Tecnologia

    Como conseguimos medir a maior galáxia conhecida?

    IC 1101 supera em cerca de 20 vezes o diâmetro do disco estelar da Via Láctea e ainda cresce ao incorporar material de outras galáxias O post Como conseguimos medir a maior galáxia conhecida? apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    27 de agosto de 2026 às 08:10
    Como conseguimos medir a maior galáxia conhecida?
    Foto: Olhar Digital

    O Universo é cheio de estruturas de dimensões difíceis de imaginar, mas poucas impressionam tanto quanto a IC 1101 . Localizada no aglomerado de galáxias Abell 2029, ela teve sua extensão medida com maior precisão em um novo estudo. Os pesquisadores identificaram o limite de seu corpo estelar principal a cerca de 260 quiloparsecs do centro, o equivalente a aproximadamente 1,7 milhão de anos-luz de diâmetro, segundo informações do portal Science Alert .

    O tamanho coloca a IC 1101 entre as maiores galáxias conhecidas e, segundo a equipe liderada pelo astrofísico Carlos Marrero de la Rosa, do Instituto de Astrofísica de Canarias, faz dela a maior identificada até agora. Para ter uma ideia da escala, o disco estelar da Via Láctea possui um diâmetro aproximadamente 20 vezes menor.

    Determinar o tamanho da IC 1101 não é simples porque uma galáxia não possui uma borda nítida. Conforme as estrelas se afastam do centro, elas ficam progressivamente mais espalhadas. Além disso, a luz extremamente fraca das regiões externas se mistura com o brilho difuso presente no aglomerado Abell 2029, dificultando a identificação do ponto em que termina o corpo principal da galáxia.

    A galáxia é cerca de 20 vezes maior que o disco da Via Láctea em diâmetro. (Imagem: C. Marrero de la Rosa et al.; data: Isaac Newton Telescope (INT/ING)) – A galáxia é cerca de 20 vezes maior que o disco da Via Láctea em diâmetro. (Imagem:
    A galáxia é cerca de 20 vezes maior que o disco da Via Láctea em diâmetro. (Imagem: C. Marrero de la Rosa et al.; data: Isaac Newton Telescope (INT/ING)) – A galáxia é cerca de 20 vezes maior que o disco da Via Láctea em diâmetro. (Imagem: — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Para resolver o problema, os pesquisadores utilizaram o telescópio Isaac Newton, de 2,5 metros, no Observatório Roque de los Muchachos, na Espanha. A equipe produziu as imagens mais profundas já obtidas da IC 1101 e removeu cuidadosamente a luz espalhada por estrelas próximas e pelo centro extremamente brilhante da própria galáxia.

    Depois de eliminar as interferências, os cientistas analisaram diferentes características da IC 1101 conforme se afastavam do centro. Por volta dos 260 quiloparsecs, mudanças ocorreram simultaneamente na distribuição da luz, nas cores das estrelas, na quantidade de massa estelar e até no formato e na orientação da galáxia. A coincidência entre esses sinais ajudou a estabelecer o limite de seu corpo estelar principal.

    Mas as observações revelaram algo ainda mais interessante. Estruturas extremamente fracas aparecem além dessa região, algumas com formatos assimétricos, alongados e semelhantes a filamentos. Segundo os pesquisadores, elas podem estar relacionadas a eventos de incorporação de material ou interações anteriores com galáxias menores.

    Estruturas externas sugerem que a IC 1101 ainda incorpora material de galáxias menores. (Imagem: C. Marrero de la Rosa et al.; data: Isaac Newton Telescope (INT/ING)) – Estruturas externas sugerem que a IC 1101 ainda incorpora material de g
    Estruturas externas sugerem que a IC 1101 ainda incorpora material de galáxias menores. (Imagem: C. Marrero de la Rosa et al.; data: Isaac Newton Telescope (INT/ING)) – Estruturas externas sugerem que a IC 1101 ainda incorpora material de g — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Essas estruturas ajudam a explicar como a IC 1101 pode ter uma fronteira definida e, ao mesmo tempo, continuar crescendo. Fora de seu corpo principal, estrelas e detritos deixados por galáxias menores continuam sendo incorporados ao enorme sistema. Algumas dessas estruturas também parecem estar alinhadas com perturbações observadas na emissão de raios X ao redor da galáxia.

    A emissão registra gás extremamente quente e pode preservar sinais de uma fusão fora do eixo com um aglomerado menor de galáxias ocorrida bilhões de anos atrás. Esse tipo de interação ajuda a explicar como uma galáxia pode alcançar dimensões tão extraordinárias.

    Matheus Labourdette é redator no Olhar Digital.

    A galáxia é cerca de 20 vezes maior que o disco da Via Láctea em diâmetro.  (Imagem: C. Marrero de la Rosa et al.; data: Isaac Newton Telescope (INT/ING))
    A galáxia é cerca de 20 vezes maior que o disco da Via Láctea em diâmetro. (Imagem: C. Marrero de la Rosa et al.; data: Isaac Newton Telescope (INT/ING)) — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Layse Ventura é editora de SEO no Olhar Digital e mestre pela UFSC.

    Matheus Labourdette
    Matheus Labourdette — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    Layse Ventura
    Layse Ventura — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/27/ciencia-e-espaco/como-conseguimos-medir-a-maior-galaxia-conhecida/.

    Imagem 1
    1 / 5

    A galáxia é cerca de 20 vezes maior que o disco da Via Láctea em diâmetro. (Imagem: C. Marrero de la Rosa et al.; data: Isaac Newton Telescope (INT/ING)) – A galáxia é cerca de 20 vezes maior que o disco da Via Láctea em diâmetro. (Imagem: — Foto: Olhar Digital

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)