Cientistas criam bateria de papel que pode ser engolida para alimentar dispositivos médicos dentro do organismo
Em testes realizados com porcos, a tecnologia conseguiu alimentar equipamentos por até três dias antes de perder progressivamente sua capacidade e se degradar O post Cientistas criam bateria de papel que pode ser engolida para alimentar dispositivos médicos dentro do organismo apareceu primeiro em Olhar Digital .

Pesquisadores desenvolveram uma bateria feita de materiais biodegradáveis que pode ser engolida para fornecer energia a dispositivos médicos dentro do corpo e, depois, se decompor gradualmente. Em testes realizados com porcos, a tecnologia conseguiu alimentar equipamentos por até três dias antes de perder progressivamente sua capacidade e se degradar.
A ideia é criar uma fonte de energia para dispositivos médicos temporários que atuem no sistema gastrointestinal sem a necessidade de uma cirurgia posterior para retirar uma bateria convencional. Entre as possíveis aplicações estão equipamentos capazes de detectar sangramentos, administrar medicamentos ou estimular tecidos e órgãos específicos.
A bateria ainda não foi testada em humanos. Segundo os pesquisadores, porém, os resultados em animais indicam que o conceito pode ser utilizado em dispositivos ingeríveis de baixa potência.

“A cobertura de cera não é simplesmente uma embalagem”, explicou Traverso ao Live Science . “É um elemento fundamental do design que controla a vida útil funcional.”
Os pesquisadores produziram duas versões da bateria, incluindo uma pequena o suficiente para caber dentro de uma cápsula convencional de gelatina.
Em testes de laboratório, a versão menor produziu cerca de 1,77 volt e conseguiu armazenar e fornecer 2 miliampère-hora por centímetro quadrado, capacidade suficiente para alimentar dispositivos eletrônicos de baixo consumo.

A versão maior produziu aproximadamente 1,84 volt e alcançou capacidade máxima de 3,5 miliampère-hora. Segundo Reza Ghodssi, professor de engenharia elétrica e de computação da Universidade de Maryland que não participou do estudo, a capacidade ainda é baixa e precisaria aumentar em uma ordem de magnitude para tornar a tecnologia ainda mais promissora.
Os pesquisadores colocaram os protótipos dentro de cápsulas produzidas por impressão 3D e administraram os dispositivos oralmente aos porcos com o auxílio de um endoscópio.
As duas versões funcionaram por até três dias, enquanto sua tensão e capacidade diminuíam à medida que os componentes se degradavam.

A bateria maior caiu de aproximadamente 1,8 volt para 1,6 volt após um dia e chegou a cerca de 1,45 volt no terceiro dia. Já a versão menor passou de 1,7 volt para aproximadamente 1,35 volt no mesmo período.
Os pesquisadores utilizaram as baterias para alimentar dois tipos de dispositivos médicos nos animais.
A versão menor alimentou uma etiqueta de identificação por radiofrequência (RFID, na sigla em inglês), posicionada no esôfago. O dispositivo conseguiu se comunicar sem fio com um receptor localizado a até 1,5 metro de distância e permitiu aos pesquisadores identificar quando os porcos engoliam um medicamento.

Já a bateria maior alimentou uma cápsula ingerível capaz de estimular eletricamente o estômago. O estímulo aumentou os níveis do hormônio grelina, associado à sensação de fome, no sangue dos animais, sem provocar danos visíveis no tecido no local da estimulação.
Apesar de a bateria e seus componentes biodegradáveis terem se decomposto, a placa eletrônica utilizada no experimento de estimulação do estômago não era biodegradável. Os porcos eliminaram o componente naturalmente.
Para John Rogers, cientista de materiais da Northwestern University que não participou do estudo, tornar todas as partes do dispositivo capazes de serem reabsorvidas pelo organismo poderia eliminar o risco de algum componente remanescente ficar preso no trato gastrointestinal.
O principal desafio agora é controlar a duração do funcionamento da bateria e tornar sua degradação mais previsível, segundo Traverso.
Os pesquisadores identificaram diferenças de desempenho entre as baterias e atribuíram a variação a fatores como a quantidade de contato entre as camadas, a distribuição do eletrólito e diferenças na espessura do revestimento de cera.
A equipe trabalha para padronizar a fabricação e ajustar a cobertura para que as baterias possam ser projetadas para funcionar durante períodos específicos, que podem variar de horas a dias.
Os pesquisadores também planejam realizar testes mais longos em condições que reproduzam com maior fidelidade o sistema gastrointestinal humano. Segundo Traverso, a equipe trabalha para iniciar um primeiro ensaio clínico do sistema RFID em aproximadamente dois anos.
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Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/23/ciencia-e-espaco/cientistas-criam-bateria-de-papel-que-pode-ser-engolida-para-alimentar-dispositivos-medicos-dentro-do-organismo/.

Já imaginou uma bateria como essa dentro do seu corpo bem pequena? – Imagem: Juan Roballo/Shutterstock — Foto: Olhar Digital
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