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    Civis encurralados entre a guerra e o ebola

    Conflitos armados entre o Exército e milícias rebeldes há anos transformaram o leste e o nordeste da República Democrática do Congo num pesadelo humanitário. Agora, civis presos na linha de fogo tornaram-se alvo da mais grave epidemia de ebola do país -e a segunda mais devastadora do mundo. Leia mais (08/21/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    22 de agosto de 2026 às 01:00
    Civis encurralados entre a guerra e o ebola
    Pessoa vestindo traje branco de proteção com faixa laranja e óculos de segurança está em primeiro plano, cercada por grupo de moradores locais, incluindo mulheres e crianças, em área com casas de telhado de barro ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Profissional de saúde próximo a pessoas que aguardam o sepultamento de vítimas do ebola, em Bunia (República Democrática do Congo) - Gradel Muyisa Mumbere - 18.jun.26/REUTERS · Gradel Muyisa Mumbere - 18.jun.26/REUTERS
    Profissional de saúde próximo a pessoas que aguardam o sepultamento de vítimas do ebola, em Bunia (República Democrática do Congo) - Gradel Muyisa Mumbere - 18.jun.26/REUTERS · Gradel Muyisa Mumbere - 18.jun.26/REUTERS — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Conflitos armados entre o Exército e milícias rebeldes há anos transformaram o leste e o nordeste da República Democrática do Congo num pesadelo humanitário. Agora, civis presos na linha de fogo tornaram-se alvo da mais grave epidemia de ebola do país —e a segunda mais devastadora do mundo.

    Desde o fim das guerras congolesas, em 2003, a paz nunca se estabeleceu no leste do país, onde há mineração predatória e, não à toa, forte atuação de milícias.

    Tal cenário gera fluxo intenso de pessoas e mercadorias e restrições de mobilidade por falta de segurança, o que contribui para a propagação do vírus e dificulta o acesso à saúde . Foi nessa região que se originou o atual surto da doença, assim como o de 2019.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na segunda (17), a Organização das Nações Unidas ( ONU ) alertou sobre a rapidez do contágio desta que é a 17ª epidemia do vírus no país; estima-se a morte de uma pessoa a cada 30 minutos.

    Até então, havia 4.945 casos e 2.325 óbitos aferidos desde 15 de maio, quando o governo do presidente Félix Tshisekedi declarou emergência com notável atraso.

    A Organização Mundial da Saúde antevê o controle da contaminação em três meses. Mas ressalva que isso está longe de significar o fim da crise sanitária causada pelo vírus Bundibugyo, para o qual não há vacina.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A recomendação da entidade para a vacina Ervebo , contra outro tipo de vírus, revela a gravidade da situação —a rigor, seria um teste com a população local.

    O conflito é o principal obstáculo à OMS e a iniciativas do governo e de órgãos humanitários. Desde seu reinício, em 2022, a guerra agravou uma crise que gerou o deslocamento doméstico de 7 milhões de pessoas e levou 1 milhão ao exterior.

    Os confrontos envolvem o grupo Movimento 23 de Março (M23) e outras milícias que, segundo o governo, seriam financiados por Ruanda. O interesse da nação vizinha em jazidas de minerais, conforme tal versão, evidencia-se na presença de tropas ruandesas dentro do território congolês.

    Os rebeldes instalam governos locais, atualmente inertes diante da epidemia. Campanhas oficiais sobre contaminação e prevenção não alcançam as comunidades, enquanto instalações e equipes médicas são alvos de ataques.

    O aeroporto de Goma, acesso de ajuda humanitária, foi fechado pelo M23 em janeiro de 2025. A atuação há 16 anos da Monusco, missão da ONU atualmente sob comando de um general brasileiro, não tem sido suficiente para proteger os civis, também expostos a outras doenças e à fome .

    A tragédia na RDC, um dos cinco países mais pobres do mundo, afeta ainda o seu projeto de desenvolvimento a partir da exploração e do beneficiamento local de cobalto, cobre e coltan.

    Os EUA insistem em uma negociação de paz, focados no seu acesso às jazidas; a China mobiliza equipes médicas ao país para preservar os investimentos já realizados. É o que move as duas potências mundiais.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/civis-encurralados-entre-a-guerra-e-o-ebola.shtml.

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    Profissional de saúde próximo a pessoas que aguardam o sepultamento de vítimas do ebola, em Bunia (República Democrática do Congo) - Gradel Muyisa Mumbere - 18.jun.26/REUTERS · Gradel Muyisa Mumbere - 18.jun.26/REUTERS — Foto: Folha de S.Paulo

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