Cinco anos de apartheid contra as afegãs
O ataque terrorista ao World Trade Center , que completou 25 anos no dia 11 de setembro , gerou um efeito colateral positivo para as mulheres oprimidas pela teocracia islâmica afegã. Mas a lufada de liberdade durou duas décadas, e o sistema de apartheid que desumaniza o sexo feminino entrou novamente em vigor. Leia mais (09/13/2026 - 23h00)

Mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP
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O ataque terrorista ao World Trade Center , que completou 25 anos no dia 11 de setembro , gerou um efeito colateral positivo para as mulheres oprimidas pela teocracia islâmica afegã. Mas a lufada de liberdade durou duas décadas, e o sistema de apartheid que desumaniza o sexo feminino entrou novamente em vigor.
Logo após a tragédia que ceifou 2.977 vidas, os EUA invadiram o Afeganistão , onde o grupo extremista Talibã dava guarida à Al Qaeda , responsável pelo ataque.
Meninas e mulheres voltaram às escolas, às universidades, a trabalhar, participar da política, do jornalismo e do Judiciário. Em 2021, dos 249 membros do Parlamento afegão , 69 eram mulheres. Essas conquistas pertenciam às afegãs. Mas a ordem institucional dentro da qual elas podiam existir dependia da proteção militar internacional, porque o Estado afegão não conseguia sobreviver sozinho ao Talibã.

Em 2020, o governo de Donald Trump negociou a retirada das tropas com o Talibã e deixou o governo local à margem, contribuindo para seu enfraquecimento e posterior colapso.
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Em agosto de 2021, o Talibã volta ao poder e recomeça o inferno das afegãs. Mais de 160 decretos impediram meninas de estudar além da sexta série e restringiram o trabalho e a circulação de mulheres, suas vestimentas e até mesmo sua voz —afegãs não podem falar alto em público. Segundo relatório da ONU Mulheres de agosto , 7 em cada 10 afegãs classificam sua saúde mental como "ruim" ou "muito ruim".

Impressiona que esse apartheid sexual não seja alvo de ampla mobilização política internacional pelo seu fim, como foi outro apartheid, o racial na África do Sul, encerrado em 1994.
Como escreveu Belquis Ahmadi , advogada especialista em direitos humanos, em análise publicada em junho pelo Georgetown Institute for Women, Peace and Security: "O maior perigo que o Afeganistão enfrenta hoje não é apenas o fato de 20 milhões de mulheres e meninas estarem sendo sistematicamente apagadas da vida pública. É o fato de o mundo estar, aos poucos, aprendendo a conviver com isso."
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lygia-maria/2026/09/cinco-anos-de-apartheid-contra-as-afegas.shtml.

Mulher afegã passa diante de um mural que marca o quinto aniversário do retorno do Talibã ao poder, na província de Ghazni, no Afeganistão - Mohammad Faisal Naweed - 13.ago.26/AFP · Mohammad Faisal Naweed - 13.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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