Ciro reduziu participação em empresa que recebeu propina de Vorcaro
Senador declarou ao TSE queda na participação da CNLF, empresa investigada pela PF por supostos pagamentos de Daniel Vorcaro

Candidato à reeleição, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) informou ao Tribunal Superior Eleitoral que reduziu participação na CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda. , empresa citada pela Polícia Federal por supostamente ter recebido mesadas do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Em 2018, Ciro declarou à Justiça Eleitoral ser sócio-proprietário da empresa, com participação equivalente a 94% do capital social, avaliada em R$ 470 mil .
Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira estiveram entre os principais nomes explorados pelo governo nos desdobramentos do caso Master

Já em 2026, ano em que a CNLF passou a ser alvo da investigação da Polícia Federal, o senador declarou ao TSE possuir apenas R$ 5 mil em participação na empresa.
Como mostrou o Metrópoles , na coluna de Tácio Lorran, familiares de Ciro Nogueira também aparecem como sócias da CNLF.
Suas filhas, Maria Eduarda e Eliane, detêm as maiores participações societárias, com 47% cada uma. A ex-mulher do senador, Iracema Portella, possui 5%, enquanto Ciro Nogueira aparece com 1% da empresa. Os dados são da Junta Comercial do Piauí, onde a empresa é sediada.

Na representação apresentada pela Polícia Federal, os investigadores descrevem a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda. como o “veículo patrimonial central do núcleo vinculado a Ciro Nogueira”. A empresa é administrada formalmente por Raimundo Nogueira, irmão do senador e primeiro suplente da chapa que disputará as eleições de outubro.
Segundo a PF, a CNLF adquiriu 30% de participação societária na Green Investimentos S.A., empresa que os investigadores apontam como controlada por Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.
Um dos principais pontos da investigação é o valor atribuído à operação. De acordo com a Polícia Federal, a CNLF pagou R$ 1 milhão por uma participação societária que teria valor estimado em R$ 13 milhões.

Para embasar a suspeita de subavaliação do negócio, os investigadores citam mensagens nas quais Felipe Vorcaro teria informado a Daniel Vorcaro que os dividendos da Green Investimentos e da Trinity poderiam chegar a R$ 2,4 milhões, referentes a uma participação de 20% nas empresas.
A PF afirma ainda que Felipe Vorcaro, então presidente da Green Investimentos, estruturou um fluxo de pagamentos para a CNLF por meio da BRGD S.A.
Segundo a investigação, mensagens apreendidas fazem referência a uma “parceria BRGD/CNLF”, que teria resultado em pagamentos mensais de R$ 300 mil destinados ao senador Ciro Nogueira. Os investigadores afirmam que os valores teriam sido posteriormente elevados para R$ 500 mil.

A declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral, Ciro Nogueira informou possuir patrimônio total de R$ 34,6 milhões, como mostrou o Metrópoles, na coluna Grande Angular.
O valor representa um aumento de 48,45% em relação à última eleição disputada pelo senador, em 2018, quando foi eleito para o Senado pelo Piauí.
Entre os bens declarados atualmente estão aplicações financeiras, participações empresariais, imóveis e duas “blindagens de veículo”, avaliadas em R$ 108 mil e R$ 50 mil.

O senador também declarou ser proprietário de um automóvel modelo 2023/2024, avaliado em R$ 568,9 mil, além de informar possuir R$ 180 mil em dinheiro em espécie.
Já leu todas as notas e reportagens da coluna hoje? Acesse a coluna do Metrópoles .
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/milena-teixeira/ciro-reduziu-participacao-em-empresa-que-recebeu-propina-de-vorcaro.

Reprodução/PF — Foto: Metrópoles
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