Cientistas podem ter 'ouvido' um planeta fora do Sistema Solar pela 1ª vez
Imagine conseguir "ouvir" um planeta que está a mais de 60 anos-luz da Terra. Foi mais ou menos isso que uma equipe de astrônomos conseguiu fazer. Leia mais (10/02/2026 - 18h00)

Doutora em física teórica de partículas, a pesquisadora explica temas científicos para crianças
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Imagine conseguir "ouvir" um planeta que está a mais de 60 anos-luz da Terra. Foi mais ou menos isso que uma equipe de astrônomos conseguiu fazer.
E as aspas em "ouvir" são importantes. Não estamos falando de som viajando pelo espaço e muito menos de uma mensagem enviada por alienígenas.
Ondas de rádio são um tipo de radiação eletromagnética, da mesma grande família da luz visível, das micro-ondas e dos raios X . Nossos olhos não conseguem enxergá-las, mas instrumentos chamados radiotelescópios conseguem detectá-las.

Então, quando dizemos que os cientistas estão "ouvindo" o Universo, estamos usando uma comparação.
O radiotelescópio não funciona como um ouvido e não está captando sons. Ele recebe ondas de rádio e as transforma em sinais que podem ser analisados pelos pesquisadores.
O protagonista dessa história é Beta Pictoris b, um exoplaneta, nome dado aos planetas que orbitam outras estrelas além do Sol. Ele está a cerca de 64 anos-luz de nós, tem aproximadamente 12 vezes a massa de Júpiter e leva cerca de 24 anos para completar uma volta ao redor de sua estrela.

Astrônomos procuram emissões de rádio produzidas por exoplanetas há décadas. O grande desafio é descobrir se o sinal realmente vem do planeta.
Estrelas também produzem ondas de rádio e, a uma distância tão grande, separar a emissão de uma estrela daquela produzida por um planeta próximo dela é muito difícil.
Desta vez, pesquisadores utilizaram o MeerKAT, um conjunto de radiotelescópios localizado na África do Sul. Com medições muito precisas, conseguiram determinar de onde a emissão estava chegando.

A posição encontrada coincide com Beta Pictoris b, e não com sua estrela. Se o resultado for confirmado, será a primeira vez que uma emissão de rádio é localizada diretamente em um exoplaneta.
Mas como um planeta pode produzir ondas de rádio? A provável resposta está em seu campo magnético.
Partículas eletricamente carregadas podem ser aceleradas e guiadas pelo campo magnético do planeta. Durante essas interações, parte da energia pode ser liberada na forma de ondas de rádio.

Fenômenos parecidos acontecem no nosso Sistema Solar e estão relacionados às auroras. Júpiter, por exemplo, é uma poderosa fonte natural de ondas de rádio.
Essas ondas carregam informações valiosas. Pela frequência da emissão, os pesquisadores calculam que o campo magnético na região onde ela foi produzida chega a pelo menos cerca de 1.250 gauss —a unidade de medida que indica a intensidade de um campo magnético.
Algumas rajadas também apareceram separadas por aproximadamente oito horas, um intervalo parecido com o tempo que Beta Pictoris b leva para completar uma rotação.
O estudo ainda precisa passar pela revisão de outros cientistas, e por isso não é considerado uma descoberta definitivamente confirmada. Mas ele pode abrir uma nova maneira de investigar mundos distantes.
Depois de aprender a encontrá-los, medir suas massas, estudar suas atmosferas e até fotografar alguns deles, talvez estejamos começando também a detectar seus sinais de rádio e descobrir, de uma maneira completamente nova, como são os planetas que existem muito além do nosso Sistema Solar.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/bibi-bailas/2026/10/cientistas-podem-ter-ouvido-um-planeta-fora-do-sistema-solar-pela-1a-vez.shtml.

Um exoplaneta orbitando a estrela Beta Pictoris - Reuters · Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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