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    Com dívida de R$ 17,3 bi, Grupo Casas Bahia pede recuperação judicial

    O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais na Justiça de São Paulo no final da noite deste domingo (16), e declarou uma dívida de R$ 17,3 bilhões. Leia mais (08/17/2026 - 07h24)

    Folha de S.Paulo
    17 de agosto de 2026 às 10:24
    Com dívida de R$ 17,3 bi, Grupo Casas Bahia pede recuperação judicial
    Homem e mulher analisam cafeteira em loja com várias prateleiras cheias de eletrodomésticos e etiquetas de preços visíveis, incluindo uma placa amarela com preço R$ 249,00. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais na Justiça de São Paulo no final da noite deste domingo (16), e declarou uma dívida de R$ 17,3 bilhões.

    Clientes em megaloja da Casas Bahia durante preparativos para a Black Friday de 2025 - Felipe Iruatã - 27.nov.25/Folhapress · Felipe Iruatã - 27.nov.25/Folhapress
    Clientes em megaloja da Casas Bahia durante preparativos para a Black Friday de 2025 - Felipe Iruatã - 27.nov.25/Folhapress · Felipe Iruatã - 27.nov.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O pedido engloba dez empresas da holding, entre elas a dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o e-commerce Extra.com e a fabricante de móveis Bartira, além de subsidiárias de logística e tecnologia.

    O grupo informa no pedido a demissão de cerca de 3.000 funcionários , de 30.117 colaboradores que possui, e o fechamento de quase 300 lojas —segundo o documento, a Casas Bahia possui mais de 700 lojas físicas, e o Ponto Frio, mais de 65.

    A petição vem cerca de dois anos após a varejista homologar uma recuperação extrajudicial que reestruturou R$ 4,8 bilhões em dívidas financeiras em abril de 2024 , da qual saiu três meses depois.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No documento enviado à Justiça, a companhia aponta que a crise está relacionada aos pesados investimentos em tecnologia, logística e lojas digitais iniciados em 2019, somados aos choques da pandemia, que paralisaram as lojas físicas.

    Segundo a petição, embora o plano de digitalização tenha começado quando a Selic estava na mínima histórica de 2% ao ano, entre o final de 2020 e o início de 2021, o salto do juros até o patamar de 15% ao ano desorganizou a estrutura financeira da companhia.

    Ainda de acordo com o pedido de recuperação judicial , o modelo da varejista é altamente dependente de capital de giro, financiamento a estoques, operações de risco sacado com fornecedores e do crédito direto ao consumidor.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com a escalada dos juros e da inflação , houve encarecimento do crédito, compressão da renda das famílias de menor poder aquisitivo e avanço da inadimplência nos carnês e cartões, além de um aumento expressivo da concorrência de plataformas digitais, diz a petição.

    O documento aponta que que as iniciativas do chamado Plano de Transformação, iniciado em 2023 com corte de despesas, redução de estoques e fechamento de 55 lojas deficitárias, geraram alívio apenas pontual.

    Na petição inicial, a Casas Bahia solicita uma série de medidas de urgência para evitar a paralisação imediata das operações.

    A maior preocupação do grupo reside no risco de vencimento antecipado de mais de R$ 10 bilhões em contratos financeiros e comerciais. A empresa afirma que, caso os bancos retenham as garantias de cartão de crédito e Pix, até 60% da entrada mensal de caixa seria drenada imediatamente, inviabilizando o negócio.

    A rede pede a suspensão imediata de execuções por 180 dias, vedação ao vencimento antecipado de contratos comerciais e manutenção do fluxo regular de recebíveis, impedindo retenções por parte de bancos credores.

    Pede também a obrigatoriedade da entrega de mercadorias já compradas que estejam em trânsito com fornecedores e a liberação de mais de R$ 750 milhões em depósitos de recursos trabalhistas feitos em ações anteriores ao pedido para reforçar o caixa operacional.

    Neste domingo , a rede anunciou um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre, ante perda de R$ 555 milhões em igual período do ano passado. Com isso, o patrimônio líquido da Casas Bahia está negativo em R$ 8,1 bilhões. Isso significa que, se a varejista vender tudo aquilo que possui em bens e direitos a receber, ainda faltarão bilhões para pagar credores.

    O valor de mercado da varejista em Bolsa é de R$ 660 milhões. A Casas Bahia não é mais controlada pela família Klein. Hoje a empresa possui como acionista de referência a gestora Mapa Capital, que assumiu 85,5% do capital da companhia em agosto do ano passado.

    Com o prejuízo informado neste domingo, a Casas Bahia registra o seu oitavo trimestre seguido de perdas.

    Desde a última vez que reportou lucro, no segundo trimestre de 2024, mesmo período em que entrou em recuperação extrajudicial, a varejista acumula resultados negativos que foram aumentando de tamanho.

    Se entre o terceiro trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025 a companhia apresentava prejuízos de centenas de milhões de reais, o rombo escalou e ultrapassou R$ 1 bilhão nos períodos que se seguiram, escancarando a crise financeira da empresa.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/casas-bahia-entra-com-pedido-de-recuperacao-judicial.shtml.

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    Clientes em megaloja da Casas Bahia durante preparativos para a Black Friday de 2025 - Felipe Iruatã - 27.nov.25/Folhapress · Felipe Iruatã - 27.nov.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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