Cocaína na bagagem: como terceirizados traficam droga em aeroporto
Operação da PF no Aeroporto de Guarulhos mirou quadrilha que enviava cocaína à África do Sul em bagagens de voos comerciais

A inspeção rigorosa imposta aos milhares de passageiros e bagagens que passam pelo Aeroporto de Guarulhos , em São Paulo , todos os dias, não tem sido o suficiente para impedir o tráfico transnacional de drogas, especialmente a cocaína . Quadrilhas especializadas encontraram em funcionários com acesso à área restrita uma alternativa para o escoamento de entorpecentes para fora do país .
Funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviços para o Aeroporto de Guarulhos , na região metropolitana da capital paulista, se tornaram peças fundamentais para esses grupos criminosos, como mostrou uma operação deflagrada pela Polícia Federal ( PF ) nessa quarta-feira (7/10).
Aproveitando do acesso exclusivo às áreas restritas do aeroporto, os trabalhadores adotam diferentes estratégias para inserir bagagens recheadas com cocaína em voos comerciais, após serem cooptados por quadrilhas focadas no tráfico internacional .

“Pode ser desde um corte na cerca perimetral, com um funcionário indo buscar essa droga para trazer para a aeronave, ou pode ocorrer uma troca de etiqueta. Também pode ser por meio de um canal de inspeção que esse funcionário consiga burlar, por exemplo, por meio do uso de latas de lixo, que são inspecionadas visualmente”, explicou o delegado Julio Cesar Baida Filho, chefe da delegacia da PF no Aeroporto de Guarulhos.
Dentro da área restrita, o funcionário cooptado é responsável por receber a bagagem com a droga e colocá-la na aeronave, pulando a fase de inspeção. Uma vez no avião, a cocaína é enviada, quase sempre, a destinos como África e Europa – o que não significa que estes sejam os endereços finais do entorpecente. Há ainda mercados consumidores na Ásia e na Austrália, por exemplo.
Quanto mais longe o destino, maior a valorização da cocaína . “Quanto mais ela avança no sentido transatlântico, maior é o valor que ela tem de revenda”, destacou o delegado.

Baida Filho lembra que a droga é produzida nos países andinos, como Bolívia, Colômbia e Peru. O Brasil é um território de passagem . A cocaína entra em território nacional através da fronteira com as nações vizinhas, e é escoada a outros continentes pelos portos marítims e também pelos aeroportos. O aeródromo de Guarulhos, no caso, é o de maior relevância local.
“O aeroporto de Guarulhos, sendo de longe o maior aeroporto do Brasil, com quase 60 destinos internacionais, acaba sendo o mais utilizado para conseguir viabilizar esse tráfego”, apontou o delegado.
O Primeiro Comando da Capital ( PCC ) é o principal coordenador desse trânsito seguido pela cocaína, da fronteira terrestre à fronteira marítima, mas nem todo grupo criminoso que segue o mesmo trajeto tem, necessariamente, ligação com a facção.

Operação da PF contra o tráfico internacional mira terceirizados do Aeroporto de Guarulhos
Polícia Federal deflagrou operação para combater tráfico internacional pelo Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, região metropolitana.
Um desses esquemas de tráfico de cocaína por meio de voos comerciais foi alvo de uma operação da PF nessa quarta-feira (7/10). A Operação Elenco e Cross Targets buscou cumprir, com o apoio da Polícia Militar ( PM ), 21 mandados de prisão temporária e de 29 de busca e apreensão, expedidos pela 1ª e pela 4ª Varas Criminais Federais de Guarulhos.

Até o início da tarde dessa quarta, todos os mandados de busca e apreensão haviam sido cumpridos, e 12 dos 21 alvos de prisão também já haviam sido detidos. Desses 12, nove são funcionários de empresas terceirizadas ligadas ao aeroporto.
A ação é resultado de uma investigação conduzida pela PF que identificou ao menos seis remessas saídas do Aeroporto de Guarulhos com destino à Joanesburgo, na África do Sul, em um interalo de três meses . A corporação não detalhou o volume de cocaína enviado, mas o delegado explicou que a quantidade acaba sendo a capacidade máxima de uma mala de transportar.
“Então, você tem tanto remessas de 25, 30 quilos por mala, quanto aquela droga que por vezes é transportada por passageiro”, disse, se referindo às mulas.

Em 31 de julho, a PF interceptou uma quadrilha de criminosos que tentou acessar a área restrita do aeroporto com 400 kg de cocaína . Um tratorista terceirizado foi cooptado pelo grupo e acabou preso.

Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/cocaina-bagagem-aeroporto.

Otavio Augusto/Arte Metrópoles — Foto: Metrópoles
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