Cientistas descobrem vírus que combate bactéria resistente a antibiótico
Colaboração brasileira com pesquisadores internacionais descobre o bacteriófago KP47, com potencial contra infecções graves como pneumonia e sepse

Cientistas brasileiros do Cepid B3 (Centro de Pesquisa em Biologia de Bactérias e Bacteriófagos), em colaboração internacional com a Universidade Metropolitana de Manchester, lideram pesquisa sobre a descoberta de um vírus que combate a bactéria da pneumonia e sepse resistente a antibióticos .
O trabalho foi publicado na revista científica BMC Microbiology e teve início a partir de um estudo de amostra de esgoto não filtrado de uma estação de tratamento de águas residuais na cidade de Manchester, no Reino Unido, que identificou a presença do bacteriófago KP47, ou seja, um vírus que infecta e destrói bactérias especificamente.
De acordo com o estudo, a OMS (Organização Mundial da Saúde) apontou a resistência das bactérias aos remédios como uma ameaça global à saúde. As bactérias do grupo Klebsiella pneumoniae causam infecções graves em hospitais e na comunidade, como pneumonia e sepse neonatal . Como essas bactérias desenvolveram resistência até aos antibióticos mais fortes, os cientistas estão buscando novas alternativas para combatê-las.

Ciência ainda é pouco valorizada no Brasil, diz pesquisador Luciano Moreira | CNN PRIME TIME
O KP47, que representa um gênero viral inteiramente novo, é capaz de infectar bactérias do complexo Klebsiella pneumoniae , incluindo as espécies Klebsiella pneumoniae e Klebsiella quasipneumoniae subsp. similipneumoniae , que causam as principais doenças de:
O vírus KP47 se fixa a 90% das bactérias em apenas 6 minutos, destruindo a bactéria a uma velocidade superior à de outros vírus semelhantes, o que explica o seu caráter estritamente lítico, que significa que ele entra na bactéria, se multiplica e faz a célula bacteriana estourar.

Segundo dados apontados no estudo, em uma das cepas de bactéria testadas (a KH11), o vírus mostrou uma eficiência de proliferação de 340% , reproduzindo-se com extrema facilidade. Como o KP47 infectou 2 das 9 cepas avaliadas, os pesquisadores apontaram que a melhor estratégia clínica é combiná-lo com outros vírus em coquetéis fágicos para ampliar a proteção contra diferentes variações da bactéria.
Quando aplicado na quantidade adequada, o vírus impe totalmente a multiplicação bacteriana por até 16 horas . O teste de DNA confirmou que o vírus não contém genes de resistência a antibióticos ou elementos nocivos.
Além de destruir a bactéria de forma rápida , o vírus possui genes para produzir a enzima endolisina e indícios de depolimerases. Essas proteínas funcionam como “tesouras biológicas” capazes de perfurar a parede da bactéria e dissolver biofilmes (a camada de proteção que as bactérias criam para se esconder de remédios).

Para transformar o KP47 em um tratamento acessível a pacientes (terapia fágica), as próximas etapas envolvem testar a eficiência das suas enzimas contra biofilmes e realizar testes de infecção em organismos vivos (in vivo).





Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/cientistas-descobrem-virus-que-combate-bacteria-resistente-a-antibiotico/.

O KP47 representa um gênero viral inteiramente novo. • RF/Getty Images · • RF/Getty Images — Foto: CNN Brasil
Compartilhe
Espalhe essa notícia

