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    Como herdeira perdeu R$ 37 milhões no golpe da falsa plataforma

    Principais alvos que operavam falsa plataforma financeira têm sede em São Paulo. Grupo investigado movimentou R$ 30 bilhões

    Metrópoles
    14 de agosto de 2026 às 05:10
    Como herdeira perdeu R$ 37 milhões no golpe da falsa plataforma
    Foto: Metrópoles

    Herdeira de um patrimônio milionário, uma aposentada do Rio Grande do Sul viu seu espólio de R$ 37 milhões desaparecer da noite para o dia após ter caído em um golpe conhecido como pig butchering (abate de porcos, em tradução livre ). A prática baseia-se em ganhar confiança da vítima até o momento oportuno para o “abate”. Estimativas oficiais apontam que um grupo, que tinha sede em São Paulo e em estados do Sul, possa ter feito mais de 140 possíveis vítimas e obtido um lucro bilionário.

    Batizada de Criptoabate, a operação foi deflagrada pela Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos , do Rio Grande do Sul, nessa quinta-feira (13/8), em três estados: São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A capital paulista concentra os principais alvos que gerem a falsa plataforma financeira.

    Segundo as investigações, entre os principais alvos estão três donos de instituições financeiras que operam conversão de real para criptomoeda; dois estrangeiros — um deles é sócio das instituições financeiras — e a gerente de um banco tradicional no país que facilitava abertura de contas operadas pela quadrilha.

    Arte/Metrópoles
    Arte/Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Em São Paulo, os investigadores gaúchos descobriram que, em 2025, uma única empresa localizada no centro financeiro da capital paulista movimentou R$ 500 milhões. A polícia apurou, ainda, que as transações realizadas pelos investigados durante a investigação totalizaram R$ 30 bilhões.

    A Justiça decretou a prisão preventiva de oito pessoas e 10 ordens judiciais de busca e apreensão foram emitidas. Dois suspeitos foram presos e outros seis são considerados foragidos.

    O delegado Eibert Moreira, diretor do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) e um dos responsáveis por liderar a investigação, afirmou ao Metrópoles que o caso começou a ser apurado no início de 2025, após a aposentada procurar a polícia para denunciar que havia sido vítima de um golpe . Na ocasião, ela relatou ter sofrido um prejuízo de quase R$ 40 milhões. A denúncia acabou levando os investigadores à descoberta de centenas de outras vítimas em diferentes estados do país.

    Golpe digital
    Golpe digital — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Em depoimento, a aposentada contou que decidiu reinvestir o dinheiro recebido de uma herança, que até então estava aplicado em uma corretora tradicional, e transferi-lo para a plataforma financeira indicada pelos criminosos. Os primeiros aportes, feitos em meados de 2024, foram de R$ 100 mil. Os valores aumentaram gradualmente para R$ 400 mil e R$ 500 mil, até chegarem a aportes milionários diários — em alguns casos, de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões em um único dia. As transferências continuaram até janeiro de 2025.

    A aposentada decidiu denunciar o esquema depois de perceber uma queda repentina no valor das operações. Ao tentar resgatar parte do dinheiro, também não conseguiu concluir as transações.

    Entre agosto de 2024 e janeiro de 2025, ela transferiu cerca de R$ 37 milhões para contas e plataformas indicadas pelos criminosos. O que inicialmente parecia uma oportunidade de investimento fazia parte, na realidade, de um esquema criminoso internacional. Nesse tipo de golpe, a vítima é gradualmente convencida da credibilidade da plataforma e estimulada a aumentar os aportes, até perder o acesso ao dinheiro.

    O grupo recebia transferências em reais e convertia valores em criptomoedas dentro do próprio sistema. A partir dali, o cliente recebia novas orientações sobre onde investir. Segundo as investigações, o esquema era sustentado por uma intensa comunicação no WhatsApp , com diversos canais destinados aos clientes — financeiro e comercial, para que a vítima fosse “bombardeada” de mensagens, notícias e supostos comprovantes e relatos de outros investidores sobre os lucros obtidos nas transações.

    “O Departamento Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (Dercc) identificou que o golpe conhecido internacionalmente como pig butchering, que tem origem no sudeste asiático, como Laos, Camboja e Mianmar, passou a ser introduzido em território brasileiro. A operação tem como foco a alta estrutura do grupo criminoso”, disse o delegado Eibert Moreira.

    “A ação faz parte da estratégia do departamento em desenvolver investigações voltadas à responsabilização de todos os integrantes das estruturas utilizadas para a prática de fraudes eletrônicas, desde o executor do estelionato que induz a vítima em erro, até os donos de instituições financeiras que facilitam e auxiliam a ocultação dos valores obtidos com o crime”, continuou.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/como-herdeira-perdeu-r-37-milhoes-no-golpe-da-falsa-plataforma.

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