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    Com a Bíblia aberta, Eduardo Paes mira primeiro turno

    Em 2024, ao ser eleito prefeito do Rio pela quarta vez, Eduardo Paes disse que iria concluir o mandato, mas não descartava a candidatura ao governo estadual dali a dois anos. Uma mágica simples: seu pupilo Eduardo Cavaliere assumiria; na prática, ele continuaria no cargo, tendo a máquina municipal a seu dispor. Leia mais (08/17/2026 - 11h57)

    Folha de S.Paulo
    17 de agosto de 2026 às 14:57
    Com a Bíblia aberta, Eduardo Paes mira primeiro turno
    Terreno em processo de construção com máquinas e áreas de terra removida, cercado por vegetação e árvores. Ao fundo, rodovia com veículos e área urbana distante sob céu claro. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, atuou como repórter e editor. É autor de "Dicionário Amoroso do Rio de Janeiro"

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    Vista aérea das obras do futuro parque Terra Prometida, no bairro de Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro - Eduardo Anizelli/Folhapress · Eduardo Anizelli/Folhapress
    Vista aérea das obras do futuro parque Terra Prometida, no bairro de Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro - Eduardo Anizelli/Folhapress · Eduardo Anizelli/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em 2024, ao ser eleito prefeito do Rio pela quarta vez, Eduardo Paes disse que iria concluir o mandato, mas não descartava a candidatura ao governo estadual dali a dois anos. Uma mágica simples: seu pupilo Eduardo Cavaliere assumiria; na prática, ele continuaria no cargo, tendo a máquina municipal a seu dispor.

    Em 2018, encaixotado pela onda bolsonarista, Paes perdeu a eleição estadual para Wilson "Atirar na Cabecinha" Witzel em cima do laço, depois de liderar as pesquisas durante toda a campanha. O Palácio Guanabara nunca mais lhe saiu da cabeça.

    Tanto que, ainda em 2024, lançou a pedra fundamental de sua candidatura ao dizer que o Parque das Crianças, inaugurado em 2004 na gestão Cesar Maia –com cinema, teatro, biblioteca e até um planetário – estava abandonado. Se estava era culpa dele mesmo, que, como prefeito, descuidou do espaço durante 14 anos. A desculpa foi usada para que nascesse o projeto da Terra Prometida , um mimo político ao segmento dos eleitores evangélicos, que no Rio de Janeiro chega a quase 40% da população.

    Condomínio evangélico quer 'trazer Israel para dentro do Brasil'
    Condomínio evangélico quer 'trazer Israel para dentro do Brasil' — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em construção em Santa Cruz, na zona oeste da capital, ao custo estimado de R$ 190 milhões, a Terra Prometida anuncia um parque que parece ter sido projetado por um carnavalesco esperto e delirante, que leu o Pentateuco com olhos de Joãosinho Trinta.

    Entre as atrações haverá percursos inspirados no Jardim do Éden, nos Dez Mandamentos e no Caminho do Mar Vermelho (este com a experiência de "andar sobre as águas", misturando Velho e Novo Testamento). Numa esplanada com capacidade para 70 mil pessoas, o visitante poderá fazer orações nos montes das Oliveiras, Sinai e Sião –um contraponto a Oscar Niemeyer, que planejou a Apoteose no Sambódromo.

    Com a indefinição da candidatura Garotinho e o isolamento da extrema direita envolvida com o crime organizado (o senador Romário acaba de formalizar a desfiliação do PL, em apoio a Paes), o ex-prefeito vive a perspectiva de vencer no primeiro turno. Para conseguir a façanha, terá de avançar com a Bíblia aberta.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/alvaro-costa-e-silva/2026/08/com-a-biblia-aberta-eduardo-paes-mira-primeiro-turno.shtml.

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