CNI defende dobrar gasto em infraestrutura para atingir 4,6% do PIB
Estudo divulgado pela confederação da indústria propõe novos modelos de financiamento para elevar aportes em projetos

Estudo divulgado pela confederação da indústria propõe novos modelos de financiamento para elevar aportes em projetos
O Brasil precisa dobrar os aportes em infraestrutura em relação ao patamar atual para cobrir um “hiato histórico de investimentos” e aproximar o país dos padrões internacionais, afirma estudo divulgado nesta 3ª feira (15.set.2026) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Para atingir esse objetivo, a entidade defende que o país eleve seus gastos em infraestrutura para 4,65% do PIB ao ano , cerca de R$ 550 bilhões , ao longo das próximas duas décadas. Em 2024, os investimentos no setor alcançaram R$ 266,8 bilhões, ou 2,27% do PIB, e em 2025, em R$ 277,9 bilhões, ou 2,19%.

Segundo o relatório da CNI, houve recuo significativo dos aportes de recursos públicos no setor. A média anual desse tipo de investimento caiu de R$ 208,5 bilhões no período de 2010 e 2014 para R$ 107 bilhões em 2024 . Leia a íntegra do estudo (PDF – 26 MB).
Os investimentos privados, em contrapartida, registraram tendência inversa, aumentando a participação nos projetos de infraestrutura no mesmo intervalo. Saíram de R$ 88,6 bilhões de 2010 a 2014 para R$ 184,5 bilhões em 2024.
No ano passado, foram R$ 188,5 bilhões de origem privada, o equivalente a 70,5% do total aportado no setor, contra R$ 78,6 bilhões de recursos públicos.

Pelo diagnóstico da confederação, o crescimento de despesas obrigatórias do governo federal e o aumento da dívida pública reduziram a capacidade do Orçamento Geral da União e dos Estados de alocarem recursos discricionários para obras de infraestrutura.
Já o avanço do setor privado, segundo a CNI, é resultado de predominância do mercado de capitais, que tornou-se a principal fonte de recursos para obras no país por meio de debêntures incentivadas, que asseguram redução de carga tributária ao investidor e alcançaram o valor recorde de R$ 111,2 bilhões emitidos para infraestrutura em 2024.
No recorte por segmento, a participação privada passou a dominar os setores de Telecomunicações (91%), Energia Elétrica (82,1%) e Saneamento (65,2%), segundo os dados de 2024. O setor de Transportes é o único que ainda preserva predominância de recursos públicos (64%), impulsionado por aportes diretos dos Estados e pelo BNDES.
Embora reconheça o protagonismo crescente do setor privado, a CNI defende complementaridade entre os meios de financiamento, partindo do princípio de que nenhuma fonte de recursos consegue, isoladamente, suprir as necessidades de investimento do país.
O estudo destaca que as dinâmicas de financiamento pública e privada não são independentes ou concorrentes e que o crescimento sustentado da infraestrutura depende da combinação entre orçamento público, atuação de bancos de desenvolvimento e atração do mercado de capitais
A partir dessa avaliação, a CNI propõe uma série de alternativas para viabilizar projetos de infraestrutura nos próximos anos:
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-infra/cni-defende-dobrar-gasto-em-infraestrutura-para-atingir-46-do-pib/.

Estudo da CNI analisa participação de financiamento público e privado em projetos de infraestrutura — Foto: Poder360
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