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    Cientistas datam, pela 1ª vez, sinais de vida de 3,5 bilhões de anos

    Análise de rochas da Índia identificou carbono de origem biológica e cristais que permitiram determinar quando o material se formou

    Metrópoles
    21 de agosto de 2026 às 16:57
    Cientistas datam, pela 1ª vez, sinais de vida de 3,5 bilhões de anos
    Foto: Metrópoles

    Cientistas conseguiram datar diretamente uma das evidências mais antigas de vida na Terra. A análise de uma formação rochosa no leste da Índia indica que comunidades de microrganismos já existiam há cerca de 3,5 bilhões de anos , período em que o planeta ainda tinha pouco oxigênio e apresentava intensa atividade vulcânica.

    O estudo, publicado em 19 de junho na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), analisou o chert de Bhitardari, uma rocha rica em sílica localizada no Cráton de Singhbhum , uma das regiões mais antigas da crosta continental preservadas no planeta.

    A principal diferença em relação a outras descobertas está na datação. Possíveis vestígios de vida ainda mais antigos já foram descritos, mas muitas estimativas dependem da idade das formações geológicas próximas.

    Reprodução/ Chaudhuri et al., PNAS , 2026
    Reprodução/ Chaudhuri et al., PNAS , 2026 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    No novo trabalho, os pesquisadores encontraram cristais de zircão associados às próprias camadas que preservam o carbono interpretado como biológico , o que permitiu estabelecer uma relação mais direta entre a idade da rocha e a antiga atividade microbiana.

    Dentro da rocha, a equipe encontrou camadas microscópicas e repetidas de material rico em carbono intercaladas com sílica. A organização é compatível com os chamados tapetes microbianos, comunidades de microrganismos que crescem formando diferentes camadas.

    Como a presença de carbono, por si só, não comprova a existência de organismos , os cientistas analisaram a estrutura e a composição química do material. Uma técnica chamada espectroscopia Raman, que usa luz, indicou que o carbono das camadas fazia parte da rocha e havia resistido às transformações geológicas sofridas ao longo de bilhões de anos.

    Foto colorida de superfície rochosa, com evidências de vida há 3 bilhões de anos atrás. - etrópoles.
    Foto colorida de superfície rochosa, com evidências de vida há 3 bilhões de anos atrás. - etrópoles. — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A combinação entre a organização das camadas, a composição isotópica e as características do carbono levou os pesquisadores a interpretar o material como remanescente de uma antiga comunidade microbiana.

    A idade foi determinada a partir dos pequenos cristais de zircão encontrados nas camadas da formação. O mineral funciona como um relógio geológico porque incorpora urânio durante a formação e, com o passar do tempo, o elemento sofre decaimento radioativo e se transforma em chumbo. A proporção entre os dois permite calcular a idade do cristal.

    A equipe analisou oito cristais de zircão. Quatro haviam sofrido alterações e não forneceram resultados adequados, enquanto os outros quatro apresentaram idades semelhantes. Pelo método urânio-chumbo, os pesquisadores chegaram a 3,497 bilhões de anos, com margem de aproximadamente cinco milhões de anos.

    Os cientistas também investigaram se os cristais poderiam ser mais antigos e ter sido transportados posteriormente para a região. As características dos zircões indicaram, porém, que eles provavelmente foram produzidos pela atividade vulcânica e depositados enquanto a própria formação rochosa se desenvolvia , permitindo relacionar a idade dos cristais ao material que preservou o carbono.

    O resultado não significa que os pesquisadores tenham encontrado a evidência mais antiga de vida já proposta. Há trabalhos que apontam possíveis vestígios anteriores a 3,5 bilhões de anos, mas a idade de muitos deles foi estabelecida de maneira indireta.

    A importância do novo estudo está justamente na combinação entre uma assinatura química compatível com a atividade biológica e uma datação radiométrica diretamente relacionada à rocha que preservou o material.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/ciencia/cientistas-datam-pela-1a-vez-sinais-de-vida-de-35-bilhoes-de-anos.

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    Reprodução/ Chaudhuri et al., PNAS , 2026 — Foto: Metrópoles

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