Com elogios e 'piadas de tiozão', visita de Xi rende cenas inusitadas com Trump
O Donald Trump pré-candidato à Presidência em 2015 provavelmente não reconheceria a cena protagonizada pelo 47º presidente dos Estados Unidos mais de uma década depois -ele mesmo. Leia mais (09/25/2026 - 16h22)

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O Donald Trump pré-candidato à Presidência em 2015 provavelmente não reconheceria a cena protagonizada pelo 47º presidente dos Estados Unidos mais de uma década depois —ele mesmo.

Naquele ano, ao comentar uma visita de Xi Jinping a Washington durante o governo de Barack Obama, Trump ridicularizou a ideia de oferecer ao líder chinês um jantar de Estado . Disse que lhe daria "um hambúrguer do McDonald’s" e pediria que os dois "começassem a trabalhar".
De lá para cá, Trump passou pela Casa Branca, travou uma guerra comercial com Pequim , perdeu a eleição para Joe Biden , voltou ao poder e encontrou uma relação sino-americana ainda mais marcada pela competição —do comércio e das tarifas à inteligência artificial, aos semicondutores e às terras raras, área em que a dependência americana deu a Pequim uma importante fonte de pressão sobre Washington.
Onze anos depois daquela provocação, porém, Trump acabou oferecendo a Xi justamente aquilo que dizia dispensável : uma recepção de Estado cercada de pompa, honras militares e jantar na Casa Branca. E, contrariando também a promessa de 2015 de colocar os dois líderes imediatamente para "trabalhar", a visita terminou com poucos avanços concretos nas principais disputas entre os países.

Isso não significa que a rivalidade tenha desaparecido. Ao contrário, a visita ocorreu enquanto as duas maiores potências continuam disputando espaço em comércio, tecnologia e segurança e mantêm profundas divergências sobre Taiwan .
O tom cordial e, em alguns momentos, quase de veneração, apareceu desde a chegada. Depois de receber Xi pessoalmente em uma base militar de Maryland, Trump escreveu nas redes sociais que o líder chinês parecia "forte, vibrante e em forma —melhor do que nunca". Durante a visita, afirmou ainda que Estados Unidos e China "nunca se deram tão bem".
A visita de Estado de Xi teve muita cerimônia e poucos anúncios concretos, mas também rendeu cenas inusitadas e momentos de descontração. Um deles aconteceu logo na chegada a Maryland. Trump foi pessoalmente à pista receber o dirigente chinês e, durante a cerimônia, dois bombardeiros B-1B da Força Aérea americana passaram sobre a base. Com o estrondo das aeronaves, Trump se encolheu, apertou os olhos e fez uma careta, enquanto Xi, ao seu lado, permaneceu praticamente impassível.

No dia seguinte, já na Casa Branca, Trump levou Xi para um passeio pelo complexo presidencial e aproveitou para mostrar algumas das mudanças que fez no local. O republicano apresentou ao visitante as obras do novo salão de festas e outras reformas que têm sido uma marca de seu segundo mandato.
A cena que mais chamou atenção, porém, ocorreu diante da galeria dedicada aos presidentes americanos. Trump parou com Xi diante dos retratos de seus antecessores e mostrou o espaço reservado a Joe Biden. No lugar de uma fotografia do democrata, aparece a imagem de uma "autopen", uma caneta automática usada para reproduzir assinaturas.
Trump satiriza o antecessor democrata dizendo que ele não tinha mais condições físicas e mentais de ser presidente e, por isso, usaria a autopen para seu trabalho —a ferramenta foi amplamente utilizada por outros presidentes, inclusive pelo próprio Trump.

O líder chinês, conhecido pela postura formal em aparições públicas, reagiu com uma risada.
Os dois também protagonizaram momentos de maior informalidade ao longo da visita. Trump tocou diversas vezes no braço e nas costas de Xi durante as cerimônias, e o chinês chegou a retribuir o gesto em uma das interações. Esse tipo de contato físico é pouco habitual em encontros oficiais entre líderes de grandes potências.
Em outro momento do passeio pela Casa Branca, Trump mostrou a Xi uma fotografia dos dois juntos. Ao olhar para a imagem, o americano brincou: "Quem é esse? Não reconheço". Xi sorriu.
Ao fim da visita, Trump fez um balanço entusiasmado. Em uma mensagem publicada depois da partida de Xi, afirmou que a reunião havia sido marcada por "amizade, força e sucesso" para os dois países e disse que "muito já foi realizado e ainda será alcançado".
O republicano afirmou ainda que voltará a se encontrar com Xi em novembro, na China, por ocasião da cúpula da Apec, e depois em dezembro, durante o G20 em Miami.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/com-elogios-e-piadas-de-tiozao-visita-de-xi-rende-cenas-inusitadas-com-trump.shtml.

O presidente dos EUA, Donald Trump, faz careta após estrondo de caça na recepção ao dirigente da China, Xi Jinping, em Maryland - Brendan Smialowski - 23.set.26/AFP · Brendan Smialowski - 23.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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