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    Como nova onda de ataques às vacinas gerou efeito reverso nas redes sociais, segundo levantamento

    A nova onda de ataques às vacinas promovida por políticos de direita ampliou a discussão sobre imunização nas redes sociais, mas foi seguida por uma reação majoritariamente favorável à vacinação , segundo levantamento da plataforma de monitoramento digital Torabit obtido pela BBC News Brasil. Leia mais (08/13/2026 - 15h00)

    Folha de S.Paulo
    13 de agosto de 2026 às 18:00
    Como nova onda de ataques às vacinas gerou efeito reverso nas redes sociais, segundo levantamento
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    A nova onda de ataques às vacinas promovida por políticos de direita ampliou a discussão sobre imunização nas redes sociais, mas foi seguida por uma reação majoritariamente favorável à vacinação , segundo levantamento da plataforma de monitoramento digital Torabit obtido pela BBC News Brasil.

    Imunização infantil está no centro da nova onda de discussões sobre vacinas nas redes sociais - Tomaz Silva/Agência Brasil · Tomaz Silva/Agência Brasil
    Imunização infantil está no centro da nova onda de discussões sobre vacinas nas redes sociais - Tomaz Silva/Agência Brasil · Tomaz Silva/Agência Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Torabit analisou 93.755 publicações únicas contendo o termo "vacina" no X, Facebook , Instagram e Bluesky entre os dias 3 e 10 de agosto.

    No período, 54,4% das publicações foram classificadas como pró-vacina, enquanto 28,3% foram classificadas como antivacina. Outros 9,4% ficaram sem classificação e 7,9% foram considerados informativos.

    Considerando apenas as publicações que assumiram uma posição sobre o tema, 65,8% eram favoráveis à vacinação e 34,2%, contrárias.

    Movimento antivacina cresce no Texas mesmo após mortes por sarampo
    Movimento antivacina cresce no Texas mesmo após mortes por sarampo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A análise acompanha um período de aumento da discussão sobre vacinas no Brasil, marcado pela repercussão de declarações de políticos brasileiros, e pelo surto de sarampo em São Paulo (23 dos 24 casos do país foram identificados no estado ) e pelo debate nos Estados Unidos .

    Nos Estados Unidos, a discussão também foi alimentada pela audiência do imunologista Anthony Fauci no Senado , em 29 de julho.

    Fauci, que foi um dos principais responsáveis pela resposta americana à pandemia de Covid-19 e se tornou uma das figuras mais associadas à defesa das medidas de controle da doença, foi chamado a depor por um comitê liderado pelo senador republicano Rand Paul, seu antigo crítico, em uma investigação sobre a origem do coronavírus e a atuação do governo durante a pandemia.

    Políticos retomaram o debate sobre medidas adotadas durante a pandemia de covid-19, como o uso de máscaras - Getty Images · Getty Images
    Políticos retomaram o debate sobre medidas adotadas durante a pandemia de covid-19, como o uso de máscaras - Getty Images · Getty Images — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Durante a audiência, Fauci se recusou a responde r às perguntas e invocou a Quinta Emenda da Constituição americana, que protege contra a autoincriminação, mais de cem vezes.

    O episódio ocorreu depois que republicanos divulgaram trechos dos diários pessoais de Fauci escritos durante a pandemia e reacendeu acusações feitas pela direita americana sobre sua atuação, incluindo questionamentos sobre a origem do vírus e pesquisas de "ganho de função" —embora não tenha surgido, na audiência, nova evidência que alterasse as conclusões científicas estabelecidas sobre vacinas ou a origem da Covid-19.

    Nesse contexto, o presidente Donald Trump assinou na segunda-feira (10) uma ordem executiva que determina uma revisão das recomendações federais de vacinação infantil e reduz de 18 para 11 o número de doenças para as quais a vacinação é recomendada de forma universal.

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    Outras vacinas passam a ser consideradas para grupos específicos ou por decisão conjunta entre médicos e pacientes. A medida também orienta o governo a separar a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) em três aplicações distintas.

    O governo Trump diz que a mudança busca alinhar o calendário americano ao de outros países desenvolvidos. A decisão foi criticada por organizações médicas e especialistas em saúde pública, que apontam falta de evidências novas que justifiquem a alteração.

    Os dois primeiros dias do levantamento da Torabit concentraram 52,9% de todas as publicações registradas no período. Na segunda-feira (3), foram 19,6% do volume total e, na terça-feira (4), 33,3%. Na quarta-feira (5), o volume caiu para 4%, mas voltou a subir nos dias seguintes.

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    Segundo a Torabit, a movimentação inicial foi impulsionada pela repercussão do depoimento do imunologista Anthony Fauci ao Senado americano e por um vídeo publicado pelo deputado Nikolas Ferreira em 2 de agosto, no qual ele retomou alegações sobre a pandemia de Covid-19.

    Na segunda metade do período, o debate voltou a ganhar força com o avanço do surto de sarampo em São Paulo e com um vídeo publicado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro em 7 de agosto.

    O vídeo mostrava uma declaração assinada no Texas assumindo a responsabilidade pela decisão de não vacinar a filha e defendia que os pais tenham liberdade para decidir sobre a imunização dos filhos, usando o modelo texano como exemplo para o Brasil.

