Brasil

    Com El Niño, dia mais quente da história em oceanos é registrado pelo Copernicus

    O dia mais quente da história nos oceanos foi registrado no sábado (22), superando o recorde anterior, estabelecido em março de 2024. Segundo o serviço Copernicus, da União Europeia , que monitora a mudança climática no planeta, a temperatura da superfície dos oceanos (SST, na sigla em inglês), alcançou 21,1°C, acima dos 21,09°C de há dois anos. Leia mais (08/24/2026 - 13h10)

    Folha de S.Paulo
    24 de agosto de 2026 às 16:10
    Com El Niño, dia mais quente da história em oceanos é registrado pelo Copernicus
    Nuvem densa de fumaça cinza escuro se eleva sobre uma extensa área verde de floresta próxima à costa. À direita, há uma faixa costeira com construções residenciais e o mar com várias embarcações visíveis. O céu está claro com poucas nuvens. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O dia mais quente da história nos oceanos foi registrado no sábado (22), superando o recorde anterior, estabelecido em março de 2024. Segundo o serviço Copernicus, da União Europeia , que monitora a mudança climática no planeta, a temperatura da superfície dos oceanos (SST, na sigla em inglês), alcançou 21,1°C, acima dos 21,09°C de há dois anos.

    Incêndio florestal em ação na região de Cap-Ferret, no litoral atlântico da França, em julho - Romain Perrocheau - 24.jul.26/AFP · Romain Perrocheau - 24.jul.26/AFP
    Incêndio florestal em ação na região de Cap-Ferret, no litoral atlântico da França, em julho - Romain Perrocheau - 24.jul.26/AFP · Romain Perrocheau - 24.jul.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É o maior registro desde 1979, quando o conjunto de dados do Copernicus, o ERA5, que existe desde 1940, se tornou mais confiável no âmbito da SST devido ao advento dos satélites.

    Segundo os técnicos da instituição, a marca ocorre em linha com o aquecimento de longo prazo dos oceanos e a emergência do El Niño , fenômeno natural cíclico que promete intensificar as anomalias climáticas neste segundo semestre e em 2027.

    "Os oceanos estão sob um estresse cada vez maior. O El Niño está adicionando calor ao sistema, e isso ocorre em um contexto de décadas de aquecimento causado pelo homem", afirma Samantha Burgess, coordenadora do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF, na sigla em inglês).

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "As consequências já são visíveis: o número de dias de ondas de calor marítimo em todo o mundo mais do que triplicou desde o início da década de 1990, exercendo pressão cada vez maior sobre os ecossistemas marinhos e as comunidades que dependem deles."

    O aquecimento dos oceanos é também um importante vetor na ocorrência de eventos climáticos extremos . Águas mais quentes transferem calor e umidade para a atmosfera, fatores que elevam a chance, assim como a potência, de temporais.

    Outro efeito deletério de oceanos aquecidos é a diminuição da capacidade de absorção do dióxido de carbono. O sistema é um dos maiores sumidouros de gases de efeito estufa do planeta, absorvendo cerca de 25% das emissões provocadas pela atividade humana, sobretudo pela queima de petróleo , carvão e gás natural.

    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga
    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A marca de sábado chama a atenção pelo momento de sua ocorrência. Em geral, recordes globais de SST são registrados de março a abril, no fim do verão do hemisfério sul. Os meses de junho e julho, de qualquer forma, já tinham sido os mais quentes já registrados nos mares em parte devido ao desenvolvimento do El Niño na porção tropical do Pacífico.

    As estimativas do Copernicus não são diferentes das de outras instituições, sugerindo que o fenômeno "poderá atingir níveis não vistos há várias décadas".

    A promessa de um El Niño histórico é precedida por um 2026 já recheado de eventos extremos e desastres correspondentes. Entre outros, uma série inédita de ondas de calor na Europa , com seca e baixo nível de reservatórios e rios; incêndios florestais na porção ocidental do continente, no Canadá e na Indonésia; chuvas intensas na América do Sul e na Ásia.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/08/com-el-nino-dia-mais-quente-da-historia-em-oceanos-e-registrado-pelo-copernicus.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Incêndio florestal em ação na região de Cap-Ferret, no litoral atlântico da França, em julho - Romain Perrocheau - 24.jul.26/AFP · Romain Perrocheau - 24.jul.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)