Brasil

    Com preços altos, importação de fertilizantes cai 7% até julho

    Após o recorde de 49,1 milhões de toneladas no ano passado, as vendas internas de fertilizantes devem recuar para 46,7 milhões neste ano, uma queda de 5%. Leia mais (08/11/2026 - 19h00)

    Folha de S.Paulo
    11 de agosto de 2026 às 22:00
    Com preços altos, importação de fertilizantes cai 7% até julho
    Foto: Folha de S.Paulo

    A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Vista aérea do porto de Santos - Amanda Perobelli/Reuters · Amanda Perobelli/Reuters
    Vista aérea do porto de Santos - Amanda Perobelli/Reuters · Amanda Perobelli/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Após o recorde de 49,1 milhões de toneladas no ano passado, as vendas internas de fertilizantes devem recuar para 46,7 milhões neste ano, uma queda de 5%.

    Dificuldades na oferta mundial e preços elevados, devido a questões geopolíticas, forçam essa queda de consumo, segundo avaliação de Fábio Silveira, da consultoria MacroSector. O analista inclui ainda entre as causas da desaceleração do consumo a queda nas receitas do produtor neste ano.

    Na avaliação da consultoria, há uma relativa escassez de insumos e de produtos no mercado internacional, o que reflete também nos preços. Em junho, a tonelada de fertilizante custava 26% a mais do que há um ano, sendo negociada a US$ 441,4. Nos últimos 12 meses até junho, a alta acumulada foi de 5% em relação a igual período imediatamente anterior.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os dados mais recentes da Secex (Secretaria de Comércio Exterior ) indicam que as importações de fertilizantes caíram para 22,4 milhões de toneladas de janeiro a julho, 7,4% menos do que em igual período do ano anterior. Apesar dessa queda, os gastos com as compras externas subiram para US$ 8,8 bilhões, 7,3% a mais do que em 2025.

    Rússia e China continuam sendo os maiores fornecedores em volume. O Brasil foi buscar 4,9 milhões de toneladas nos sete primeiros meses deste ano no mercado russo e 4,1 milhões no chinês.

    O bloco do Oriente Médio, após o início da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, forneceu apenas 1,6 milhão de toneladas ao Brasil, um volume 16% inferior ao de março a julho do ano passado. Já a América do Norte elevou a oferta para 2,5 milhões, 20% a mais no período.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os dois maiores fornecedores do insumo para o Brasil pisaram no freio neste ano. Até julho, a Rússia exportou 28% menos, e a China, 20%. Já o Canadá elevou a oferta em 10% para os brasileiros, e Marrocos, em 27%. Turcomenistão, um país até então pouco participante do mercado brasileiro, foi um dos destaques deste ano, fornecendo 1,6 milhão de toneladas.

    Os dados da Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos) indicam uma entrega menor de adubo para os produtores. As empresas colocaram 15,5 milhões de toneladas de janeiro a maio no mercado, 2,2% menos do que em igual período de 2025.

    Líderes, Mato Grosso ficou com 3,9 milhões desse volume e Paraná com 1,75 milhão de toneladas. A produção interna de fertilizantes recuou para 2,4 milhões de toneladas nos cinco primeiros meses deste ano, 17% a menos do que 2025, segundo a Anda.

    A expectativa de queda no consumo interno de fertilizantes não se deve apenas a dificuldades de fornecimento no mercado externo e a preços altos, mas também à perda de renda do produtor brasileiro, o que o levará a usar menos insumo neste ano.

    Além de pagar mais pelo insumo, o produtor terá uma queda de 5,5% nas receitas, segundo a MacroSector. Após ter atingido R$ 1,09 bilhão no ano passado, as receitas com as lavouras vão recuar para R$ 1,03 bilhão neste ano, 5,5% menos.

    A soja será um dos poucos produtos entre os que vão render mais, devido à produção recorde, enquanto milho, laranja e cana, outros itens importantes na composição das receitas nacionais do setor, terão fortes quedas.

    As receitas com soja deverão atingir R$ 413 bilhões, com aumento de 4,7%. Já a do milho recua para R$ 154 bilhões, 12% a menos, e a de cana, para R$ 82,5 bilhões, 17% a menos. Segundo a MacroSector, a maior queda no setor será a da laranja, que terá receitas de R$ 49 bilhões, 34% menos neste ano.

    LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2026/08/com-precos-altos-importacao-de-fertilizantes-cai-7-ate-julho.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Vista aérea do porto de Santos - Amanda Perobelli/Reuters · Amanda Perobelli/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)