Brasil

    Como a alta gastronomia está transformando o turismo no Brasil

    Sabores da culinária brasileira têm ganhado espaço na promoção dos destinos e ajudado a conectar visitantes à cultura e aos territórios

    Metrópoles
    7 de outubro de 2026 às 09:00
    Como a alta gastronomia está transformando o turismo no Brasil
    Foto: Metrópoles

    Viajar pelo Brasil também significa experimentar sabores e comer bem. A diversidade de ingredientes, receitas, técnicas e tradições tem feito da gastronomia um dos componentes importantes na experiência turística do país.

    Desde a alta gastronomia dos restaurantes premiados aos mercados tradicionais, a comida tem ganhado espaço na preferência dos viajantes. Não é atoa que a culinária brasileira está entre os principais fatores de satisfação dos cerca de nove milhões de turistas estrangeiros que visitaram o país em 2025.

    Quando se fala em qualidade, o país entrega não só um, mas dois restaurantes agraciados com três Estrelas Michelin em 2026: o Evvai e o Tuju, ambos localizados em São Paulo. As duas casas são as únicas da América Latina com a distinção máxima do guia.

    Rubens Kato
    Rubens Kato — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    E o reconhecimento, de uma das principais referências internacionais da gastronomia, também ajuda a projetar a culinária nacional para um público estrangeiro interessado em experiências que vão além dos pontos turísticos tradicionais.

    Para José Eduardo Camargo, líder de conteúdo e inteligência da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a procura por uma boa culinária tem crescido, inclusive, entre os turistas brasileiros na hora de planejar a viagem.

    “A gastronomia tem se colocado como um importante fator de decisão nos destinos turísticos, passando na frente de programação cultural e roteiros de natureza”, aponta José.

    Cozinha aberta em conceito 360º permite que os visitantes acompanhem o preparo de todo o menu degustação
    Cozinha aberta em conceito 360º permite que os visitantes acompanhem o preparo de todo o menu degustação — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    De acordo com ele, o turista já planeja a viagem pensando onde vai comer, quais restaurantes quer visitar e experimentar. “E o Brasil é muito privilegiado nesse sentido, temos uma enorme variedade gastronômica. A culinária do Paraná, por exemplo, não é a mesma de Alagoas e é totalmente distinta da de Manaus. Cada região tem seu aspecto culinário, que vale a pena ser experimentado”, destaca.

    Para a Embratur, o setor tem papel estratégico.

    “A gastronomia é um dos pilares do turismo brasileiro por sua relação direta com cultura e identidade territorial. Em um país com a diversidade do Brasil, a culinária permite que o visitante conheça diferentes tradições, ingredientes, saberes e formas de produção”, afirma Alexandre Nakagawa, gerente de Negócios e Estratégias para o Mercado Internacional da Embratur.

    Foto colorida de vários alimentos - Metrópoles
    Foto colorida de vários alimentos - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A alimentação, nesse contexto, deixa de ser apenas uma necessidade durante a viagem e passa a integrar a experiência turística.

    O publicitário Felipe Castilho, de 39 anos, conta que a escolha dos restaurantes define, muitas vezes, o destino de uma viagem. “Quando planejo uma viagem, eu sempre pesquiso os melhores restaurantes e onde encontrar comida regional. Olho sites, redes sociais, e vou preenchendo o Google Maps com os pins dos locais de interesse”, explica.

    “Gosto de fazer essa curadoria, pois me ajuda muito a montar a viagem, porque vou concentrando todo o resto, a hospedagem e o roteiro, a partir da localização dos restaurantes”, pontua.

    Esse interesse pela gastronomia iniciou ainda na infância. “Minha família sempre teve essa cultura de cozinhar e de experimentar a comida local dos lugares que a gente visita. Então desde muito novo aprendi a privilegiar e a buscar bons lugares para comer.”

    De acordo com Castilho, não experimentar a culinária local faz com que a viagem não seja completa. “E sou totalmente adaptável, experimento desde de um restaurante premiado a uma comida de rua”, conta.

    Essa também é a percepção da jornalista e empresária, Nina Rocha, 38 anos. “Há cerca de 16 anos eu tenho colocado o turismo gastronômico em minhas viagens. Gosto de conhecer restaurantes, bares, experimentar a culinária local, passear pelas cidades e descobrir sabores”, relata.

    E a comida ainda entra como destaque nas viagens que faz como atleta. “Viajo para correr e sempre no pós-corrida eu já deixo reservado um restaurante para conhecer. Inclusive, já ocorreu de eu fazer a reserva com seis meses de antecedência”, conta.

    A brasiliense também tem o hábito de pesquisar sobre os estabelecimentos, sempre olha nos sites com listas dos 100 melhores restaurantes, 50 melhores e ainda acompanha o que os influenciadores têm falado sobre determinado lugar. Por não ter restrição alimentar, ela gosta de experimentar todos os tipos de culinária.

    Localizado em uma rua sem saída no Jardim Paulistano, em São Paulo, o restaurante Tuju ganha destaque pela gastronomia que evidencia a cidade. Com um menu degustação sazonal, que respeita e aproveita os ingredientes frescos de cada época do ano, o local propõe uma gastronomia paulistana diferenciada.

    A experiência é estruturada como uma jornada progressiva por um edifício inteiramente dedicado à gastronomia . No térreo, o visitante é recepcionado por uma experiência de sabores com os aperitivos.

    Em seguida, o cliente é conduzido para o primeiro andar onde se encontra a cozinha aberta 360º no meio do salão. O menu degustação é servido enquanto se observa o trabalho coordenado da equipe de cozinha. E para finalizar, um espaço dedicado ao café em um ambiente descontraído no terraço.

    Em abril deste ano, a casa ganhou a qualificação máxima do Guia Michelin. Para o chef e fundador do Tuju, Ivan Ralston, o reconhecimento é o resultado de um trabalho minucioso para entregar a melhor experiência possível aos visitantes.

    “A gente é bastante exigente com o que se entrega, sempre buscando oferecer serviços primorosos para os clientes. É um restaurante pensado para as pessoas. E as três estrelas são resultado desse empenho”, ressalta Ralston.

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    Para ele, a gastronomia representa um grande diferencial turístico.

    “O Brasil tem um potencial enorme ao lado de grandes países, como Itália e França. Temos uma grande variedade gastronômica, e São Paulo tem se despontado como um dos pontos com uma culinária bastante diversa”, aponta.

    A projeção internacional de chefs e restaurantes brasileiros é apenas uma parte do movimento de reconhecimento da gastronomia nacional. Para Alexandre Nakagawa, o interesse dos turistas também se estende a mercados tradicionais, bares, restaurantes, festivais e ao turismo rural.

    São experiências que permitem ao visitante conhecer não apenas um prato, mas também o contexto cultural e produtivo por trás dele.

    Mercados tradicionais de cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Belém, por exemplo, podem funcionar como portas de entrada para conhecer ingredientes e hábitos alimentares locais.

    Para o gerente da Embratur, a diversidade permite apresentar ao visitante “não apenas o que se come no Brasil, mas também as histórias, os territórios, as comunidades e os modos de vida que estão por trás de cada experiência”, finaliza.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/gastronomia-turismo-no-brasil.

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