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    Cidades-sede da Copa afirmam que Fifa ainda lhes deve dinheiro

    As cidades-sede dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 2026 estão cobrando da Fifa milhões de dólares que acreditam terem sido prometidos pela entidade máxima do futebol , mas que até agora não foram pagos. Leia mais (08/08/2026 - 10h00)

    Folha de S.Paulo
    8 de agosto de 2026 às 13:00
    Cidades-sede da Copa afirmam que Fifa ainda lhes deve dinheiro
    Centenas de pessoas reunidas em praça movimentada à noite, algumas vestindo camisas de times de futebol e segurando bandeira da Espanha. Placas luminosas e outdoors iluminam o fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    As cidades-sede dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 2026 estão cobrando da Fifa milhões de dólares que acreditam terem sido prometidos pela entidade máxima do futebol , mas que até agora não foram pagos.

    Torcedores acompanham final da Copa do Mundo na região da Times Square, em Nova York - Ed Ou - 19.jul.26/Reuters · Ed Ou - 19.jul.26/Reuters
    Torcedores acompanham final da Copa do Mundo na região da Times Square, em Nova York - Ed Ou - 19.jul.26/Reuters · Ed Ou - 19.jul.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Antes da Copa do Mundo de Clubes de 2025, realizada nos Estados Unidos, o presidente da Fifa, Gianni Infantino , anunciou que a entidade faria uma contribuição de US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões) a cada uma das 11 cidades do país que sediariam partidas durante o torneio de clubes. O valor foi descrito como uma "contribuição de legado", e ele afirmou que os recursos seriam usados para construir minicampos e apoiar "projetos sociais".

    Após o anúncio de Infantino, as cidades norte-americanas que receberiam jogos em 2026 perguntaram se também teriam direito à mesma contribuição de US$ 1 milhão, considerando o papel mais amplo e oneroso de sediar várias partidas ao longo dos 39 dias da Copa do Mundo.

    Segundo quatro executivos dos comitês de cidades-sede dos Estados Unidos, que pediram anonimato para preservar relacionamentos, a direção da Fifa garantiu reiteradamente às cidades que elas receberiam a mesma contribuição de US$ 1 milhão destinada a iniciativas de legado, embora a entidade jamais tenha feito qualquer declaração pública a respeito.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As cidades-sede da Copa do Mundo nos Estados Unidos foram Seattle; a região da Baía de San Francisco; Los Angeles; Dallas; Houston; a região de Kansas City, Missouri; Atlanta; Filadélfia; Nova York-Nova Jersey; Miami; e Boston.

    Os quatro executivos disseram que a promessa foi feita verbalmente por integrantes da alta direção da Fifa e reiterada às cidades em reuniões, mas o dinheiro não foi pago. Com isso, várias cidades agora estão cobrando dos funcionários da Fifa informações atualizadas sobre os pagamentos.

    A Fifa não quis comentar quando procurada pelo The Athletic.

    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026
    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A situação é ainda mais complicada para as cidades porque alguns dos comitês-sede estão encerrando suas atividades após o torneio, o que dificulta determinar qual entidade estaria mais bem posicionada para receber os pagamentos. Outros tentam elaborar relatórios financeiros para suas jurisdições e autoridades, mas não sabem ao certo se devem incluir esses valores.

    Dois executivos de cidades-sede disseram ao The Athletic que tinham dificuldade para entender como a Fifa —uma organização que comemorou receitas superiores a US$ 15 bilhões (R$ 76,5 bilhões) no ciclo financeiro de 2023 a 2026— poderia estar protelando ou evitando se comprometer com esses pagamentos relativamente pequenos às cidades que subsidiaram seu torneio e ajudaram a entidade a maximizar seus ganhos. O orçamento operacional da Fifa para o torneio foi de cerca de US$ 2,7 bilhões (R$ 13,8 bilhões).

    Essa é agora apenas uma das crescentes questões na mesa de Infantino, que enfrenta forte pressão da confederação europeia de futebol (Uefa) e de algumas de suas contrapartes globais após o fracasso de seu plano de vender uma participação nas competições e eventos da Fifa para investidores privados.

    O contribuinte norte-americano arcou com uma parcela enorme dos custos diretos e indiretos do torneio de 2026, com despesas que facilmente chegaram à casa dos bilhões, distribuídas entre segurança, transporte, logística e operações.

    A Fifa ficou com a grande maioria das receitas provenientes da venda de ingressos da Copa do Mundo, dos direitos de transmissão, dos patrocínios, da comercialização de alimentos e bebidas e dos estacionamentos, enquanto as cidades ficaram responsáveis pela maior parte dos custos relacionados a transporte e segurança. Essas despesas foram além dos estádios e incluíram os locais das Fifa Fan Fests, aeroportos e até veículos usados na competição.

    Como exemplo, o comitê-sede de Kansas City para a Copa do Mundo informou ter recebido US$ 42,5 milhões do estado do Missouri, US$ 28 milhões do estado do Kansas, US$ 14,8 milhões de Kansas City, no Missouri, e mais US$ 1,5 milhão de outras fontes públicas, totalizando US$ 86,8 milhões em investimentos públicos. Além disso, houve US$ 59,52 milhões em assistência federal para segurança e US$ 13,3 milhões em subsídios federais para transporte.

    Há também doações privadas, cujos valores não foram revelados pelo comitê-sede, uma organização sem fins lucrativos responsável por transporte, logística e pela Fan Fest durante a Copa do Mundo. O estado do Missouri, na tentativa de convencer a Fifa a escolher Kansas City como sede, também decidiu isentar da cobrança de impostos estaduais e locais sobre a venda dos ingressos da Copa do Mundo. Segundo uma análise do The Athletic anterior ao torneio, isso significou abrir mão de outros US$ 15,6 milhões —valor que provavelmente foi ainda maior, pois o cálculo não levou em conta os preços dos pacotes de hospitalidade.

    As obrigações das cidades-sede também incluíram faixas especiais de trânsito e escoltas policiais para VIPs designados pela Fifa, despesas de seis dígitos para criar "estádios limpos", eliminando qualquer sinal de marcas não associadas à Fifa , além de um aporte adicional de US$ 13 milhões para garantir que o MetLife Stadium tivesse um gramado à altura de receber a final da Copa do Mundo em 19 de julho.

    A preparação para o torneio foi frequentemente marcada pelo aumento dos custos e pela crescente frustração sobre quem estava pagando a conta do maior evento esportivo do planeta. Ainda assim, a Fifa e as cidades-sede argumentaram que haveria um enorme retorno para os Estados Unidos por meio do impacto econômico do turismo e dos eventos realizados em todo o país. A Fifa citava com frequência um relatório segundo o qual US$ 30,5 bilhões seriam injetados na economia norte-americana.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/08/cidades-sede-da-copa-afirmam-que-fifa-ainda-lhes-deve-dinheiro.shtml.

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    Torcedores acompanham final da Copa do Mundo na região da Times Square, em Nova York - Ed Ou - 19.jul.26/Reuters · Ed Ou - 19.jul.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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