Economia

    Como empresa de energéticos de SC passou a Red Bull e mira posto de líder, Monster

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    InfoMoney
    10 de agosto de 2026 às 10:00
    Como empresa de energéticos de SC passou a Red Bull e mira posto de líder, Monster
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    Da esquerda para a direita, a família da Baly Brasil: Mário Júnior Cardoso, Mário Cardoso, Dayane Titon Cardoso e Jânio Nandi Cardoso. (Foto: Divulgação/Ricardo Beppler/Baly Brasil)

    Nada de geladeiras em escritórios da Faria Lima, patrocínio a esportes radicais ou gamers. Para ultrapassar a Red Bull em participação no mercado nacional, a Baly Brasil apostou alto na consolidação entre público das classes C e D e diversificou o portfólio para avançar sobre o consumidor de alta renda com opções saborizadas e ligadas ao bem-estar. O próximo alvo? A líder, Monster.

    “Eu digo que somos as Havaianas dos energéticos”, conta a diretora comercial e de marketing da empresa, Dayane Cardoso, em entrevista ao InfoMoney . Depois de bater o faturamento de R$ 1,8 bilhão em 2025, a empresa projeta fechar 2026 com R$ 2,5 bilhões em receitas.

    Dayane Titon Cardoso, diretora comercial e de marketing da Baly. (Foto: Divulgação/Ricardo Beppler/Baly Brasil)
    Dayane Titon Cardoso, diretora comercial e de marketing da Baly. (Foto: Divulgação/Ricardo Beppler/Baly Brasil) — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    A Baly gosta de dizer que “democratizou” o acesso aos energéticos no Brasil. A companhia já atuava no mercado de bebidas não alcóolicas quando, em 2009, decidiu dar um novo passo: desenvolver a fórmula de um energético para produção em escala. O problema é que a operação só contava com máquinas para envasar refrigerantes de dois litros, enquanto as latas predominavam nesse mercado.

    A solução foi lançar sua primeira versão nas garrafas PET mesmo. O recipiente abriu caminho para que a companhia avançasse sobre o público universitário e em festas como uma alternativa mais barata para a diluição de bebidas alcóolicas em grandes grupos.

    Até 2012, a empresa já era uma das líderes em vendas na região Sul e manteve o ritmo de crescimento até 2015. Então veio a crise.

    Unidade da Baly Brasil em Araranguá, aquisição anunciada em janeiro de 2026. (Foto: Divulgação/Baly)
    Unidade da Baly Brasil em Araranguá, aquisição anunciada em janeiro de 2026. (Foto: Divulgação/Baly) — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Em três anos, a fabricante viu seu faturamento afundar 50% e a participação de mercado regional despencar da primeira para a quarta posição. Para Cardoso, o problema foi de gestão. “Pode-se dizer que tivemos uma crise de mercado. Quando percebemos, estávamos distantes do cliente.”

    Fundada em 1997 pelos primos Mário e Jânio Cardoso como uma produtora de vinhos e cachaças, a Baly precisou passar por um choque de gestão. Os fundadores assumiram o papel de conselheiros, enquanto os filhos de Mário assumiram funções executivas: Dayane foi para a diretoria comercial e de marketing; o irmão, Mário Júnior Cardoso (o Marinho), ficou com a diretoria financeira e de operações.

    “A entrada da nova geração trouxe um olhar mais inovador para a empresa. Um olhar de maior agilidade, flexibilidade, muito voltado ao consumidor”, conta Dayane. A premissa da nova gestão era simples: calçar os sapatos e gastar sola em pontos de venda e balcões para entender quais sabores as pessoas realmente queriam consumir.

    Portfólio de bebidas zero açúcar da Baly Brasil. (Foto: Divulgação/Baly Brasil)
    Portfólio de bebidas zero açúcar da Baly Brasil. (Foto: Divulgação/Baly Brasil) — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Por muitos anos, o sabor guaraná, aroma tradicional associado aos energéticos, dominou festas e prateleiras de supermercados pelo Brasil e seu consumo ficou muito associado às bebidas alcóolicas. A mistura da bebida com uísque, por exemplo, foi a febre em baladas nos anos 2010, com Red Bull e Monster preenchendo a maioria das geladeiras do lado não alcoólico do drink.

    “Depois da pandemia veio a saborização. As pessoas passaram a consumir mais o energético no dia a dia, substituindo o refrigerante, em qualquer horário do dia”, explica Cardoso.

    Os dados de mercado corroboram essa visão. Hoje, o consumo per capita de energéticos pelos brasileiros é de 4,27 litros ao ano , com projeção de alcançar 7 litros em 2029, apontam dados do Euromonitor. Para surfar essa onda, a Baly apostou na diversidade de portfólio. Com o lançamento do seu primeiro sabor, batizado de “Tropical”, a empresa cresceu 8 vezes de tamanho, número que se repetiu para diversas das outras 30 versões da bebida desenvolvidos até 2026. E a companhia não poupa na criatividade — nem no marketing.

