Política

    Cobranças judiciais de dívidas privadas batem recorde

    Foram 1,24 milhão de novas ações em 2025, alta de 60% em relação a 2020; processos envolvem consumidores e empresas

    Poder360
    31 de agosto de 2026 às 11:05
    Cobranças judiciais de dívidas privadas batem recorde
    cnj — Foto: Poder360

    Foram 1,24 milhão de novas ações em 2025, alta de 60% em relação a 2020; processos envolvem consumidores e empresas

    A Justiça brasileira recebeu 1.239.537 novos processos para a cobrança de dívidas privadas em 2025, o maior número da série analisada. O total representa uma alta de cerca de 60% em relação a 2020, quando foram registradas 772.645 ações.

    O levantamento, feito pelo g1 a partir do Painel de Estatísticas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), considera processos classificados como execução de títulos extrajudiciais não fiscais. O número cresceu em todos os anos desde 2020.

    Dados do Conselho mostram alta seguida no número de novas ações desde 2020
    Dados do Conselho mostram alta seguida no número de novas ações desde 2020 — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

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    Foram 838.701 novos processos em 2021 e 994.098 em 2022. O volume superou 1 milhão pela 1ª vez em 2023, com 1.131.730 ações, e avançou para 1.194.184 em 2024 antes de chegar ao recorde de 2025.

    Esse tipo de processo é usado quando o credor já tem um documento que comprova a existência da dívida. A categoria inclui, por exemplo, cobranças relacionadas a contratos de empréstimo, financiamentos de veículos e imóveis, aluguéis, cheques e duplicatas.

    Os dados abrangem tanto pessoas físicas quanto empresas. Ficam de fora as execuções fiscais, usadas para cobrar tributos e outras dívidas com o poder público.

    Os números disponíveis de 2026 indicam a manutenção de um volume elevado. De janeiro a março, foram abertas 295.541 novas ações. A comparação não foi estendida aos meses seguintes porque o painel do CNJ mudou, em junho, a forma de apresentar a categoria e deixou de separar as execuções não fiscais da mesma maneira usada na série de 2020 a 2025.

    O aumento das cobranças judiciais acompanha um patamar elevado de endividamento. Em março de 2026, 80,4% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida, ante 77,1% no mesmo mês de 2025, de acordo com a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

    Dados do BC (Banco Central) também mostram pressão sobre o orçamento das famílias. O endividamento com o sistema financeiro correspondia a 49,8% da renda acumulada em 12 meses em março, enquanto 29,3% da renda mensal estava comprometida com o pagamento de dívidas.

    O CNJ adotou neste ano uma medida específica para parte dessas cobranças. A Resolução 683 de 2026 autorizou a extinção, sem julgamento do mérito, de execuções de títulos extrajudiciais apresentadas por instituições financeiras com valor inferior a R$ 10.000, desde que não sejam encontrados o devedor nem bens que possam ser penhorados e sejam cumpridos outros requisitos. A regra não impede que uma nova ação seja apresentada dentro do prazo de prescrição.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/cobrancas-judiciais-de-dividas-privadas-batem-recorde/.

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    Dados do Conselho mostram alta seguida no número de novas ações desde 2020 — Foto: Poder360

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