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    Cientistas propõem equipar barata para aplicar medicamento em vítima de desastre

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    UOL
    28 de agosto de 2026 às 10:00
    Cientistas propõem equipar barata para aplicar medicamento em vítima de desastre
    Barata carregando um pequeno dispositivo eletrônico com fios e componentes visíveis nas costas, andando sobre areia clara entre pedras de diferentes tamanhos e texturas. — Foto: UOL

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    Um enxame de baratas gigantes pode parecer coisa de pesadelo. Mas cientistas afirmam que esses insetos poderão, um dia, ser utilizados por equipes de busca e salvamento para transportar medicamentos após desastres.

    Barata equipada para atender vítimas de desastres - Universidade de Queensland · Universidade de Queensland
    Barata equipada para atender vítimas de desastres - Universidade de Queensland · Universidade de Queensland — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Pesquisadores das universidades de Queensland e de Nova Gales do Sul, na Austrália , desenvolveram baratas ciborgues paramédicas. Apelidadas de "paraborgs", elas são equipadas com dispositivos de injeção em miniatura e câmeras.

    A ideia é que os insetos possam ajudar a manter vivas vítimas de terremotos e desabamentos, prestando assistência médica básica em espaços estreitos e cheios de escombros antes da chegada de equipes de resgate.

    "Muitas pessoas podem não gostar de ver uma barata gigante correndo em sua direção, mas, se você estiver preso sob escombros ou em uma caverna e precisar de ajuda, ela poderá fazer uma diferença decisiva entre a vida e a morte", afirmou Hai Nhan Le, doutorando e coautor do estudo publicado no dia 5 deste mês na revista Advanced Science .

    Baratas ciborgues podem atender vítimas de desastres
    Baratas ciborgues podem atender vítimas de desastres — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os autores do estudo equiparam exemplares de Macropanesthia rhinoceros —a espécie de barata mais pesada do mundo, que pode medir até 8,5 centímetros— com mochilas contendo cilindros de seringa e câmeras.

    A pesquisa, segundo eles, foi além de trabalhos anteriores com insetos ciborgues, que se concentraram em usá-los para localizar vítimas, e não para tratá-las.

    As baratas foram usadas porque nenhum robô seria capaz de igualar sua agilidade, resistência e baixo consumo de energia, disseram os pesquisadores.

    As baratas ciborges seriam controladas remotamente. Uma delas teria um mecanismo de injeção e outra, uma câmera. Assim que o ciborgue com a câmera localiza a vítima e o ciborgue com o medicamento é posicionado para que o mecanismo de injeçã
    As baratas ciborges seriam controladas remotamente. Uma delas teria um mecanismo de injeção e outra, uma câmera. Assim que o ciborgue com a câmera localiza a vítima e o ciborgue com o medicamento é posicionado para que o mecanismo de injeçã — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Eletrodos implantados permitiram que os operadores estimulassem o sistema nervoso dos insetos e os guiassem.

    "Começamos anestesiando o inseto e imobilizando-o para garantir que ele não sinta nada durante o processo de implantação", afirmou o engenheiro de biorrobótica Thang Vo-Doan, coautor do estudo.

    "Depois que implantamos um eletrodo no inseto, podemos aplicar um pequeno sinal elétrico para ativar ou estimular o sistema nervoso, fazendo com que ele responda aos nossos comandos."

    Detalhe mostra vítima caída entre os escombros e insetos se aproximando. Outro detalhe exibe insetos entregando medicamentos diretamente na pele da vítima.
    Detalhe mostra vítima caída entre os escombros e insetos se aproximando. Outro detalhe exibe insetos entregando medicamentos diretamente na pele da vítima. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O estudo utilizou uma barata "observadora", equipada com uma câmera para localizar alvos para os operadores, e uma segunda barata, que transportava os medicamentos para serem liberados remotamente.

    Registrou-se uma taxa de sucesso de 100% em alcançar os pontos de controle designados durante os testes e uma taxa geral de sucesso de 72% na entrega dos medicamentos.

    Quando a injeção era lançada a uma distância de até 15 centímetros do alvo, as taxas de sucesso chegavam a 95%.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    De acordo com o estudo, um sistema desse tipo poderia, no futuro, ser usado para estabilizar vítimas em situações em que cada minuto conta, incluindo emergências envolvendo picadas de cobra e reações alérgicas graves.

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    Insetos controlados remotamente são equipados com câmeras

    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool)
    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool) — Foto: UOL · Fonte: UOL

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    "No futuro, queremos talvez ter um enxame de [baratas] entrando profundamente em uma estrutura desabada... precisamos ter uma rede com muitas delas, para que possamos encontrar facilmente a vítima o mais rápido possível", afirmou Vo-Doan.

    Os experimentos foram realizados com alvos de silicone e pele de porco, sob condições controladas de laboratório.

    Na avaliação dos cientistas, seriam necessários novos testes para enfrentar os desafios que os operadores encontrariam em aplicações no mundo real, incluindo terrenos complexos, perda de sinal em estruturas desabadas e segurança das injeções.

    As diretrizes éticas para pesquisas com insetos ainda não são padronizadas, mas as baratas foram mantidas em um "ambiente adequado" e alimentadas com folhas secas de eucalipto e maçãs, segundo o estudo.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/08/cientistas-propoem-equipar-barata-para-aplicar-medicamento-em-vitima-de-desastre.shtml.

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    Barata equipada para atender vítimas de desastres - Universidade de Queensland · Universidade de Queensland — Foto: UOL

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