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    Como o escândalo Evergrande impactou a economia da China

    Após cinco anos de seu colapso, a Evergrande foi punida nesta quinta-feira (20) com a aplicação de multas bilionárias e a condenação de 56 pessoas ligadas ao grupo, incluindo o fundador do conglomerado imobiliário, Hui Ka Yan , sentenciado à prisão perpétua . Leia mais (08/20/2026 - 10h35)

    Folha de S.Paulo
    20 de agosto de 2026 às 13:35
    Como o escândalo Evergrande impactou a economia da China
    Vista aérea mostra oito torres residenciais altas e modernas dispostas em círculo, com áreas verdes e caminhos entre elas. Ao fundo, linhas ferroviárias e outras construções urbanas são visíveis. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Após cinco anos de seu colapso, a Evergrande foi punida nesta quinta-feira (20) com a aplicação de multas bilionárias e a condenação de 56 pessoas ligadas ao grupo, incluindo o fundador do conglomerado imobiliário, Hui Ka Yan , sentenciado à prisão perpétua .

    Prédios construídos pela Evergrande na cidade de Nanjing, na China - CN-STR - 29.jan.24/AFP · CN-STR - 29.jan.24/AFP
    Prédios construídos pela Evergrande na cidade de Nanjing, na China - CN-STR - 29.jan.24/AFP · CN-STR - 29.jan.24/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O tribunal da cidade de Shenzhen informou ter multado a Evergrande em 8,82 bilhões de yuanes (US$ 1,31 bilhão) e sua principal subsidiária, a Hengda, em 7 bilhões de yuanes, além de condenar outros cinco altos executivos a multas e penas de prisão que variam de seis a 18 anos.

    Embora o veredicto encerre as consequências do colapso da Evergrande , os desafios impostos pela persistente retração do setor imobiliário —antes em plena expansão— ainda pairam sobre a China e seus líderes.

    Relembre o que causou a queda da Evergrande e o que ela representa para a segunda maior economia do mundo:

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Evergrande já foi a principal incorporadora imobiliária da China, impulsionada por décadas de rápida urbanização e pela elevação do padrão de vida em todo o país.

    Listada em Hong Kong em 2009, a empresa atingiu um valor de mercado máximo superior a US$ 50 bilhões sob o comando de Hui Ka Yan.

    Mas a sorte mudou em 2020, quando novas regulamentações de Pequim destinadas a limitar o endividamento excessivo no setor imobiliário dificultaram a capacidade da Evergrande de honrar seus pagamentos.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nos anos seguintes, o setor travou uma prolongada luta para concluir projetos de construção, à medida que as ações despencavam e o fluxo de caixa secava.

    O calote da Evergrande em 2021 e a ordem de liquidação emitida em 2024 por um tribunal de Hong Kong tornaram-se símbolos da retração mais ampla do outrora poderoso setor imobiliário chinês.

    Em agosto do ano passado, as ações da Evergrande foram retiradas da Bolsa de Valores de Hong Kong.

    Hui Ka Yan se declarou culpado das acusações de fraude e suborno em abril, durante uma audiência pública na qual foi acusado de "captação ilegal de depósitos do público, fraude na obtenção de recursos, concessão ilegal de empréstimos e uso ilegal de fundos", entre outros crimes, segundo comunicado divulgado pelo tribunal na ocasião.

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    A prolongada crise no mercado imobiliário chinês —há muito tempo um dos principais motores do crescimento nacional— afetou profundamente a economia do país .

    "A Evergrande ajudou a tornar o problema mais estrutural...e expôs a fragilidade do sistema", comentou Alicia Garcia-Herrero, economista-chefe para a região Ásia -Pacífico do Natixis.

    As dificuldades de endividamento da Evergrande e de outras empresas do setor, como Country Garden , Vanke e Kaisa, tiveram forte impacto sobre a confiança do consumidor, levando muitos potenciais compradores de imóveis a desistir de fechar negócio .

    Para complicar ainda mais a situação, a queda da confiança ocorreu justamente quando muitos economistas defendiam que a China precisava migrar para um modelo de crescimento mais impulsionado pelo consumo interno do que por investimentos em imóveis e infraestrutura.

    Garcia-Herrero afirmou que há "muitas razões" para a falta de demanda no setor habitacional, incluindo a estagnação da renda disponível das famílias e a redução da população.

    No mais recente sinal das pressões, os preços dos imóveis novos caíram em julho em ritmo mais acelerado do que no mês anterior, segundo dados oficiais divulgados nesta semana.

    Pequim tenta, ao mesmo tempo, administrar problemas profundamente enraizados no setor imobiliário e minimizar a turbulência na economia doméstica.

    As decisões judiciais desta quinta-feira são um "sinal inequívoco de que o governo central não mudou o rumo de sua política e não vai socorrer o setor imobiliário", avaliou Dan Wang, diretora da equipe de China do Eurasia Group.

    Elas também sinalizam às empresas que devem "agir com responsabilidade em relação às dívidas", apontou a especialista.

    Os líderes chineses tentam dar novo fôlego a uma economia que enfrenta desaceleração do crescimento há anos. Pequim estabeleceu para este ano uma meta de expansão do PIB (Produto Interno Bruto) entre 4,5% e 5%, seu menor objetivo oficial em décadas.

    Depois de dados do governo mostrarem que o crescimento ficou abaixo dessa faixa no segundo trimestre, os números de julho indicaram queda nas vendas no varejo em comparação com o ano passado.

    Os dados também apontaram uma retração acentuada no setor imobiliário, com os investimentos no desenvolvimento de imóveis caindo quase um quinto em relação ao mesmo período do ano anterior até o fim de julho.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/como-o-escandalo-evergrande-impactou-a-economia-da-china.shtml.

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    Prédios construídos pela Evergrande na cidade de Nanjing, na China - CN-STR - 29.jan.24/AFP · CN-STR - 29.jan.24/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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