Com investimento de R$ 25 milhões empresa desenvolve estrutura inovadora para foguete brasileiro
Equipamento chamadao Poseidon utilizará peróxido de hidrogênio de alta concentração como oxidante, superando um gargalo tecnológico crítico para propulsão líquida no país

Novas tecnologias, que prometem expandir o acesso de foguetes brasileiros ao espaço através do domínio da propulsão líquida, são projetadas pela empresa Bizu, a partir de um financiamento de R$ 25 milhões conquistado na Seleção Pública Mais Inovação Rodada 2 – Base Industrial de Defesa, da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), empresa estatal.
Nomeada como ATLAS-HTP (High-Test Peroxide) , a estrutura será um estágio completo de um foguete, com todos os sistemas indispensáveis para uma viagem ao espaço .
O componente não é apenas um estágio, mas também é projetado para ser uma forma independente, como um OTV (Veículo de Transferência Orbital), que pode lançar satélites em altitudes e direções específicas em órbita.

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A ideia surgiu em 2023, quando a Bizu Space foi selecionada para ser fornecedora para o desenvolvimento do MLBR (Microlançador Brasileiro), projeto que era liderado pela Cenic Engenharia e com subvenção econômica da Finep.
No desenvolvimento do MLBR, a empresa ficou responsável pela atuação na parte de engenharia de sistemas , já que a empresa foi criada por engenheiros do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), além de desenvolver e testar o motor de propelente líquido para substituir o terceiro estágio do foguete, para deixá-lo mais eficiente e preciso.

O atual CEO da Bizu, Raphael Galate, explica que “na etapa anterior, o motor Arion foi testado em bancada, em condições controladas. Agora, além de criarmos um estágio completo, ele será validado para voar”. A empresa também está desenvolvendo uma turbobomba, uma tecnologia utilizada por programas espaciais internacionais para produção de foguetes que utilizam propulsão líquida.
No exterior, é comum que essa tecnologia utilize propelentes criogênicos, que empregam oxigênio líquido como oxidante, e requerem temperaturas muito baixas (até 180 graus Celsius abaixo de zero), ou propelentes à base de hidrazina, altamente tóxicos.
A turbobomba brasileira, chamada Poseidon, vai utilizar peróxido de hidrogênio de alta concentração como oxidante . Segundo a empresa, há um avanço significativo na utilização nacional dela, considerando que essa tecnologia é escassa no Brasil , considerada um gargalo para o uso da propulsão líquida em lançadores.

O financiamento também vai cobrir o desenvolvimento de uma concentradora de peróxido de hidrogênio em escala industrial e um catalisador. O Brasil tem a maior planta de produção de peróxido de hidrogênio da América Latina, mas a concentração máxima do produto é 60% e, para as aplicações espaciais, é necessário alcançar mais de 90% .
O catalisador é utilizado para decompor o peróxido de hidrogênio e viabilizar seu uso como sistema propulsivo e está sendo desenvolvido em parceria com a Universidade do Vale do Paraíba (Univap) dentro do LabCat.(Laboratório de Catálise Heterogênea).
Segundo o executivo, Arthur Bahdur, o projeto procura “reduzir dependências externas em tecnologias críticas e criar, no Brasil, uma cadeia capaz de desenvolver, fabricar, testar e operar sistemas espaciais de maior complexidade.”

A implementação do projeto é prevista para ter duração de seis meses e que os campos de testes estejam aptos a iniciar suas operações até o fim de 2027.
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Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/com-investimento-de-r-25-milhoes-empresa-desenvolve-estrutura-inovadora-para-foguete-brasileiro/.

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