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    Com a volta de 'Túmulo dos Vagalumes', veja outros filmes para chorar sem dó

    Produção dolorosa de Isao Takahata lembra que, no cinema, a beleza e a dor podem emocionar tanto quanto o melodrama

    UOL
    21 de agosto de 2026 às 03:00
    Com a volta de 'Túmulo dos Vagalumes', veja outros filmes para chorar sem dó
    Soldado em uniforme marrom claro e boné conversa com criança de cabelo curto rosa sentada ao seu lado em banco de madeira, em ambiente escuro com vegetação ao fundo. — Foto: UOL

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    Cena do filme 'Túmulo dos Vagalumes', de Isao Takahata - Divulgação · Divulgação
    Cena do filme 'Túmulo dos Vagalumes', de Isao Takahata - Divulgação · Divulgação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Um guia com dicas de filmes e séries para assistir no streaming

    Quando adultos, vagalumes vivem apenas de duas a quatro semanas. Numa noite, podem ser a alegria de uma garotinha e, na manhã seguinte, estarem mortos. A vida é breve, e o mundo pode abreviá-la ainda mais, nos lembra "Túmulo dos Vagalumes" . E faz isso de uma forma tão cruel e sensível que muitos talvez não queiram encarar isso mais de uma vez.

    Se estiver disposto, contudo, o espectador poderá, a partir desta quinta (20), ver a animação de guerra de Isao Takahata, de 1988, nos cinemas, num relançamento em salas Cinemark . Para os mais sensíveis, também dá para ver na Netflix, pausando um pouco para respirar entre as fungadas. Não convém adiantar muito; basta dizer que é um retrato do horror pelos olhos de duas crianças. Em todo caso, não esqueça os lenços.

    O cineasta Eduardo Coutinho
    O cineasta Eduardo Coutinho — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Mas nem só de tristeza se faz o vale de lágrimas. Chorar diante da beleza, do amor ou da dignidade pode ser tão catártico quanto chorar tragédias. No cinema , vêm logo à cabeça títulos como "As Pontes de Madison" , "A Lista de Schindler", "Cinema Paradiso" , "A Vida É Bela" e tantos outros. Nisso, vale sair do que seria óbvio e sugerir algumas pérolas com sensibilidades bem distintas.

    Prepara o lencinho e veja seis produções para chorar sem dó.

    Gran Torino (2008) Netflix, Prime Video, HBO Max e lojas digitais, 116 min.

    Filme 'O Conto da Princesa Kaguya'
    Filme 'O Conto da Princesa Kaguya' — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Clint Eastwood nunca se furtou à emoção, mas o título de um de seus últimos filmes resume bem o tom de uma parte de sua obra: "Cry Macho" . Pois o arco de redenção de Walt Kowalski, um veterano da Guerra da Coreia que aprende a respeitar e amar paternalmente um jovem vizinho de origem asiática, culmina numa daquelas cenas que nos faz "chorar como homem".

    Sem sentimentalismos, Eastwood estrela e dirige um filme preciso e econômico, tão emocionante quanto "Menina de Ouro" ou "Sobre Meninos e Lobos".

    A Era do Rádio (1987) Radio Days. Canal MGM+ no Prime Video, 89 min.

    Imagens da série Galera FC
    Imagens da série Galera FC — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Até quando seremos lembrados? A pergunta que ronda essa melancólica comédia de Woody Allen se dirige mais aos grandes artistas de cada tempo —aqui, em particular, à charmosa época dos microfones de fita, das revistas de celebridades e festas regadas a espumante em taças coupe.

    Mas é também uma pergunta para nós, espectadores, diante desse arco de reminiscências de uma família judia nova-iorquina e de fofocas das estrelas entre meados dos anos 1930 até o Ano-Novo de 1944. Perfeito filme para sentir a nostalgia do que não se viveu, e com direito a Carmen Miranda na trilha sonora.

    Eduardo Coutinho dizia que a voz humana era o instrumento musical mais belo. Não à toa, seus documentários não raro têm cenas em que seus entrevistados cantam, à capela ou num fundo musical, vide "Edifício Master", "Babilônia 2000" e "Boca de Lixo".

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Pois aqui o mestre traz uma sucessão de 18 figuras que contam uma história pessoal —de amor, de perda, de renascimento, de remorso etc.— e depois cantam uma música marcante. Por vezes, a própria narrativa pessoal será suprimida para destacar a canção. É um filme, enfim, sobre os "detalhes tão pequenos" de nós todos, brasileiros, e da força da cultura popular.

    Pais e Filhos (2013) Soshite Chichi ni Naru. Reserva Imovision e no canal Telecine no Prime Video, 120 min.