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    Um exemplo: a novidade para o Carnaval de 2026 foi o “Baly Tadala”. Mesmo sem qualquer efeito farmacêutico, a alusão ao medicamento para disfunção erétil rendeu à companhia 2 milhões de visualizações no TikTok, ultrapassando 23 milhões de pedidos em apenas 25 dias.

    O apelo popular parece estar rendendo. Em 2025, a Baly ficou à frente da Red Bull em volume de vendas, com 27% do mercado, contra 13% da concorrente austríaca, segundo dados da Scanntech compartilhados pela fabricante brasileira com o InfoMoney . Já a Monster, líder do segmento, teve 33% das vendas.

    Além do acirramento da competição em bebidas energéticas, o avanço sobre a Red Bull dá outro sinal: a Baly está ganhando terreno entre os consumidores das classes A e B. Em 2022, a marca que “dá asas” tinha uma participação de mercado na casa dos 40%, com maior entrada na parcela mais rica da população.

    Dayane Titon Cardoso, diretora comercial e de marketing da Baly. (Foto: Divulgação/Ricardo Beppler/Baly Brasil)
    Dayane Titon Cardoso, diretora comercial e de marketing da Baly. (Foto: Divulgação/Ricardo Beppler/Baly Brasil) — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Parte da explicação não é novidade. O crescimento da categoria de energéticos, como em muitos bens do consumo, tem sido impulsionado por alternativas relacionadas a bem-estar e saudabilidade . São os casos de bebidas com menos açúcar ou adições saudáveis.

    “O segmento zero cresce principalmente via embalagens menores, com um preço por litro mais elevado que a média da categoria”, explica o líder de insights para a Indústria da NielsenIQ, Gabriel Fagundes. “Há uma questão do mix de marcas mais caras oferecendo essa opção, mas também uma associação com o fato de consumidores estarem mais dispostos a ‘pagar mais’ por produtos avaliados como mais saudáveis.”

    Dentro do grupo de bebidas não alcoólicas, as mais beneficiadas pela onda fitness , o energético foi a segunda categoria de destaque, atrás apenas de refrigerantes. As alternativas sem açúcar contribuíram com 72% do crescimento dessa categoria, crescendo duas vezes mais que as versões tradicionais, mostram dados do primeiro trimestre recolhidos pela NielsenIQ.

    Unidade da Baly Brasil em Araranguá, aquisição anunciada em janeiro de 2026. (Foto: Divulgação/Baly)
    Unidade da Baly Brasil em Araranguá, aquisição anunciada em janeiro de 2026. (Foto: Divulgação/Baly) — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Nas mãos da Baly, a tendência virou marketing. A empresa reforça que seus energéticos são enriquecidos com vitaminas B3, B5, B6 e B12 (o padrão na composição de ingredientes também das principais concorrentes). Além disso, todo o portfólio foi replicada em versão zero açúcar, que recebeu também uma alternativa com adição de 15 gramas de proteína.

    Entre janeiro e julho de 2026, o volume de vendas de energéticos zero açúcar da fabricante cresceu 135% quando comparadas apenas as mesmas lojas que já comercializavam o produto em igual período de 2025.

    A concorrência no setor não dá sinais de retração. De 2024 a 2025, o número de marcas que atuam na categoria cresceu 23%, enquanto o número de itens subiu 24%, conta Fagundes, da NielsenIQ. “Não só as marcas aumentam sua capilaridade, no ponto de vendas (com grande destaque para o portfólio zero), mas também há entrada de novas delas.”

    Portfólio de bebidas zero açúcar da Baly Brasil. (Foto: Divulgação/Baly Brasil)
    Portfólio de bebidas zero açúcar da Baly Brasil. (Foto: Divulgação/Baly Brasil) — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Segundo a Scanntech, energéticos em garrafas PET de 2 litros, uma das marcas da fundação da Baly, representam 40% do mercado no país. A Baly detém 64% do faturamento na categoria que tem puxado o crescimento de vendas.

    Agora, a empresa vai acelerar a produção. Depois de comprar uma nova unidade fabril — a maior da companhia — em janeiro de 2026, a empresa colocará a planta para funcionar no segundo semestre. O objetivo para esta que é a terceira fábrica da Baly é sustentar o crescimento de produção: depois de envasar 550 milhões de litros de energético em 2025, a projeção é chegar a 1 bilhão em 2026. E, assim, ir atrás da liderança no segmento.

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    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/business/como-empresa-de-energeticos-de-sc-passou-a-red-bull-e-mira-posto-de-lider-monster/.

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    Dayane Titon Cardoso, diretora comercial e de marketing da Baly. (Foto: Divulgação/Ricardo Beppler/Baly Brasil) — Foto: InfoMoney

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