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    Cinco anos de apartheid contra as afegãs

    O ataque terrorista ao World Trade Center , que completou 25 anos no dia 11 de setembro , gerou um efeito colateral positivo para as mulheres oprimidas pela teocracia islâmica afegã. Mas a lufada de liberdade durou duas décadas, e o sistema de apartheid que desumaniza o sexo feminino entrou novamente em vigor. Leia mais (09/13/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    14 de setembro de 2026 às 02:00
    Cinco anos de apartheid contra as afegãs
    Foto: Folha de S.Paulo

    Mestre em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP

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    Mulher afegã passa diante de um mural que marca o quinto aniversário do retorno do Talibã ao poder, na província de Ghazni, no Afeganistão - Mohammad Faisal Naweed - 13.ago.26/AFP · Mohammad Faisal Naweed - 13.ago.26/AFP
    Mulher afegã passa diante de um mural que marca o quinto aniversário do retorno do Talibã ao poder, na província de Ghazni, no Afeganistão - Mohammad Faisal Naweed - 13.ago.26/AFP · Mohammad Faisal Naweed - 13.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O ataque terrorista ao World Trade Center , que completou 25 anos no dia 11 de setembro , gerou um efeito colateral positivo para as mulheres oprimidas pela teocracia islâmica afegã. Mas a lufada de liberdade durou duas décadas, e o sistema de apartheid que desumaniza o sexo feminino entrou novamente em vigor.

    Logo após a tragédia que ceifou 2.977 vidas, os EUA invadiram o Afeganistão , onde o grupo extremista Talibã dava guarida à Al Qaeda , responsável pelo ataque.

    Meninas e mulheres voltaram às escolas, às universidades, a trabalhar, participar da política, do jornalismo e do Judiciário. Em 2021, dos 249 membros do Parlamento afegão , 69 eram mulheres. Essas conquistas pertenciam às afegãs. Mas a ordem institucional dentro da qual elas podiam existir dependia da proteção militar internacional, porque o Estado afegão não conseguia sobreviver sozinho ao Talibã.

    Mulheres afegãs fazem arteterapia para combater sintomas de depressão
    Mulheres afegãs fazem arteterapia para combater sintomas de depressão — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em 2020, o governo de Donald Trump negociou a retirada das tropas com o Talibã e deixou o governo local à margem, contribuindo para seu enfraquecimento e posterior colapso.

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    Em agosto de 2021, o Talibã volta ao poder e recomeça o inferno das afegãs. Mais de 160 decretos impediram meninas de estudar além da sexta série e restringiram o trabalho e a circulação de mulheres, suas vestimentas e até mesmo sua voz —afegãs não podem falar alto em público. Segundo relatório da ONU Mulheres de agosto , 7 em cada 10 afegãs classificam sua saúde mental como "ruim" ou "muito ruim".

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Impressiona que esse apartheid sexual não seja alvo de ampla mobilização política internacional pelo seu fim, como foi outro apartheid, o racial na África do Sul, encerrado em 1994.

    Como escreveu Belquis Ahmadi , advogada especialista em direitos humanos, em análise publicada em junho pelo Georgetown Institute for Women, Peace and Security: "O maior perigo que o Afeganistão enfrenta hoje não é apenas o fato de 20 milhões de mulheres e meninas estarem sendo sistematicamente apagadas da vida pública. É o fato de o mundo estar, aos poucos, aprendendo a conviver com isso."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lygia-maria/2026/09/cinco-anos-de-apartheid-contra-as-afegas.shtml.

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    Mulher afegã passa diante de um mural que marca o quinto aniversário do retorno do Talibã ao poder, na província de Ghazni, no Afeganistão - Mohammad Faisal Naweed - 13.ago.26/AFP · Mohammad Faisal Naweed - 13.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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