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    Cobre e alumínio superam terras raras em restrições globais à exportação

    Levantamento da Global Trade Alert identifica 117 restrições comerciais desde 2020; 85% das medidas abrangem materiais processados

    CNN Brasil
    12 de outubro de 2026 às 15:24
    Cobre e alumínio superam terras raras em restrições globais à exportação
    Foto: CNN Brasil

    O cobre e o alumínio são os metais mais frequentemente atingidos por novas restrições à exportação no mundo, superando até mesmo as terras raras, que estão no centro da disputa geopolítica entre China e Estados Unidos.

    Levantamento da Global Trade Alert identificou 55 medidas envolvendo o cobre e 49 relacionadas ao alumínio desde 2020, enquanto as terras raras foram afetadas por 18 restrições.

    Ao todo, foram identificadas 117 novas restrições comerciais adotadas por 35 jurisdições entre fevereiro de 2020 e setembro de 2026. Somente neste ano, foram registradas 14 novas medidas.

    Fábrica de alumínio em Pindamonhangaba, SP • 19/06/2015REUTERS/Paulo Whitaker · • 19/06/2015REUTERS/Paulo Whitaker
    Fábrica de alumínio em Pindamonhangaba, SP • 19/06/2015REUTERS/Paulo Whitaker · • 19/06/2015REUTERS/Paulo Whitaker — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Além do cobre e do alumínio, o ranking é composto por chumbo e níquel, com 31 restrições cada, prata (29), cromo (27), lítio (26) e cobalto (24). As terras raras aparecem apenas na 19ª posição entre os 27 grupos de minerais críticos afetados.

    O levantamento considera medidas que limitam as exportações, como exigências de licenciamento, cotas e proibições comerciais. Restrições relacionadas a sanções internacionais foram excluídas da análise.

    Os números representam a quantidade de medidas que abrangem cada material, e não necessariamente restrições exclusivas a determinado mineral. Uma mesma decisão governamental pode afetar diferentes produtos.

    Soberania não se exporta em estado bruto
    Soberania não se exporta em estado bruto — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Apesar do protagonismo chinês na disputa por minerais críticos, a China responde por aproximadamente 20% das restrições identificadas desde 2020. Quando consideradas apenas as terras raras, porém, a participação do país sobe para 50%.

    No caso dos metais básicos, China, Rússia e Indonésia concentram, juntas, aproximadamente 40% das restrições comerciais.

    O levantamento também mostra que a disputa não está limitada à exportação de minérios em estado bruto. Cerca de 85% das restrições abrangem materiais processados, incluindo produtos que já passaram por etapas de transformação industrial.

    Australiana compra projeto de terras raras próximo de mina da Serra Verde
    Australiana compra projeto de terras raras próximo de mina da Serra Verde — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Entre os metais básicos, aproximadamente um quarto das medidas também atinge sucatas e resíduos metálicos, utilizados como matéria-prima pela indústria de reciclagem e transformação.

    Esse movimento está relacionado à tentativa de governos de garantir o abastecimento de suas indústrias, estimular o processamento mineral dentro dos próprios territórios e ampliar o controle sobre cadeias consideradas estratégicas.

    A Indonésia, por exemplo, mantém desde 2020 uma proibição à exportação de minério bruto de níquel para estimular o processamento doméstico. A política ajudou a transformar o país em um dos principais fornecedores globais de produtos processados de níquel.

    Aclara fala em transferência tecnológica e avalia refino no Brasil
    Aclara fala em transferência tecnológica e avalia refino no Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Já a China passou a exigir, em abril de 2025, licenças para a exportação de sete grupos de terras raras médias e pesadas e de determinados produtos derivados, incluindo materiais utilizados na fabricação de ímãs permanentes. Pequim justificou as restrições como necessárias à proteção da segurança nacional.

    Outros países também adotaram medidas semelhantes. A República Democrática do Congo suspendeu as exportações de cobalto em fevereiro de 2025, substituindo posteriormente a proibição por um sistema de cotas. Os Emirados Árabes Unidos também estabeleceram restrições temporárias às exportações de sucatas de ferro, cobre e alumínio em 2026.

    O avanço das restrições também aparece em levantamento da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgado em abril deste ano.

    Soberania não se exporta em estado bruto
    Soberania não se exporta em estado bruto — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Segundo a entidade, o número de restrições às exportações de matérias-primas críticas aumentou cinco vezes entre 2009 e 2024.

    A exposição foi particularmente elevada no caso do cobalto e do manganês, com cerca de 70% das exportações globais afetadas. Os percentuais chegaram a 47% para o grafite e 45% para as terras raras.

    A OCDE alerta que o avanço dessas medidas pode comprometer o abastecimento industrial, aumentar a volatilidade dos preços e aprofundar a concentração das cadeias globais de minerais críticos.

    Australiana compra projeto de terras raras próximo de mina da Serra Verde
    Australiana compra projeto de terras raras próximo de mina da Serra Verde — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sancionada em setembro, abre margem para que o Brasil também adote medidas de controle sobre as exportações desses materiais.

    A legislação permite estabelecer parâmetros técnicos e compromissos de agregação de valor no país, criando instrumentos para estimular o processamento mineral em território nacional antes da exportação.

    A aplicação dos novos instrumentos ainda depende de regulamentação complementar.

    Aclara fala em transferência tecnológica e avalia refino no Brasil
    Aclara fala em transferência tecnológica e avalia refino no Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/infra/cobre-e-aluminio-superam-terras-raras-em-restricoes-globais-a-exportacao/.

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    Fábrica de alumínio em Pindamonhangaba, SP • 19/06/2015REUTERS/Paulo Whitaker · • 19/06/2015REUTERS/Paulo Whitaker — Foto: CNN Brasil

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