Cleitinho assumirá Minas no vermelho e com promessas difíceis de cumprir
Cleitinho Azevedo venceu em primeiro turno a eleição mineira e vai enfrentar desafios fiscais no ano que vem

Belo Horizonte e Divinópolis – Eleito governador de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos) deixa a posição de candidato e passa a enfrentar o teste mais difícil de sua trajetória política: transformar em realidade as promessas que o levaram ao Palácio Tiradentes .
Depois de uma campanha marcada pelo discurso direto, pela cobrança de serviços melhores e pela defesa da redução de impostos, ele assumirá um estado endividado, com orçamento pressionado e pouca margem para soluções imediatas.
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No discurso de vitória, neste domingo (4/10), Cleitinho reafirmou que reduzirá o IPVA , melhorará as estradas e ampliará o atendimento na saúde. Também prometeu negociar a dívida estadual com o próximo presidente da República, impedir desvios de dinheiro público e montar um secretariado técnico. “Tudo que eu falei na campanha, eu vou trabalhar para cumprir”, afirmou o governador eleito.
A situação fiscal será o primeiro limite para essas promessas. O Orçamento de 2026 foi elaborado com déficit de R$ 5,2 bilhões, enquanto a dívida de Minas com a União chegou a R$ 186,47 bilhões em junho. O estado já aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que reduziu temporariamente o valor das parcelas, mas prevê aumento gradual dos pagamentos até a retomada integral do serviço da dívida, em 2030.
Por isso, a promessa de voltar a negociar a dívida dependerá mais do que de uma conversa com o presidente eleito. Qualquer mudança relevante exigirá concordância do governo federal e, dependendo do alcance, uma nova decisão do Congresso.
A redução do IPVA também terá impacto direto sobre as contas públicas. O orçamento de 2026 estimou receita principal de aproximadamente R$ 13,2 bilhões com o imposto. Metade do valor arrecadado pertence aos municípios onde os veículos estão registrados. Uma diminuição da alíquota, portanto, reduziria recursos tanto do estado quanto das prefeituras e precisaria vir acompanhada de compensação de receita ou corte de despesas.
Nas estradas e na saúde, Cleitinho terá de conciliar a expectativa criada durante a campanha com contratos, obras de longo prazo e despesas obrigatórias.
Parte das rodovias mineiras está sob responsabilidade da União ou foi concedida à iniciativa privada. Na saúde, o estado também divide atribuições e financiamento com o governo federal e os municípios, o que limita decisões isoladas do governador.
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/minas-gerais/cleitinho-assumira-minas-no-vermelho-e-com-promessas-dificeis-de-cumprir.

Eleições 2026 — Foto: Metrópoles
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