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    Como foram as horas que antecederam a Batalha da Inajar de Souza, que tem julgamento nesta segunda

    A Batalha da Inajar de Souza, briga entre corintianos e palmeirenses que marcou a violência entre torcidas em São Paulo e terminou com a morte de dois palmeirenses em 2012, foi planejada por integrantes dos Gaviões da Fiel para que nada saísse errado, diz a investigação da Polícia Civil . Leia mais (10/05/2026 - 04h15)

    Folha de S.Paulo
    5 de outubro de 2026 às 07:15
    Como foram as horas que antecederam a Batalha da Inajar de Souza, que tem julgamento nesta segunda
    Oito gabinetes de computador alinhados sobre uma mesa marrom em uma sala branca. Os gabinetes têm adesivos com o escudo do Corinthians. Ao fundo, duas pessoas vestindo roupas pretas conversam próximas a uma mesa com papéis. Há armários cinz — Foto: Folha de S.Paulo

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    A Batalha da Inajar de Souza, briga entre corintianos e palmeirenses que marcou a violência entre torcidas em São Paulo e terminou com a morte de dois palmeirenses em 2012, foi planejada por integrantes dos Gaviões da Fiel para que nada saísse errado, diz a investigação da Polícia Civil .

    Computadores apreendidos na sede dos Gaviões por policiais da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância dois dias depois da briga - Jefferson Coppola - 27.mar.12/Folhapress · Jefferson Coppola - 27.mar.12/Folhapress
    Computadores apreendidos na sede dos Gaviões por policiais da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância dois dias depois da briga - Jefferson Coppola - 27.mar.12/Folhapress · Jefferson Coppola - 27.mar.12/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    André Alves Lezo, 21, e Guilherme Vinicius Jovanelli Moreira, 19, o Zulu, morreram devido a traumatismos cranianos decorrentes da briga. Lezo, que morava perto da avenida na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo , morreu no mesmo dia. Guilherme, que morava na zona leste, morreu dois dias depois.

    Dez acusados começam a ser julgados nesta segunda-feira (5) sob acusação de homicídio. Eles negam o crime.

    Depoimentos de duas testemunhas protegidas serviram de alicerce para o relatório final da apuração. Para a Polícia Civil, o que desencadeou a briga foi a morte de Douglas Karin da Silva, 27, o DKS, cujo corpo foi encontrado no rio Tietê seis meses antes , após uma briga entre as torcidas.

    André Alves Lezo, uma das duas vítimas da Batalha da Inajar - André Lezo no Facebook · André Lezo no Facebook
    André Alves Lezo, uma das duas vítimas da Batalha da Inajar - André Lezo no Facebook · André Lezo no Facebook — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na noite de sábado, 24 de março de 2012, torcedores corintianos passaram a se reunir em diversos bairros, alguns deles atraídos por ingressos para o clássico que seria disputado na tarde seguinte no estádio do Pacaembu, na zona oeste.

    Os homens foram se amontoando em ônibus alugados. Um deles, segundo o proprietário, foi contratado sob o argumento de que serviria para o transporte até uma festa. Conforme os relatos no processo, os veículos foram pegando passageiros em vários bairros da capital.

    O destino foi um snooker bar no Jardim Monte Kemel, na zona oeste. Os celulares foram recolhidos na entrada. O grupo permaneceu ali entre 3h e 9h de domingo, 25 de março.

    Material apreendido por policiais civis na casa de um membro da Mancha dois dias após a briga - Jefferson Coppola - 27.mar.12/Folhapress · Jefferson Coppola - 27.mar.12/Folhapress
    Material apreendido por policiais civis na casa de um membro da Mancha dois dias após a briga - Jefferson Coppola - 27.mar.12/Folhapress · Jefferson Coppola - 27.mar.12/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo a testemunha protegida identificada como Letônia no processo, um homem não identificado subiu em uma das mesas de sinuca e disse: "Todo mundo aqui, hoje a gente vai pegar o Lezo e vingar a morte do nosso irmão, vamos pegar os porcos. Não é pra ninguém correr, vou fazer parte da linha de frente e é para todo mundo me empurrar".

    Em seguida, conforme o inquérito, toucas feitas com meias de seda, com buracos para os olhos, foram espalhadas sobre a mesa de bilhar. Cada um dos presentes devia pegar uma, como forma de esconder o rosto.

    O grupo voltou aos ônibus. Já sabendo da possível briga, seguiu pela marginal em direção à avenida Inajar de Souza. As testemunhas que estavam nos ônibus disseram ter ouvido os apelidos de Donizete, Metaleiro, BO, Diguinho, Neguinho e Ninja como os de quem articulava a ação em diferentes pontos. As comunicações eram feitas por rádio Nextel, comum na época.

    Toucas e rojões deixados para trás e apreendidos pela polícia na avenida Inajar de Souza - Reprodução/Inquérito policial · Reprodução/Inquérito policial
    Toucas e rojões deixados para trás e apreendidos pela polícia na avenida Inajar de Souza - Reprodução/Inquérito policial · Reprodução/Inquérito policial — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Houve a distribuição de fogos de artifício. Segundo a Polícia Civil, o material foi comprado na sexta-feira (23) por Carlos Roberto de Britto Junior. A investigação obteve uma nota da fornecedora na qual aparecem supostamente parte do nome e o apelido dele.

