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    Como o agro pode se preparar para o El Niño, segundo a Embrapa

    Instituição recomenda adaptar plantio, manejo de água e solo ao cenário de cada região; Centro-Oeste, Norte e Nordeste devem se preparar para seca, enquanto Sul e parte do Sudeste terá excesso de chuva

    CNN Brasil
    6 de outubro de 2026 às 06:50
    Como o agro pode se preparar para o El Niño, segundo a Embrapa
    Foto: CNN Brasil

    O produtor rural deve antecipar decisões de plantio, manejo da água e conservação do solo para reduzir os impactos do El Niño 2026/2027 sobre a agropecuária. A recomendação é da Embrapa, que elaborou orientações diferentes para as cinco regiões do país diante do fenômeno que, este ano, deve provocar déficit hídrico em parte do território e excesso de chuva no Sul.

    Entre as principais medidas indicadas pela empresa estão o uso do Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático), a escolha de cultivares adaptadas, o escalonamento da semeadura e o planejamento de reservas de água e forragem. As estratégias, no entanto, mudam conforme o risco climático e a cultura produzida.

    Além disso, a instituição recomenda acompanhar continuamente as previsões climáticas , utilizar informações oficiais e manter estruturas de água, solo e alimentação animal preparadas.

    • Imagem gerada por IA Agfeed · • Imagem gerada por IA Agfeed
    • Imagem gerada por IA Agfeed · • Imagem gerada por IA Agfeed — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    As recomendações fazem parte de um trabalho com 163 medidas elaborado no âmbito do Grupo de Trabalho sobre o El Niño, criado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, com participação de cerca de 50 profissionais da Embrapa e especialistas do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

    Em Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, o principal risco é a falta de chuva. A Embrapa prevê atraso e irregularidade das precipitações na primavera, seguidos por chuvas abaixo da média, veranicos e ondas de calor no verão. O período mais crítico para a seca deve ocorrer entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

    Para soja e milho , a recomendação é seguir as janelas de plantio do Zarc, utilizar cultivares com melhor desempenho sob seca e calor, escalonar a semeadura e manter a cobertura do solo.

    Ministério lança página para orientar produtores rurais sobre El Niño
    Ministério lança página para orientar produtores rurais sobre El Niño — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A Embrapa também recomenda reavaliar a implantação do milho segunda safra caso o plantio da soja sofra atraso significativo. Nessa situação, sorgo ou milheto podem ser alternativas, por apresentarem menor custo e risco.

    No algodão , a orientação é evitar a semeadura tardia e priorizar cultivares mais precoces conforme a janela de plantio avança. Para a pecuária, a recomendação é ajustar a lotação dos animais à capacidade das pastagens, manter reservas de forragem e garantir água e sombra.

    No Semiárido, a estratégia central é antecipar a formação de reservas . A previsão indica maior probabilidade de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas no último quadrimestre de 2026, aumentando o risco de déficit hídrico, ondas de calor e queimadas . Os efeitos mais importantes sobre a produção são esperados no início de 2027.

    Agro da América Latina não está preparado para El Niño
    Agro da América Latina não está preparado para El Niño — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A Embrapa recomenda ampliar a captação e o armazenamento de água, com alternativas como cisternas, barreiros-trincheira, barragens subterrâneas, captação de chuva e sistemas de reuso.

    Para as lavouras, a orientação é seguir o Zarc, escolher espécies e cultivares adaptadas e escalonar as atividades. Em áreas de maior risco para o milho, o sorgo pode ser uma alternativa.

    Na pecuária, a recomendação é formar reservas de forragem, manter bancos de palma-forrageira e ajustar a quantidade de animais à capacidade de suporte da propriedade.

    BrasilAgro reduz exposição a culturas de maior risco diante do El Niño
    BrasilAgro reduz exposição a culturas de maior risco diante do El Niño — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    No Norte, a Embrapa prevê redução e maior irregularidade das chuvas , temperaturas elevadas e redução dos níveis dos rios . Os efeitos podem se intensificar entre o fim de 2026 e o início de 2027, com impactos não apenas sobre a produção agropecuária, mas também sobre navegação, transporte e abastecimento.

    Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima tendem a concentrar os déficits hídricos mais severos. Em Roraima, onde o problema já está mais avançado, a Embrapa estima perdas de 30% a 50% na safra de 2026.

    A queda do nível dos rios também pode afetar o transporte de insumos e alimentos e o abastecimento de água . No Amazonas, há riscos para a agricultura de várzea, pesca e aquicultura. No Pará e no Amapá , a redução da água doce pode ainda aumentar o risco de intrusão salina em canais de captação.

    BrasilAgro reduz exposição a culturas de maior risco diante do El Niño
    BrasilAgro reduz exposição a culturas de maior risco diante do El Niño — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A orientação geral é priorizar a disponibilidade de água nas decisões de manejo, com uso de cultivares adaptadas, conservação da umidade do solo, armazenamento de água e irrigação localizada.

    No Sudeste, o cenário é mais heterogêneo. São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais podem ter chuvas acima da média entre outubro e dezembro, enquanto o norte de Minas, o norte do Espírito Santo e o norte fluminense tendem a condições mais secas . As temperaturas, por sua vez, devem ficar acima da média em toda a região.

    Para o café , a Embrapa recomenda atenção especial às fases de floração e enchimento dos grãos, previstas para ocorrer no fim de 2026 e início de 2027. A orientação é conservar a umidade do solo e adotar práticas que aumentem a capacidade das lavouras de enfrentar o déficit hídrico e o calor.

    Agro da América Latina não está preparado para El Niño
    Agro da América Latina não está preparado para El Niño — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para soja e milho, a instituição recomenda seguir as janelas do Zarc e utilizar tecnologias voltadas à tolerância ao estresse hídrico. No milho, cita o Sistema Antecipe Soja-Milho, que pode antecipar em até 20 dias a implantação da cultura.

    No Sul, a preparação deve ser diferente. A previsão é de chuvas mais intensas e concentradas , principalmente entre setembro e dezembro, com risco de encharcamento, erosão, perda de nutrientes e dificuldade para realizar operações agrícolas.

    Para trigo e outros cereais de inverno , a Embrapa recomenda cultivares mais resistentes a doenças e ao acamamento, escalonamento da semeadura e planejamento antecipado da colheita, secagem e armazenamento.

    Ministério lança página para orientar produtores rurais sobre El Niño
    Ministério lança página para orientar produtores rurais sobre El Niño — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Em soja e milho , o produtor deve manter o solo protegido, adequar a densidade de semeadura, monitorar doenças e garantir drenagem superficial eficiente. No milho, o parcelamento da adubação nitrogenada pode reduzir perdas de nutrientes por lixiviação.

    A Embrapa também recomenda que o planejamento considere a microbacia hidrográfica , especialmente para controlar o escoamento da água e aumentar a capacidade de enfrentar eventos extremos.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/agro/como-o-agro-pode-se-preparar-para-o-el-nino-segundo-a-embrapa/.

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