Brasil

    Com a ajuda dos EUA, Colômbia dá guinada na segurança

    Presidente Abelardo de la Espriella aposta na força contra grupos armados após fracasso de diálogo sob Petro

    UOL
    12 de setembro de 2026 às 19:00
    Com a ajuda dos EUA, Colômbia dá guinada na segurança
    Dois homens de terno, um com barba e outro com cabelo curto, se abraçam sorrindo. Ao fundo, uma bandeira dos Estados Unidos estilizada com estrelas e listras em cores vibrantes. — Foto: UOL

    Historiadora e jornalista especializada em América Latina, foi correspondente da Folha em Londres e em Buenos Aires

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    O presidente da Colômbia, Aberlardo de la Espriella (esq.), ao lado do secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante cerimônia em Barranquilla - Fernando Vergara - 8.set.26/pool via Reuters · Fernando Vergara - 8.set.26/pool via Reut
    O presidente da Colômbia, Aberlardo de la Espriella (esq.), ao lado do secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante cerimônia em Barranquilla - Fernando Vergara - 8.set.26/pool via Reuters · Fernando Vergara - 8.set.26/pool via Reut — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Uma cela ou uma sepultura ." A frase do presidente colombiano Abelardo de la Espriella dedicada a descrever o que espera dar a narcotraficantes resume a guinada que o país vive na segurança. Ao lado do secretário de Estado americano, Marco Rubio , na última semana, ele prometeu fumigar plantações de coca, perseguir laboratórios e chefes do narcotráfico e pediu apoio dos Estados Unidos para seu Plan Patriota Siglo 21, que prevê modernizar aviões, radares, drones e sistemas de inteligência.

    De la Espriella foi eleito prometendo mão de ferro num país em que grupos armados cresceram durante o governo de Gustavo Petro e a situação de segurança se deteriorou. Em 2025, segundo a Cruz Vermelha, a Colômbia viveu as piores consequências humanitárias do conflito armado em uma década. O Clan del Golfo chegou a mais de 10 mil integrantes; o ELN, a mais de 7 mil. Os homicídios permaneceram em patamares altos. Há, portanto, razões para que a promessa de recuperar o controle do território encontre respaldo entre os colombianos.

    Mas a coincidência do calendário recomenda cautela diante da falsa escolha entre negociação e força. Neste mês completam-se dez anos da assinatura do acordo de paz entre o governo de Juan Manuel Santos e as Farc , em Cartagena.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Santos não era um pacifista alheio às armas. Como ministro da Defesa de Álvaro Uribe, comandou a ofensiva que enfraqueceu militarmente a guerrilha. Como presidente, concluiu que a vantagem obtida no campo de batalha poderia ser transformada numa negociação capaz de encerrar um conflito de mais de meio século.

    O acordo de 2016 teve problemas de implementação, mas não fracassou. A maioria dos ex-combatentes incorporados ao programa de reintegração permanece nele. O pacto também criou instrumentos que transformaram a maneira como a Colômbia enfrenta os crimes.

    A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo

    Já a Paz Total de Petro foi uma experiência diferente. Seu governo tentou ampliar a negociação simultaneamente a guerrilhas, dissidências das Farc e grupos criminosos. Muitas dessas mesas produziram poucos resultados enquanto algumas das organizações se fortaleciam. De la Espriella começou seu mandato fechando vários desses diálogos, reativando ordens de prisão e extradições e retomando ofensivas militares.

    É tentador, portanto, descrever a mudança como o abandono da paz em favor da guerra. A história colombiana mostra algo mais complexo: força e negociação não são necessariamente políticas opostas, mas instrumentos cujos resultados dependem de como, quando e contra quem são empregados.

    A experiência de Uribe também serve de advertência. Sua política de Segurança Democrática e a cooperação com Washington produziram resultados importantes: homicídios e sequestros caíram, o Estado recuperou territórios e as Farc foram enfraquecidas. Mas nem a mão dura nem os bilhões de dólares do Plan Colombia derrotaram o narcotráfico. Sua política também deixou um legado de graves violações de direitos humanos.

    A experiência da Colômbia demonstra que o uso da força pode reduzir a violência. Mas mostra também que isso não equivale a vencer a guerra às drogas.

    Dez anos depois de Cartagena, a Colômbia volta a testar essa fronteira. O Plan Patriota Siglo 21 deixa clara a direção escolhida por seu novo presidente. Resta saber quais resultados a força conseguirá produzir.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sylvia-colombo/2026/09/com-a-ajuda-dos-eua-colombia-da-guinada-na-seguranca.shtml.

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    O presidente da Colômbia, Aberlardo de la Espriella (esq.), ao lado do secretário de Estado americano, Marco Rubio, durante cerimônia em Barranquilla - Fernando Vergara - 8.set.26/pool via Reuters · Fernando Vergara - 8.set.26/pool via Reut — Foto: UOL

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