    Britto Junior nega envolvimento. Um laudo grafotécnico do Instituto de Criminalística afastou a possibilidade de as letras na nota serem semelhantes às encaminhadas por ele para o exame.

    Além dos fogos, quem desembarcava dos coletivos recebia barras de ferro e porretes de madeira, que estavam guardados em carros de apoio, narra o processo.

    Jovem usando boné cinza e camiseta branca com logo verde do Palmeiras e texto 'Mancha Verde'. Fundo escuro com luzes ao fundo.
    Jovem usando boné cinza e camiseta branca com logo verde do Palmeiras e texto 'Mancha Verde'. Fundo escuro com luzes ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os palmeirenses, que haviam se reunido na Inajar de Souza pela manhã, seguiam a pé em direção à sede da torcida, na rua Turiassu, escoltados por duas viaturas da Polícia Militar . Os ônibus com os corintianos fizeram a volta na avenida e os pegaram de costas. Quando ficaram frente a frente, houve cânticos dos dois lados. Em maior número, os corintianos passaram a espancar os palmeirenses.

    A testemunha Letônia relatou ter travado ao ver a cena. Um grupo de palmeirenses o agrediu, e um deles ainda passou com uma moto por cima de suas costas. Fingiu-se de morto até ser socorrido por pedestres. Policiais o levaram para um hospital.

    A outra testemunha, identificada como Canadá, conseguiu fugir durante a briga. A versão dela é semelhante à dada por Letônia em alguns pontos.

    Mulher de camiseta regata e calça jeans organiza objetos sobre armários de arquivo cinza em sala de escritório. Na mesa à frente, há uma pistola, cinco munições, um bastão de madeira, um rádio comunicador e documentos. Bandeiras brasileiras
    Mulher de camiseta regata e calça jeans organiza objetos sobre armários de arquivo cinza em sala de escritório. Na mesa à frente, há uma pistola, cinco munições, um bastão de madeira, um rádio comunicador e documentos. Bandeiras brasileiras — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para o Ministério Público, não houve um massacre de palmeirenses, como se poderia esperar, mas uma "batalha", uma vez que os alviverdes também estavam preparados para a briga, embora talvez não para uma de tamanha proporção e realizada pelas costas. Um grupo de nove palmeirenses responde a uma ação por associação criminosa relativa ao caso, ainda sem julgamento.

    Um pedestre que prestou depoimento classificou a briga como um "filme medieval".

    A denúncia da promotora Claudia Ferreira Mc Dowell, de 26 de outubro de 2017, apontou a suposta ação de cada um dos réus na preparação e execução do confronto. A investigação, contudo, não identifica os responsáveis diretos pelos golpes que mataram André e Guilherme.

    Cinco objetos escuros de formatos variados alinhados sobre uma superfície clara no chão. Ao fundo, vários tubos cilíndricos brancos empilhados verticalmente. À direita, caixa de papelão com texto e números visíveis, e alguns objetos pequeno
    Cinco objetos escuros de formatos variados alinhados sobre uma superfície clara no chão. Ao fundo, vários tubos cilíndricos brancos empilhados verticalmente. À direita, caixa de papelão com texto e números visíveis, e alguns objetos pequeno — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Antonio Donizete teria concorrido para a organização e a execução do confronto. Também teria oferecido apoio moral e logístico. Mario Magoo e Reinaldo Ade teriam sido responsáveis por abastecer os torcedores com barras de ferro e cabos de pás e enxadas.

    Juíza vetou uso de roupas de times e de torcidas no Fórum da Barra Funda, na zona oeste de SP, nesta segunda-feira (5); júri deve seguir até a sexta (9)

    Britto Junior teria sido responsável pela compra dos fogos de artifício usados e pela organização do deslocamento dos torcedores.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Douglas Deungar, Rodrigo Reinaldet Daher, Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, Marcelo Eduardo Rodrigues Sales, Wagner da Costa, e Mario José Carneiro Pieroni teriam agido na organização e na execução da briga.

    A defesa de Antonio Donizete, Mário Magoo e Reinaldo Ade disse à Folha que não comentaria o caso.

    Procurados entre a quinta-feira (1º) e a sexta-feira (2), os demais defensores não responderam aos contatos feitos por mensagem, email e ligações em telefones fixos presentes no site da OAB.

    Trilili Urna Eletrônica
    Trilili Urna Eletrônica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A assessoria dos Gaviões disse na última semana que a instituição não irá se pronunciar. A reportagem procurou a presidência atual da Mancha Alvi Verde, que não respondeu às mensagens.

    Um policial militar que trabalhou naquele dia e tem larga experiência com as torcidas organizadas disse que a Batalha da Inajar é uma cicatriz que nunca vai se apagar. Segundo ele, para uma das torcidas o episódio significa dor, tristeza e desejo de revanche; para a outra, um troféu.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/10/como-foram-as-horas-que-antecederam-a-batalha-da-inajar-de-souza-que-tera-julgamento-nesta-segunda.shtml.

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    Computadores apreendidos na sede dos Gaviões por policiais da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância dois dias depois da briga - Jefferson Coppola - 27.mar.12/Folhapress · Jefferson Coppola - 27.mar.12/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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