Brasil

    Como o Chega procura copiar os Bolsonaros

    A influência política crescente dos evangélicos no Brasil serve de modelo para a direita radical na Europa. E em Portugal , o Chega está a tentar copiar as pisadas de Bolsonaro e Michelle e agarrar esta fatia do eleitorado. Leia mais (08/23/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    24 de agosto de 2026 às 02:00
    Como o Chega procura copiar os Bolsonaros
    Homem de terno escuro levanta a bandeira de Portugal acima da cabeça. A bandeira exibe as cores verde e vermelha com o brasão nacional ao centro. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, comentarista de TV e radialista em Portugal, é formada em direito e autora de livros como 'Carta a um Jovem Decente'

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    André Ventura, líder do partido português de ultradireita Chega - Pedro Nunes/Reuters · Pedro Nunes/Reuters
    André Ventura, líder do partido português de ultradireita Chega - Pedro Nunes/Reuters · Pedro Nunes/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A influência política crescente dos evangélicos no Brasil serve de modelo para a direita radical na Europa. E em Portugal , o Chega está a tentar copiar as pisadas de Bolsonaro e Michelle e agarrar esta fatia do eleitorado.

    A maioria das democracias modernas consagra a separação entre o Estado e a fé. Mas, na prática: religião e política estão estrategicamente entrelaçadas.

    No Brasil, o crescimento do poder dos evangélicos nas últimas décadas tem sido enorme, e eles são hoje uma forte base de sustentação do bolsonarismo. Sendo Bolsonaro católico, foi fundamental a mulher Michelle, ativa evangélica, para falar para esta ala, que representa quase 30% da população.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em Portugal, André Ventura tanta copiar esta fórmula de sucesso. O líder do Chega é católico assumido e alegadamente praticante, mas desde a fundação do partido que tem proximidade com as franjas evangélicas em ascensão. Já em 2020, a revista Visão, que eu dirigi, noticiava que líderes evangélicos faziam campanha pelo partido da direita radical.

    Agora, o Chega tenta aumentar a sua influência através de um movimento de mulheres conservadoras, onde estão várias brasileiras evangélicas e também Rita Matias, a mulher com mais protagonismo no partido. Tal como fazem os Bolsonaro, Ventura tenta assim jogar nos dois tabuleiros.

    É claro que, em Portugal, esta corrente não é tão forte como no continente americano. Os últimos dados oficiais, de 2021, mostravam uma população com 80% de católicos e menos de 200 mil evangélicos e protestantes. Mas o número está a crescer muito, também graças à imigração brasileira – 65% das igrejas criadas nos últimos anos são pastoreadas por missionários brasileiros.

    Mas porquê todo este interesse? Desde logo, porque, no mundo, estas igrejas têm muito dinheiro e uma clara estratégia de poder. E depois, porque, segundo os especialistas, os crentes evangélicos são muito fiéis às indicações dos seus sacerdotes. Eles podem ser menos, mas são muito obedientes.

    De resto, as incongruências são as mesmas dos dois lados do Atlântico. Muitos destes crentes não seguem nem aplicam a palavra de Cristo na relação com os outros. E estas mulheres conservadoras querem ter um papel político ativo, ao

    mesmo tempo que defendem a menorização feminina e o regresso a um tempo e a um modo em que elas não podiam fazer nada sem a autorização dos maridos, além de cuidar dos filhos.

    Depois de tantas antes delas terem lutado pelo direito ao voto, a autonomia e a igualdade perante a lei, estas pobres mulheres fazem agora uso desta liberdade para pedir a submissão. Deus as perdoe por tanta insensatez.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mafalda-anjos/2026/08/como-o-chega-procura-copiar-os-bolsonaros.shtml.

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    André Ventura, líder do partido português de ultradireita Chega - Pedro Nunes/Reuters · Pedro Nunes/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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