    Hirokazu Koreeda é um dos especialistas em tramas sobre histórias de família —no geral, disfuncionais em algum ponto sensível. Aqui, um arquiteto bem-sucedido e um tanto frio descobre que seu filho de seis anos foi trocado na maternidade e, na verdade, seu filho biológico está com um casal mais pobre.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Mas, numa idade dessas, quem já é ou não pai e filho de quem? Vale mais a criação ou o sangue? São perguntas centrais nesse melodrama que vai além das questões sociais no Japão moderno.

    Ladrões de Bicicleta (1948) Ladri di Biciclette. Belas Artes à la Carte e Oldflix, 89 min.

    Falando em melodramas, questões sociais e pais e filhos, o filme de Vittorio De Sica é talvez o mais choroso e popular dos filmes do neorrealismo italiano , ainda que tantos outros do período sejam igualmente capazes de nos levar às lágrimas —"Alemanha Ano Zero", "Roma, Cidade Aberta".

    Nas ruínas de Roma, no pós-Guerra, um pai desempregado vaga pela cidade com seu filho pequeno e, enfim, consegue trabalho colando cartazes pela cidade. A família vende itens pessoais para que o protagonista resgate uma bicicleta penhorada, até que ela é roubada na rua e, mais uma vez, o desespero ataca, agora com ânsia de justiça.

    O Conto da Princesa Kaguya (2013) Kaguya-hime no Monogatari. Netflix, 137 min.

    Isao Takahata pode ser menos lembrado que Hayao Miyazaki quando se fala em Studio Ghibli . É uma injustiça, como provam os cinco filmes que dirigiu lá. Este é o último deles, finalizado cinco anos antes de sua morte e lançado simultaneamente com "Vidas ao Vento", de Miyazaki , igualmente emocionante.

    Num visual único e cuidadoso, que honra as tradições da pintura japonesa, o cineasta reconta essa lenda do século 10, considerada a história popular mais antiga do país. Um velho camponês sem filhos encontra uma garotinha, do tamanho do seu polegar, no caule de um bambu brilhante.

    Ao lado da mulher, também idosa, ele cria essa menina que cresce rapidamente começa a encontrar ouro em caules de bambu. O casal enriquece, Kaguya cresce e se torna uma mulher linda, que será cobiçada por príncipes e depois pelo próprio imperador do Japão.

    Aos poucos, conforme descobrimos a natureza celestial da princesa, os sentimentos ficam à flor da pele até o desfecho inevitável. Uma ode à alegria e à dor.

    As novidades nas principais plataformas de streaming

    Adults. Segunda temporada, 8 episódios. Estreia em 27 de agosto. Samir (Malik Elassal), Billie (Lucy Freyer), Paul (Jack Innanen), Issa (Amita Rao) e Anton (Owen Thiele) enfrentam novos desafios da vida adulta, entre trabalho, família, relacionamentos e amizade, sempre encontrando maneiras criativas e, muitas vezes, desastrosas de lidar com os problemas.

    Revenge, 108 min. Estreia na Mubi no dia 26 de agosto.

    Filme com muitos momentos de violência é de Coralie Fargeat, diretora de "A Substância" (2024), e acompanha Jen (Matilda Lutz), que é abandonada para morrer e, ao sobreviver, busca vingança.

    Segunda temporada, oito episódios. Estreia em 21 de agosto na HBO Max.

    Na nova temporada da sitcom nacional, Elton Jr. (Maicon Rodrigues) retorna ao Brasil, mas processo movido por ex-clube europeu o impede de jogar e agrava sua crise financeira.

    Stillwater. Quinta temporada, 5 episódios. Chega na Apple TV em 21 de agosto.

    A animação acompanha os três irmãos Karl (Judah Mackey), Addy (Eva Ariel Binder) e Michael (Tucker Chandler), que contam com a ajuda do vizinho panda Sereno (James Sie) em seus desafios diários.

    In the Gray, 98 min. Estreia dia 21 de agosto no Prime Video

    Henry Cavill e Jake Gyllenhaal estrelam esse filme como uma dupla de agentes de elite contratados para recuperar uma fortuna bilionária.

    Estreia dia 25 de agosto no streaming Universal+ , 80 min.

    A produção é sobre a cantora Elis Regina, baseada no livro de João Marcello Bôscoli, que narra sua convivência com a mãe até os 11 anos de idade, quando ela morreu.

    Uma dica de filme ou série que sairá em breve das plataformas de streaming

    The Northman. Disponível na Netflix até dia 27 de agosto, 137 min.

    Com elenco de peso, Alexander Skarsgård, Nicole Kidman e Anya Taylor-Joy, filme de Robert Eggers, de "A Bruxa" e "O Farol", é um banho de sangue que recria a atmosfera do mundo viking, retratando a Islândia de mais de mil anos atrás.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/com-a-volta-de-tumulo-dos-vagalumes-veja-outros-filmes-para-chorar-sem-do.shtml.

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    Cena do filme 'Túmulo dos Vagalumes', de Isao Takahata - Divulgação · Divulgação — Foto: UOL

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