Com bloqueios, exportações brasileiras de carnes caem 15%
As amarras colocadas pela China e pela União Europeia às exportações brasileiras de carnes tiveram impacto no mês de setembro. As receitas com as exportações das três principais proteínas -bovina, suína e de frango- caíram 15%, em relação a igual período de 2025. O volume exportado foi 12% inferior.

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

As amarras colocadas pela China e pela União Europeia às exportações brasileiras de carnes tiveram impacto no mês de setembro. As receitas com as exportações das três principais proteínas —bovina, suína e de frango— caíram 15%, em relação a igual período de 2025. O volume exportado foi 12% inferior.
Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha
Apesar dessa retração, as carnes, o segundo item de peso na balança comercial do agronegócio, atrás apenas da soja , renderam US$ 25,6 bilhões de janeiro a setembro, 15% a mais do que em igual período anterior. O volume total das exportações subiu para 8 milhões de toneladas, 8,1% a mais.

O ritmo das vendas externas brasileiras foi acelerado no final do primeiro semestre, devido à antecipação de compras pelos mercados da China e da União Europeia. No caso chinês, os importadores quiseram se livrar da taxa extra de 55% que seria cobrada sobre a carne bovina brasileira após o preenchimento da cota de 1,1 milhão de toneladas. No europeus, as barreiras começaram após 2 de setembro.
A queda de vendas ocorre principalmente na carne bovina. Após ter atingido US$ 1,9 bilhão em setembro de 2025, as receitas do mês passado recuaram para US$ 1,38 bilhão, 28% a menos. De julho a setembro, período em que as exportações deste ano estão inferiores às de igual trimestre de 2025, o volume financeiro na carne bovina é 25% inferior.
No mês passado, quando ocorreu o esgotamento da cota da China liberada para o Brasil sem o pagamento de taxa extra, as vendas de carne bovina recuaram 93% em volume, em relação a setembro de 2025. Em comparação a agosto, o recuo foi de 32%.
Os chineses, que vinham sendo os líderes na lista de importação da proteína brasileira, adquiriram apenas 12,9 mil toneladas em setembro, caindo para a sexta posição, segundo dados da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras). As exportações para a União Europeia, que também impôs barreiras à carne brasileira, recuaram 15% no mês passado, em relação a agosto, mas ainda foram 30% superiores às de setembro de 2025.
O Brasil perdeu mercado na China e na União Europeia, mas ganhou nos Estados Unidos, que passaram a liderar as importações brasileiras. Juntas, China e União Europeia compraram 9.452 toneladas a menos de carne bovina do Brasil no mês passado, mas os Estados Unidos aumentaram as compras em 13,1 mil, somando 48,3 mil no mês. A queda de 41% nas compras da Rússia contribuiu também para uma desaceleração maior em setembro.
Com o desempenho negativo das vendas nos últimos três meses, o Brasil tem o primeiro recuo no volume acumulado de carne bovina exportada. De janeiro a setembro, foram 2,43 milhões de toneladas, 0,5% abaixo do volume de igual período ano passado.
Já as receitas, devido ao aumento dos preços no mercado internacional, continuam crescendo. Neste ano, o país arrecadou US$ 14,2 bilhões, 14% a mais do que em 2025. Durante todo o ano passado, foram US$ 25 bilhões.
A exportação de carne de frango manteve ritmo forte , somando 500 mil toneladas em setembro, apesar de também sofrer barreiras na União Europeia. Os países desse bloco importaram 43 mil toneladas, produto que foi liberado antes de o embargo começar, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).
A exportação de carne suína foi de 134 mil toneladas, abaixo das 150 mil de setembro de 2025, mas ainda dentro da média mensal deste ano. A Ásia comprou 26% a menos, influenciada pelas importações menores das Filipinas, China e Vietnã. Já Japão, Coreia do Sul e Malásia elevaram o volume de compras em setembro.
Os dados acumulados deste ano indicam que as receitas com a carne bovina somam US$ 14,2 bilhões, 14% a mais do que no período de janeiro a setembro de 2025. O frango rendeu US$ 8,7 bilhões, 21% a mais, e a carne suína, US$ 2,7 bilhões, 1% a mais.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Na página Colunas da Folha você encontra opinião e crônicas de colunistas como Mônica Bergamo , Elio Gaspari , Djamila Ribeiro , Tati Bernardi , Dora Kramer , Ruy Castro , Muniz Sodré , Txai Suruí , José Simão , Thiago Amparo , Antonio Prata e muito mais.
Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2026/10/com-bloqueios-exportacoes-brasileiras-de-carnes-caem-15.shtml.

Gado pastando em fazenda de Miranda (MS) - Eduardo Knapp - 17.nov.23/Folhapress · Eduardo Knapp - 17.nov.23/Folhapress — Foto: UOL
Compartilhe
Espalhe essa notícia

