Colômbia abre embaixada em Jerusalém e reata acordo comercial com Israel
A Colômbia inaugurou nesta quarta-feira (14) sua embaixada em Jerusalém , juntando-se ao restrito grupo de países, entre eles os Estados Unidos, que reconhece a cidade disputada por Israel e Palestina como capital do Estado . Leia mais (10/14/2026 - 09h33)

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A Colômbia inaugurou nesta quarta-feira (14) sua embaixada em Jerusalém , juntando-se ao restrito grupo de países, entre eles os Estados Unidos, que reconhece a cidade disputada por Israel e Palestina como capital do Estado .

A medida cumpre promessa do presidente Abelardo de la Espriella , de ultradireita, que assumiu o cargo em agosto e anunciou a transferência como gesto de apoio a Israel. A abertura ocorre no mesmo dia em que o governo colombiano enfrenta, nas ruas, os primeiros grandes protestos contra suas políticas, convocados pela oposição. Na véspera, Espriella assinou um decreto que endurece a resposta das autoridades às manifestações.
A decisão de inaugurar a embaixada em Jerusalém representa uma guinada de 180 graus em relação ao antecessor, o esquerdista Gustavo Petro . Em 2024, em protesto contra a campanha israelense na Faixa de Gaza, Petro rompeu relações diplomáticas com Israel , fechou a embaixada em Tel Aviv , convocou de volta o embaixador colombiano e fez duras críticas ao premiê Binyamin Netanyahu .
Israel classificou a medida como antissemita.

O governo Espriella restabeleceu também o acordo de livre comércio entre os dois países, que havia sido encerrado por Petro. Em agosto, Bogotá já havia reconhecido a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã, planalto tomado da Síria na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Até então, os EUA eram o único país a reconhecer a anexação do território, formalizada por Israel em 1981.
Na cerimônia de abertura da representação diplomática, o chanceler israelense, Gideon Saar, assinou o livro de ouro da embaixada ao lado do seu homólogo colombiano, Omar Bula. "É uma data importante para o Estado de Israel. É também uma data importante para a cidade de Jerusalém", afirmou Saar.
"É uma data importante para o Estado de Israel. É também uma data importante para a cidade de Jerusalém", declarou o ministro israelense das Relações Exteriores, Gideon Saar, ao assinar o livro de ouro da embaixada, acompanhado de seu homólogo colombiano, Omar Bula.

Bula disse que o ato é "um passo concreto rumo à restauração" das relações diplomáticas, que, em sua avaliação, "nunca deveriam ter sido interrompidas". A embaixadora Gilinski enfatizou a cooperação em segurança. "A Colômbia enfrenta ameaças derivadas do terrorismo, do narcotráfico, da criminalidade transnacional organizada que afeta nossas comunidades", disse.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel informou que Saar e Bula terão conversas bilaterais ainda nesta quarta.
A grande maioria da comunidade internacional, inclusive o Brasil, estabelece suas embaixadas em Tel Aviv por entender que , dada a ocupação militar ilegal de Jerusalém Oriental por Israel desde 1967, a cidade não pode ser capital do Estado judeu até que haja um Estado da Palestina com sua capital em Jerusalém Oriental.

O consenso foi rompido em 2018, quando Donald Trump, em seu primeiro mandato, transferiu a embaixada americana para Jerusalém. Desde então, seguiram o exemplo Guatemala, Honduras, Paraguai, Fiji, Papua-Nova Guiné e Somalilândia. O argentino Javier Milei, conhecido pelo endosso a Israel, prometeu fazer o mesmo.
Israel considera a cidade sua capital, e é lá que ficam o Parlamento, os gabinetes do primeiro-ministro, a Suprema Corte e outras instituições. Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental, de maioria árabe, como capital de um futuro Estado. Israel ocupa essa parte da cidade desde 1967 e a anexou posteriormente. A anexação não é reconhecida pela ampla maioria da comunidade internacional.
Na Colômbia, Espriella assinou na noite de terça um decreto que modifica a resposta das autoridades às manifestações no país. A determinação ocorreu um dia antes de atos previamente convocados em várias cidades por sindicatos, estudantes e indígenas contra as políticas econômicas, sociais e de segurança pública do novo governo, que defende medidas de linha-dura.
O texto altera uma ordem executiva de 2021 que priorizava o diálogo e a mediação antes da atuação da força pública em caso de manifestações violentas. Naquele ano, o governo do então presidente Iván Duque enfrentou protestos que se estenderam por cerca de três meses, com fortes confrontos entre manifestantes e a força pública.
O novo decreto traz definições para atos violentos, agressões, retenção de pessoas e bloqueios de vias públicas. A ordem também prevê a criação de corredores e zonas seguras para o transporte, os serviços essenciais e as rodovias nacionais.
"Não serão tolerados a violência, o vandalismo nem os bloqueios que violam os direitos de milhões de cidadãos", escreveu Espriella em um post no X. Em vídeo, o ultradireitista acrescentou: Não existe o direito de destruir, bloquear, atacar a força pública, agredir e, naturalmente, não existe o direito de semear o caos".
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/10/colombia-abre-embaixada-em-jerusalem-e-reata-acordo-comercial-com-israel.shtml.

O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, em Bogotá - Luisa Gonzalez - 25.ago.26/Reuters · Luisa Gonzalez - 25.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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