Cientistas criam exército de polvos devoradores de caranguejos para conter praga na Itália
Polvo-comum (Octopus vulgaris) escondido em uma fenda no Mar Mediterrâneo, perto de Plakias, na ilha de Creta, na Grécia. Martijn Klijnstra/Wikimedia Commons No Mar Adriático, cientistas na Itália estão soltando milhares de filhotes de polvo a partir de um barco pesqueiro na tentativa de conter uma espécie invasora de caranguejo que vem causando grandes prejuízos à pesca local. Uma equipe da Universidade de Bolonha aposta que o polvo-comum pode ajudar a conter o avanço da população de caranguejos-azuis, um crustáceo voraz que tem devastado a produção de mariscos no Adriático. "Escolhemos o pol
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Polvo-comum (Octopus vulgaris) escondido em uma fenda no Mar Mediterrâneo, perto de Plakias, na ilha de Creta, na Grécia. — Foto: Martijn Klijnstra/Wikimedia Commons
No Mar Adriático, cientistas na Itália estão soltando milhares de filhotes de polvo a partir de um barco pesqueiro na tentativa de conter uma espécie invasora de caranguejo que vem causando grandes prejuízos à pesca local.
Uma equipe da Universidade de Bolonha aposta que o polvo-comum pode ajudar a conter o avanço da população de caranguejos-azuis, um crustáceo voraz que tem devastado a produção de mariscos no Adriático.

"Escolhemos o polvo porque, em seu habitat natural, ele é um predador extremamente eficiente de crustáceos", afirmou à AFP Antonio Casalini, um dos pesquisadores.
Originário da costa do Atlântico na América do Norte, o caranguejo-azul chegou ao Mediterrâneo há décadas, provavelmente transportado pela água de lastro dos navios, que é captada para garantir a estabilidade das embarcações.
No entanto, a população do crustáceo aumentou drasticamente nos últimos anos, e tanto o governo quanto as associações de pescadores atribuem essa explosão populacional ao aquecimento das águas e às mudanças climáticas.
Com pinças afiadas e de tom azulado, especialmente eficazes para abrir conchas, os caranguejos-azuis têm causado grandes estragos no nordeste da Itália, uma das principais regiões produtoras de moluscos da Europa.
No ano passado, as autoridades da Emilia-Romagna, região cuja capital é Bolonha, informaram que a espécie havia causado prejuízos de quase 17 milhões de euros (R$ 102 milhões) desde 2022.
A Coldiretti, principal organização agrícola e pesqueira da Itália, estima que as perdas cheguem a cerca de 200 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão) em todo o país. A região do Vêneto, no norte italiano, também foi severamente afetada.
"Ele come de tudo, inclusive as jovens amêijoas que vivem no fundo do mar", explica Davide Sanulli, pescador e produtor de mexilhões de 64 anos. Nas áreas de lagoas próximas ao delta do rio Pó, o caranguejo-azul provocou uma "verdadeira devastação", acrescentou Sanulli, que colabora com o projeto da Universidade de Bolonha.
Excelentes nadadores e capazes de atingir até um quilo, esses caranguejos têm poucos predadores naturais. É essa realidade que os pesquisadores querem mudar.
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/08/29/cientistas-criam-exercito-de-polvos-devoradores-de-caranguejos-para-conter-praga-na-italia.ghtml.

Agora no g1 — Foto: G1
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