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    Como a inteligência artificial foi “descoberta”: a história real

    Promessas exageradas, dois "invernos" e uma virada em 2012: a trajetória acidentada que transformou a inteligência artificial na tecnologia do século O post Como a inteligência artificial foi “descoberta”: a história real apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    26 de agosto de 2026 às 20:30
    Como a inteligência artificial foi “descoberta”: a história real
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    A inteligência artificial não foi descoberta em um único dia, nem por um único cientista . Sua história é feita de promessas exageradas, previsões furadas e décadas de descrédito. E é justamente por isso que ela é tão interessante.

    Em 1950 , o matemático britânico Alan Turing publicou um artigo com uma pergunta simples: máquinas podem pensar? Ele propôs um teste prático — se um humano não consegue distinguir a máquina de outra pessoa numa conversa, o que muda?

    O termo “inteligência artificial” só apareceria seis anos depois. Foi cunhado por John McCarthy em um encontro de verão no Dartmouth College, em 1956 . Estavam ali nomes como Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester.

    Wharrysson Lacerda
    Wharrysson Lacerda — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A proposta do evento era ousada: um grupo pequeno de pesquisadores poderia avançar significativamente no problema em dois meses . Não foi bem assim.

    Os primeiros pesquisadores acreditavam que inteligência era manipulação de símbolos e regras lógicas. Bastaria escrever regras suficientes e a máquina raciocinaria. Programas como o Logic Theorist e o General Problem Solver reforçaram esse otimismo.

    Em paralelo, surgiu uma linha rival. Em 1958 , Frank Rosenblatt apresentou o Perceptron, uma rede que aprendia com exemplos em vez de seguir regras . A imprensa da época tratou o invento como o embrião de uma máquina consciente.

    A euforia durou pouco. Em 1969 , Minsky e Seymour Papert publicaram um livro mostrando limitações matemáticas do perceptron simples. O financiamento secou. Começava o primeiro “inverno da IA”.

    Nos anos 1980, os “sistemas especialistas” trouxeram algum fôlego comercial. Empresas compraram a ideia de máquinas que replicavam o conhecimento de profissionais. Mas os sistemas eram caros, frágeis e difíceis de atualizar. Veio o segundo inverno.

    Enquanto isso, uma minoria teimosa seguia trabalhando com redes neurais. A popularização do algoritmo de retropropagação, em 1986 , foi decisiva. Ainda faltavam dados e poder de cálculo.

    O ponto de inflexão veio em 2012 . Uma rede neural profunda venceu a competição de reconhecimento de imagens ImageNet com margem grande sobre os concorrentes. O segredo não era uma teoria nova, mas a combinação de três fatores:

    A partir dali, o consenso se inverteu. Em 2016 , um sistema venceu um campeão mundial de Go. Em 2017 , um artigo apresentou a arquitetura Transformer, base dos modelos de linguagem atuais.

    O reconhecimento definitivo veio em 2024 , quando o Prêmio Nobel de Física foi concedido a pesquisadores ligados às redes neurais artificiais. A abordagem descartada nos anos 1960 virou o centro da ciência da computação.

    A lição da história é útil hoje. A IA avançou quando os cientistas abandonaram a certeza de que sabiam como a inteligência funciona. E ainda não há consenso sobre o que essas máquinas realmente entendem — se é que entendem alguma coisa.

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