais rápida do que a velocidade do som no ar.
Parque eólico - dificuldade nível 5: apontar um benefício ambiental da energia eólica. Resposta certa: a resposta esperada gira em torno de "não há emissão de CO ₂ durante a geração de eletricidade".
Mosca-soldado-negro - dificuldade nível 2: prever o efeito do aumento da população do inseto. Resposta certa: a resposta esperada gira em torno de "a população de moscas domésticas diminui, porque as moscas-soldado-negro são predadoras".

Perda de biodiversidade - dificuldade nível 1a: identificar o grupo com maior risco de extinção. Resposta certa: a porcentagem de espécies ameaçadas de extinção é maior para tartarugas marinhas do que para os outros grupos de espécies.
Fontes de energia - dificuldade nível 5: identificar um problema causado pela falta de energia. Resposta certa: a resposta esperada gira em torno de "acidentes de trânsito por falta de semáforos; risco a pacientes em suporte de vida; falta de iluminação; perda de alimentos por falha na refrigeração, entre outros."
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/09/como-os-alunos-brasileiros-vao-nas-provas-do-pisa-veja-exemplos-de-questoes.shtml.

Estudantes circulam pelos corredores e escadas da Escola Estadual Professor Lourenço Filho, no Planalto Paulista, zona sul da capital paulista - Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress · Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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