Cinema em Transe: podcast criado em BH dá voz à produção nacional
Criado durante a graduação na PUC Minas, o podcast chegou ao 54º episódio e já recebeu grandes nomes como Luiz Carlos Barreto, o "Barretão"

Belo Horizonte — O que começou como uma inquietação durante a faculdade se transformou em um espaço dedicado exclusivamente ao cinema brasileiro. Criado em Belo Horizonte , o podcast Cinema em Transe chegou ao 54º episódio discutindo não apenas filmes e cineastas, mas também os bastidores, a distribuição e a articulação política do setor audiovisual no país.
A ideia surgiu durante a graduação na PUC Minas, quando os cineastas Gabriel Matavel dos Santos, de 26 anos, e Renan Eduardo perceberam que sentiam falta de discussões mais amplas sobre a produção nacional na internet. A dupla decidiu, então, criar o espaço que gostaria de encontrar como ouvinte.
“Sentíamos muita falta de discussões mais amplas sobre o nosso cinema na internet durante a nossa graduação na PUC Minas. Decidimos nós mesmos fazer essas discussões e possivelmente pautar o debate junto a alguns poucos podcasts com essa pegada que existiam. Foi muito natural” , conta Gabriel.

Renan, que dividia a produção do podcast com Gabriel desde o início, não faz mais parte do projeto. O Cinema em Transe, no entanto, seguiu adiante e acumulou dezenas de episódios voltados exclusivamente à produção brasileira.
Segundo Gabriel, um dos diferenciais está justamente em ampliar a conversa para além daquilo que o público vê nas telas.
“Acho que o nosso diferencial vem de abordar toda a cadeia de produção, e não apenas o conteúdo dos filmes. Abordamos distribuição e articulação política do setor com bastante seriedade”, afirma. Sem patrocínio, o podcast é produzido de forma independente e, em grande parte, remotamente. A proposta é tratar de diferentes temas e profissionais do audiovisual em uma linguagem acessível, aproximando o público das discussões que movimentam o cinema nacional.

Entre os mais de 50 episódios já produzidos, uma das experiências que mais marcou Gabriel foi a oportunidade de conversar com Luiz Carlos Barreto, o Barretão, e Lucy Barreto, dois dos nomes mais importantes da produção cinematográfica brasileira.
Barretão, que morreu aos 98 anos em julho deste ano , construiu uma trajetória de mais de seis décadas no audiovisual e foi um dos nomes ligados ao Cinema Novo. Trabalhou como diretor de fotografia em clássicos como Vidas Secas (1963) e Terra em Transe (1967) e participou da produção de obras que marcaram o cinema nacional, como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Bye Bye Brasil e O Quatrilho , indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
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Lucy Barreto também construiu uma extensa trajetória na produção cinematográfica brasileira. À frente de projetos da L.C. Barreto e da Filmes do Equador, produziu e coproduziu dezenas de longas-metragens, documentários e séries. No currículo estão títulos como Bye Bye Brasil, O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?. Os dois últimos disputaram o Oscar de melhor filme estrangeiro em anos consecutivos.
Para Gabriel, receber o casal no Cinema em Transe foi um dos pontos altos da história do projeto.
“Luiz e Lucy Barreto foram, com certeza, os que mais mexeram conosco. Ao fim, eu e o apresentador convidado ficamos aos berros, superanimados” , relembra.
Agora, depois de chegar a 54 episódios e reunir conversas sobre diferentes dimensões do audiovisual brasileiro, o Cinema em Transe inicia uma nova etapa. Nesta segunda-feira (24/8), o projeto lança seu primeiro episódio em vídeo, ampliando a aposta em levar as discussões sobre o cinema nacional a novos públicos.
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/minas-gerais/cinema-em-transe-podcast-criado-em-bh-da-voz-a-producao-nacional.

Divulgação/Cinema em Transe — Foto: Metrópoles
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