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    Com El Niño, oceanos batem recorde de temperatura em julho

    Oceanos registraram um segundo mês consecutivo de temperatura recorde em julho, mostra relatório mensal do serviço Copernicus, da União Europeia , divulgado nesta segunda-feira (10). Segundo os cientistas, a marca histórica (20,96°C) já é um oferecimento do El Niño , fenômeno natural cíclico que promete intensificar as anomalias climáticas neste segundo semestre e em 2027. Leia mais (08/09/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    10 de agosto de 2026 às 02:00
    Com El Niño, oceanos batem recorde de temperatura em julho
    Fumaça densa cobre área de floresta com árvores altas e finas. Pequenas chamas ainda queimam no chão coberto por vegetação seca e galhos. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Oceanos registraram um segundo mês consecutivo de temperatura recorde em julho, mostra relatório mensal do serviço Copernicus, da União Europeia , divulgado nesta segunda-feira (10). Segundo os cientistas, a marca histórica (20,96°C) já é um oferecimento do El Niño , fenômeno natural cíclico que promete intensificar as anomalias climáticas neste segundo semestre e em 2027.

    Fumaça em floresta queimada na região de Saint-Jean d'Illac, próximo a Bordeaux, na França, afetada por falta de água e onda de calor, neste domingo (9) - Nicolas Economou/Reuters · Nicolas Economou/Reuters
    Fumaça em floresta queimada na região de Saint-Jean d'Illac, próximo a Bordeaux, na França, afetada por falta de água e onda de calor, neste domingo (9) - Nicolas Economou/Reuters · Nicolas Economou/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Julho, marcado por ondas de calor e incêndios florestais em diversos pontos do hemisfério norte , notadamente no Canadá e na Europa Ocidental, registrou temperaturas excepcionais em grande parte do Pacífico tropical, onde as condições do El Niño se desenvolvem.

    Em torno da Europa, os registros recordes na superfície dos oceanos se associaram a ondas de calor marítimo intensas no Atlântico e no Mediterrâneo, afetando diretamente as populações costeiras e os ecossistemas da região.

    O calor atmosférico no oeste do continente alcançou 21,62°C, ou 2,79° acima da média de referência, superando o recorde de 2022. Na Inglaterra , Irlanda , Espanha e França o verão tem sido excepcionalmente quente. Segundo o serviço meteorológico francês, julho foi o mês mais quente já registrado no país desde 1900 , quando as medições começaram.

    Coração é desenhado com corrente de navio encontrada na margem do rio Elba, em Dresden, na Alemanha, neste domingo (9); rios do país registram níveis críticos devido às ondas de calor e a seca desta temporada - Jens Schlütter/AFP · Jens Sch
    Coração é desenhado com corrente de navio encontrada na margem do rio Elba, em Dresden, na Alemanha, neste domingo (9); rios do país registram níveis críticos devido às ondas de calor e a seca desta temporada - Jens Schlütter/AFP · Jens Sch — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A região também registra uma seca recorde, que se estende por Itália, Suíça e Alemanha , entre outros.

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    Grandes rios, como o Sena, o Reno e o Danúbio, estão com níveis historicamente baixos, prejudicando a navegação, a agricultura e o preço do frete de itens essenciais, como alimentos, combustíveis e energia. Dragas na Alemanha estão transportando apenas 20% da carga normal, e o governo federal pediu aos estados que suspendam temporariamente as restrições ao tráfego de caminhões em fins de semana e horários de pico.

    Quatro pessoas, incluindo duas crianças, caminham próximas à margem arenosa de um rio. Um círculo grande está desenhado na areia próxima a elas. A água do rio reflete o céu e há vegetação rala na margem.
    Quatro pessoas, incluindo duas crianças, caminham próximas à margem arenosa de um rio. Um círculo grande está desenhado na areia próxima a elas. A água do rio reflete o céu e há vegetação rala na margem. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo estudo do World Weather Attribution (WWA), capitaneado por cientistas do Imperial College, de Londres, a onda de calor de junho foi a mais severa da história do continente . As altas temperaturas registradas em diversos pontos da Europa seriam impossíveis de ocorrer há 50 anos, mostrou a pesquisa.

    A mudança climática , provocada sobretudo pela queima de petróleo , carvão e gás, é o principal motor das ondas de calor. A Europa, por sua vez, é o continente que mais rapidamente aquece, também em função do comportamento anômalo dos oceanos.

    "As mudanças climáticas estão cada vez mais trazendo condições de calor e seca favoráveis a incêndios florestais de grande porte e alta intensidade no sul da Europa", diz Laurence Rouil, diretora do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF, na sigla em inglês).

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Incêndios de maior porte produzem mais fumaça, que alcança altitudes mais elevadas na atmosfera. Isso significa que ela pode se espalhar por distâncias maiores e afetar a qualidade do ar não apenas localmente, mas em toda a região", afirma Rouil, acrescentando um novo item à lista de problemas enfrentados pela Europa nesta temporada.

    Em termos globais, julho de 2026 igualou estatisticamente a segunda maior marca para o período , registrada em 2024 —o recorde permanece com 2023. Em números, o valor foi de 16,9°C, ou 1,47°C acima da média estimada para o período pré-industrial (1850-1900).

    O limite de aquecimento 1,5°C, acordado pelos países signatários do Acordo de Paris , em 2015, pode ser superado ainda nesta década, afirmam os cientistas.

    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga
    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Fora da Europa, o Copernicus chama a atenção para condições de seca maiores do que o habitual no norte do Canadá, centro dos EUA, interior da China e, na América do Sul, em partes de Argentina, Uruguai e Bolívia.

    Sobre o Brasil, o relatório nota umidade maior do que a média no sul do país. Tempestades e tornados marcam este mês de agosto no Rio Grande do Sul, o que meteorologistas já percebem como uma influência do El Niño no clima da região .

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/08/com-el-nino-oceanos-batem-recorde-de-temperatura-em-julho.shtml.

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    Fumaça em floresta queimada na região de Saint-Jean d'Illac, próximo a Bordeaux, na França, afetada por falta de água e onda de calor, neste domingo (9) - Nicolas Economou/Reuters · Nicolas Economou/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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