Como o Sesc adota inteligência artificial sem deixar de lado a educação humana
Para onde quer que dediquemos nosso olhar, lá está a inteligência artificial : nos meios de comunicação , na relação com as empresas, na maioria dos aplicativos do celular . Face a essa circunstância, vale perguntar: qual o lugar da IA na ação de uma instituição sociocultural? Leia mais (10/07/2026 - 08h00)

Para onde quer que dediquemos nosso olhar, lá está a inteligência artificial : nos meios de comunicação , na relação com as empresas, na maioria dos aplicativos do celular . Face a essa circunstância, vale perguntar: qual o lugar da IA na ação de uma instituição sociocultural?
É essa pergunta que o Sesc se coloca, num momento em que a entidade está prestes a se tornar octogenária . Cabe antes contextualizar a razão de ser do Sesc: colaborar para o bem-estar dos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e seus familiares, e para a sociedade em geral. É preciso levar isso em conta para avaliar estrategicamente os usos que podemos fazer da IA.
Na busca para melhorar a eficiência, sobretudo das atividades-meio, muita coisa está em curso. Rotinas administrativas estão sendo redesenhadas com IA: menor quantidade de ações repetitivas, menos retrabalho, maior rastreabilidade de processos e maior segurança financeira e jurídica, que deverão refletir em maior facilidade para os prestadores de serviços.

No relacionamento entre Sesc e seu público prioritário, a busca pelo simples é mandatória. Assim, está em pleno desenvolvimento a autenticação por IA da documentação que identifica determinada pessoa como apta à credencial plena, bem como ferramentas que promovem maior eficiência para que o público encontre suas programações de interesse, viabilizando assim o acesso à totalidade das ações oferecidas, com prioridade e subsídio.
Há outros exemplos: a profusão de sistemas que fazem a gestão da diversidade de atividades que oferecemos, das artes ao esporte , da odontologia à alimentação , estão sendo aprimorados tendo a IA como aliada.
Esses exemplos são possíveis pois, há pouco mais de dois anos, um massivo projeto de letramento em IA tem sido direcionado a todos os funcionários, democratizando informações sobre as possibilidades e os cuidados no uso da IA, atualmente disponível com segurança para a totalidade do quadro funcional. O tamanho da entidade no estado paulista exige dinâmicas compatíveis: até o final de 2026 seremos 46 unidades operacionais, acolhendo mais de 30 milhões de visitas anuais.

Mas chegamos então num ponto fulcral: o Sesc preza de forma enfática a convivência entre as pessoas. Enquanto a disseminação da inteligência artificial nas atividades-meio tornou-se imprescindível, o tempo dos funcionários da instituição deve atentar para aquilo que é insubstituivelmente humano.
Ferramentas de credenciamento automatizadas liberam energia para o contato atencioso com pessoas que precisam de um cuidado especial. Rotinas administrativas apoiadas em IA devem permitir ainda mais dedicação à curadoria responsável e democrática da nossa programação, levada a cabo por nossas equipes técnicas. Selecionar as ações mais adequadas, incluindo e acolhendo públicos de todas as faixas etárias e grupos sociais, é tarefa das inteligências humanas.
Como instituição de viés educativo, e inspirados no educador Paulo Freire , nos perguntamos: se a IA produz cada vez mais representações do mundo, continuaremos sendo capazes de pronunciar o mundo a partir da nossa própria existência? Em outras palavras, a IA vai ampliar nossa capacidade de ler e transformar o mundo ou vai passar a ler e interpretar o mundo por nós?

Soma-se a essas perguntas um dilema adicional, a nos relembrar os riscos ambientais que o uso desregulado da nova tecnologia implica, trazendo outra camada de incerteza a esse panorama.
Respostas para essas questões se dão nas práticas de educação que cada uma de nossas ações propõe. Uma instituição como o Sesc deve apoiar suas ações na utilização crescente da IA, porém jamais poderá atribuir a ela o que nos distingue como seres humanos: a responsabilidade ética por cada tomada de decisão.
*Luiz Galina é diretor do Sesc São Paulo

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://top-of-mind.folha.uol.com.br/2026/10/como-o-sesc-adota-inteligencia-artificial-sem-deixar-de-lado-a-educacao-humana.shtml.

Luiz Galina, diretor do Sesc São Paulo - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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