Cidades do Nordeste lideram piores índices de abastecimento de agua
O cenário evidencia uma profunda desigualdade regional e a urgência de uma mudança drástica na agenda pública de infraestrutura
O acesso à água potável e encanada ainda está longe de ser uma realidade universal no Brasil, e o Nordeste continua no centro dessa crise estrutural.
Dados recentes do novo Ranking de Saneamento expõem o tamanho do desafio: a região, ao lado do Norte, concentra os municípios com as estruturas mais precárias e os menores índices de atendimento total de água do país.
O cenário evidencia uma profunda desigualdade regional e a urgência de uma mudança drástica na agenda pública de infraestrutura.
O Raio-X da precariedade no Nordeste
Embora estados do Norte também figurem nas posições mais alarmantes do ranking — como Porto Velho (RO), que amarga a lanterna com míseros 30,74% de atendimento —, o Nordeste acende o sinal vermelho pelo volume de grandes municípios populosos incapazes de garantir o básico às suas populações.
Pernambuco aparece em uma situação especialmente crítica no levantamento. A própria capital, Recife (PE), atingiu apenas 78,93% de cobertura em relação ao abastecimento, deixando uma parcela expressiva de seus moradores desassistida.
O problema se arrasta pela Região Metropolitana, com Paulista (PE) e Jaboatão dos Guararapes (PE) também integrando a lista das piores performances do país.
Outras capitais e grandes centros urbanos da região que aparecem no infame grupo dos piores índices são:
João Pessoa (PB)
Caucaia (CE)
Desigualdade e gargalo de investimentos
A publicação do estudo é categórica: a permanência desses índices precários reforça o abismo social e geográfico no acesso a serviços essenciais. Enquanto algumas regiões avançam rumo à universalização, o Nordeste enfrenta barreiras que travam o desenvolvimento humano e econômico.
"O cenário atual evidencia as históricas desigualdades no acesso aos serviços e reforça a necessidade imediata de ampliar os investimentos na área, de promover melhorias profundas na gestão dos recursos e de priorizar, de forma definitiva, o saneamento básico na agenda pública dos governantes."
Sem uma injeção robusta de capital e uma reformulação na gestão pública e privada das concessões de água, o direito constitucional ao acesso à água limpa continuará sendo um privilégio de poucos e uma promessa distante para milhões de nordestinos.
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