Brasil

    Com salários elevados, Palmeiras e Flamengo amargam déficits no 1º semestre

    Palmeiras e Flamengo se tornaram as duas principais forças do futebol brasileiro nos últimos anos, com conquistas em série nos níveis estadual, nacional e continental baseadas em elencos estrelados -e caros. Leia mais (08/13/2026 - 19h56)

    Folha de S.Paulo
    13 de agosto de 2026 às 22:56
    Com salários elevados, Palmeiras e Flamengo amargam déficits no 1º semestre
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Palmeiras e Flamengo se tornaram as duas principais forças do futebol brasileiro nos últimos anos, com conquistas em série nos níveis estadual, nacional e continental baseadas em elencos estrelados —e caros.

    Vitor Roque (à esq.) e Varela durante duelo entre Palmeiras e Flamengo na final da Libertadores, em Lima, no Peru - Ernesto Benavides - 29.nov.25/AFP · Ernesto Benavides - 29.nov.25/AFP
    Vitor Roque (à esq.) e Varela durante duelo entre Palmeiras e Flamengo na final da Libertadores, em Lima, no Peru - Ernesto Benavides - 29.nov.25/AFP · Ernesto Benavides - 29.nov.25/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo dados do site especializado Transfermarkt, o alviverde tem o plantel mais valioso do país, avaliado em cerca de € 232,5 milhões (R$ 1,4 bilhão), seguido pelo do rubro-negro, com € 218 milhões (R$ 1,3 bilhão). O Cruzeiro é o terceiro, com um elenco de € 167 milhões (R$ 995 milhões).

    As altas cifras envolvidas para manter os principais atletas e ainda trazer reforços, porém, cobraram seu preço no primeiro semestre de 2026, quando a dupla registrou déficit.

    O caso do Palmeiras é o que parece requerer maior atenção, já que o clube palestrino amargou, sozinho, despesas acima das receitas da ordem de R$ 124,1 milhões de janeiro a junho.

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    No semestre, só o futebol profissional registrou um déficit de aproximadamente R$ 150 milhões, resultado que reflete receitas de R$ 410 milhões e despesas de R$ 560 milhões.

    A maior despesa é justamente na linha de "pessoal e encargos sociais", que atingiu R$ 196 milhões.

    Vêm na sequência "amortização — direitos com jogadores" (despesa contábil que o clube reconhece ao longo dos anos de contrato pela aquisição de um jogador), no valor de R$ 154 milhões, e "despesas com direito de imagem", que alcançaram R$ 71,2 milhões.

    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026
    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Os custos salariais estão completamente fora da realidade", afirmou Amir Somoggi, diretor da consultoria Sports Value.

    O clube teve receitas bem abaixo do que havia orçado para o período —de R$ 540 milhões, contra R$ 720 milhões—, enquanto os custos "continuam nas alturas", disse Somoggi.

    Procurado, o Palmeiras informou que não se pronunciaria. A diretoria alviverde já havia sinalizado que priorizaria a manutenção de atletas considerados imprescindíveis, que aproximem o time de novas conquistas dentro de campo.

    "Havia a previsão de faturar R$ 200 milhões com a venda de direitos de jogadores, e o clube fechou com apenas R$ 50 milhões no período", afirmou Fernando Trevisan, especialista em gestão e marketing esportivo e diretor-geral da Trevisan Escola de Negócios.

    Um dos nomes mais cobiçados por clubes europeus é o atacante argentino Flaco López , vice-campeão da Copa do Mundo com a Argentina e artilheiro do Palmeiras na temporada, com 17 gols em 40 partidas.

    Ainda segundo avaliação interna do clube, a pausa para o Mundial comprometeu as receitas com bilheteria.

    Segundo Somoggi, sem uma correção de rota, o déficit pode alcançar R$ 200 milhões até o fim do ano.

    No caso do Flamengo, o déficit foi bem menor, de R$ 33,8 milhões. Diferentemente do rival paulista, o rubro-negro carioca não teve grandes quedas de receita, tendo inclusive registrado aumento dos ganhos obtidos no semestre com a área de marketing e também relativos à operação do Maracanã.

    O que mais pesou para o déficit foi o investimento elevado na janela de transferências do início do ano, quando o clube desembolsou cerca de € 53,7 milhões (R$ 320 milhões).

    A maior parte do valor foi destinada à repatriação de Lucas Paquetá , que estava no West Ham, da Inglaterra, e custou aproximadamente € 42 milhões (R$ 250 milhões).

    De acordo com o clube, apenas os gastos com a amortização contábil dos direitos econômicos, que incluiu os atletas contratados na janela de janeiro, somaram R$ 192,4 milhões.

    Ainda conforme o rubro-negro, a receita recorrente bruta —que exclui a venda de atletas— somou R$ 732,4 milhões, alta de 2,9%, mesmo considerando base de comparação que contava com R$ 155,8 milhões em receitas extraordinárias provenientes da participação na Copa do Mundo de Clubes de 2025.

    "Sem esse efeito extraordinário, a receita recorrente teria crescido cerca de 32%, fruto da maturação das principais frentes comerciais", disse o clube.

    "O Flamengo vai precisar faturar cada vez mais para conseguir bancar essa situação", afirmou Somoggi.

    "A receita de patrocínio aumentou por conta dos novos contratos em vigência. O grande problema é o aumento dos custos salariais, o que faz com que o clube tenha sempre essa pressão para fechar no azul", acrescentou o diretor da Sports Value.

    O Flamengo afirmou que permanece confiante na "continuidade do crescimento da receita e no fortalecimento da geração recorrente de resultados". "As principais frentes comerciais seguem amadurecendo, e os contratos já assinados dão a sustentação necessária para atravessar o ciclo com tranquilidade", disse.

    Somoggi ponderou que tanto Flamengo quanto Palmeiras são clubes "sólidos financeiramente", mas convivem com as contas no vermelho pela pressão exercida por um custo anual do futebol próximo a R$ 1 bilhão.

    "Não são números alarmantes, mas é prudente continuar acompanhando o desempenho econômico-financeiro dos dois clubes, que têm sido a referência na gestão do futebol brasileiro", afirmou Trevisan.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/08/com-salarios-elevados-palmeiras-e-flamengo-amargam-deficits-no-1o-semestre.shtml.

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    Vitor Roque (à esq.) e Varela durante duelo entre Palmeiras e Flamengo na final da Libertadores, em Lima, no Peru - Ernesto Benavides - 29.nov.25/AFP · Ernesto Benavides - 29.nov.25/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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