    A proporção de publicações favoráveis e contrárias às vacinas variou ao longo dos oito dias analisados.

    No dia 3, primeiro dia do levantamento, havia praticamente um empate: 41,2% das publicações eram pró-vacina e 41,1% eram antivacina.

    No dia seguinte, a vantagem passou para o campo favorável à imunização: 56,1% contra 32,8%. Na quarta-feira (5), a diferença aumentou, com 66,9% de publicações pró-vacina e 16% antivacina. Na quinta-feira, os percentuais foram de 64,6% e 16,8%, respectivamente.

    A tendência se alterou novamente na sexta-feira (7), quando o vídeo de Eduardo Bolsonaro passou a repercutir. Naquele dia, 48% das publicações foram classificadas como pró-vacina e 22,2% como antivacina. No sábado, os percentuais foram de 48,5% e 24,3%.

    A reação favorável à vacinação voltou a crescer no domingo (9), chegando a 66%, contra 18,8% de conteúdos antivacina. Na segunda-feira (10), último dia do levantamento, a diferença foi ainda maior: 82,1% das publicações eram pró-vacina e 10,3%, antivacina.

    A Torabit identificou, portanto, um padrão semelhante após as duas principais ondas de conteúdo antivacina analisadas: aumento imediato da discussão e posterior reversão da tendência. Segundo a empresa, o efeito de cada investida sobre a distribuição das posições durou aproximadamente 48 horas.

    Os dados não permitem determinar se os ataques provocaram diretamente o aumento das manifestações pró-vacina. O período também foi marcado pelo surto de sarampo em São Paulo e pelo início da campanha nacional de multivacinação , acontecimentos que contribuíram para ampliar a discussão sobre imunização.

    Os dados da Torabit permitem separar a repercussão dos vídeos de Nikolas Ferreira e Eduardo Bolsonaro.

    No caso de Nikolas Ferreira, o vídeo publicado no dia 2, em que o deputado retomou afirmações sobre a pandemia de coronavírus, representou 3% de todas as menções sobre vacinas registradas no período. O pico ocorreu na segunda-feira (3), quando o conteúdo apareceu em 6,5% das menções sobre vacinas daquele dia.

    A maioria das publicações que mencionavam Nikolas, no entanto, era favorável à vacinação: 87,9% foram classificadas como pró-vacina, contra 5,8% antivacina. A repercussão perdeu força rapidamente e, a partir da quarta-feira, passou a representar menos de 1,5% das menções diárias.

    A repercussão do vídeo de Eduardo Bolsonaro foi maior e mais prolongada. O conteúdo representou 6,4% de todas as menções sobre vacinas no período. Publicado na sexta-feira (7), respondeu por 9,7% das menções daquele dia, mas atingiu seu pico no sábado e no domingo, quando esteve presente em 26,2% das publicações sobre vacinas em cada um dos dois dias.

    Também houve maior presença de conteúdo antivacina entre as publicações que citavam Eduardo: 31,6%, contra 60,9% de conteúdo pró-vacina. Ainda assim, as manifestações favoráveis à imunização foram maioria.

    A diferença entre os dois episódios também aparece no conteúdo das reações. No caso de Nikolas, as publicações mais compartilhadas contestavam suas afirmações sobre a pandemia.

    No caso de Eduardo, a discussão incluiu críticas sobre responsabilização e contradições atribuídas à família Bolsonaro. Algumas publicações afirmavam que integrantes da família são vacinados enquanto fazem campanha contra a vacinação.

    O surto de sarampo em São Paulo também teve papel importante na conversa sobre vacinas durante o período.

    As menções ao surto representaram 10,6% de todas as publicações analisadas. A participação do tema aumentou ao longo da semana: era de 3,7% das menções sobre vacinas na segunda-feira (3), passou para 15% na sexta-feira (7) e chegou a 15,7% no sábado (8).

    Entre as publicações que mencionaram o sarampo, 72,7% foram classificadas como pró-vacina, 24,1% como informativas e apenas 2,1% como antivacina. Outros 1,2% não puderam ser classificados.

    O levantamento também identificou diferença entre perfis femininos e masculinos.

    Entre os perfis femininos com posição definida, 67% das menções eram pró-vacina e 33% antivacina. Entre os perfis masculinos, 56% eram pró-vacina e 44% antivacina.

    No levantamento anterior do Valor, que considerava apenas os primeiros cinco dias, 68% das menções de perfis femininos eram positivas em relação às vacinas, contra 51% entre os homens.

    A Torabit também separou a classificação de posição da análise de sentimento das publicações.

    No período completo, 42,3% das menções tinham tom negativo, enquanto 27,2% tinham tom positivo. O tom, porém, não indica necessariamente uma posição contrária às vacinas.

    Segundo a plataforma, 62% das publicações classificadas como negativas eram, na verdade, pró-vacina. Isso ocorre porque uma publicação pode defender a vacinação e, ao mesmo tempo, usar linguagem negativa ao criticar um político ou uma declaração antivacina.

    A Torabit afirma que os dois indicadores são analisados separadamente: a classificação de posição mede se o conteúdo é favorável ou contrário à vacinação, enquanto a análise de sentimento identifica o tom da publicação.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/08/como-nova-onda-de-ataques-as-vacinas-gerou-efeito-reverso-nas-redes-sociais-segundo-levantamento.shtml.

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