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    Como a PF usou metadados de PDF para descobrir fraude do Banco Master

    PF identificou documentos do Banco Master com datas alteradas e assinaturas digitais que revelaram quando eles foram produzidos O post Como a PF usou metadados de PDF para descobrir fraude do Banco Master apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    14 de setembro de 2026 às 11:35
    Como a PF usou metadados de PDF para descobrir fraude do Banco Master
    Foto: Olhar Digital

    A Polícia Federal identificou uma operação que combinava dados reais, Word , programação, assinaturas digitais e edição de PDFs para montar documentos usados para sustentar cessões fictícias de crédito consignado. O esquema envolvia a Tirreno Consultoria, o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

    Segundo a investigação, a Tirreno foi usada para formalizar R$ 7,15 bilhões em cessões fictícias de crédito consignado com o Banco Master. Quando funcionários tentaram retirar datas e outras informações dos arquivos, a própria documentação digital deixou pistas sobre a cronologia.

    Segundo o relatório técnico-pericial da PF, dados de clientes de operações antigas eram extraídos dos sistemas internos e organizados em planilhas . Essas informações alimentavam documentos produzidos em escala.

    PF identificou uma estrutura que combinava dados reais, programação e edição de PDFs para montar documentos ligados ao Banco Master. – Imagem: ArmadilloPhotograp/Shutterstock
    PF identificou uma estrutura que combinava dados reais, programação e edição de PDFs para montar documentos ligados ao Banco Master. – Imagem: ArmadilloPhotograp/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Uma das ferramentas usadas foi a mala direta do Microsoft Word, que permitiu gerar 2.700 procurações em lote. Na área de tecnologia, programas desenvolvidos em C# serviam para extrair páginas específicas de PDFs, inclusive as de assinatura.

    A PF encontrou ainda um arquivo com 1.833 PDFs contendo páginas de assinatura isoladas de Termos de Consentimento.

    A diferença entre a data escrita no documento e o registro da assinatura digital revelou parte da manipulação.

    A perícia encontrou 1.833 PDFs com páginas de assinatura isoladas de Termos de Consentimento. – T. Schneider / Shutterstock
    A perícia encontrou 1.833 PDFs com páginas de assinatura isoladas de Termos de Consentimento. – T. Schneider / Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Em um dos casos, a Cédula de Crédito Bancário indicava 21 de janeiro de 2025. O registro criptográfico, entretanto, apontava assinatura em 20 de junho de 2025, às 14h02min39s.

    Os Termos de Consentimento também passaram por alterações. Em uma conversa de 20 de junho, Allan da Silva Machado, então gerente de Operações I do Back Office/Conciliação do Banco Master, escreveu: “e precisamos excluir a data”.

    Entre os arquivos examinados, a PF encontrou o Termo de Consentimento de Genilson Lima Leal. A peça ainda registrava a data de 24 de fevereiro de 2023, às 13h05, até passar por uma edição em 3 de julho de 2025. Na alteração, feita às 15h26, a informação foi retirada da exibição do documento.

    Assinatura eletrônica
    Assinatura eletrônica — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A alteração chegou aos comprovantes de transferências por SPB e PIX. Allan Machado queria retirar o evento, o número do contrato e o histórico, que continha referências às operações originais.

    Fazer isso em escala era outro problema. Romy Goerck Gentina Klenquen, então integrante da área operacional do Banco Master, explicou que conseguia alterar alguns arquivos, mas não 2.700 comprovantes manualmente. Allan respondeu: “tem q dar um jeito”.

    As inconsistências também preocupavam a auditoria da Deloitte. Em uma conversa, Alberto Felix de Oliveira Neto, na época superintendente executivo de Tesouraria do Banco Master, orientou que elas fossem atribuídas a “erro operacional na seleção”.

    Adobe Acrobat
    Adobe Acrobat — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Depois de produzidas e modificadas, as peças eram reunidas pelo PDF24. CCBs, procurações e Termos de Consentimento formavam os dossiês destinados a sustentar a existência da carteira de créditos atribuída à Tirreno Consultoria.

    Foi justamente a combinação desses arquivos que permitiu reconstruir parte da cronologia. Mesmo com datas apagadas visualmente, os registros digitais e as assinaturas mostravam que documentos apresentados como antigos haviam sido assinados posteriormente.

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    Valdir Antonelli
    Valdir Antonelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    PF identificou uma estrutura que combinava dados reais, programação e edição de PDFs para montar documentos ligados ao Banco Master. – Imagem: ArmadilloPhotograp/Shutterstock
    PF identificou uma estrutura que combinava dados reais, programação e edição de PDFs para montar documentos ligados ao Banco Master. – Imagem: ArmadilloPhotograp/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    A perícia encontrou 1.833 PDFs com páginas de assinatura isoladas de Termos de Consentimento. – T. Schneider / Shutterstock
    A perícia encontrou 1.833 PDFs com páginas de assinatura isoladas de Termos de Consentimento. – T. Schneider / Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/14/pro/como-a-pf-usou-metadados-de-pdf-para-descobrir-fraude-do-banco-master/.

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    PF identificou uma estrutura que combinava dados reais, programação e edição de PDFs para montar documentos ligados ao Banco Master. – Imagem: ArmadilloPhotograp/Shutterstock — Foto: Olhar Digital

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