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    Ciclo menstrual irregular pode indicar Somp; saiba como a condição afeta o corpo

    Menstruação que demora para vir, ciclos com intervalos muito curtos e sangramento intenso podem ser sinais de diferentes doenças, como endometriose , miomas e Somp (Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina). Leia mais (09/28/2026 - 04h00)

    Folha de S.Paulo
    28 de setembro de 2026 às 07:00
    Ciclo menstrual irregular pode indicar Somp; saiba como a condição afeta o corpo
    A imagem apresenta uma representação artística do útero, estilizado em tons de rosa. O útero é decorado com flores em várias tonalidades de rosa e vermelho, criando um contraste com o fundo rosa liso. A forma do útero é claramente delineada — Foto: Folha de S.Paulo

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    Menstruação que demora para vir, ciclos com intervalos muito curtos e sangramento intenso podem ser sinais de diferentes doenças, como endometriose , miomas e Somp (Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina).

    A sigla Somp (Síndrome Ovariana Poliendócrina Metabólica) engloba de forma mais fiel as questões que envolvem a antiga SOP (Síndrome do Ovário Policístico) - Adobe Stock · Adobe Stock
    A sigla Somp (Síndrome Ovariana Poliendócrina Metabólica) engloba de forma mais fiel as questões que envolvem a antiga SOP (Síndrome do Ovário Policístico) - Adobe Stock · Adobe Stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Antes chamada de síndrome dos ovários policísticos , a condição foi rebatizada de Somp em 2026 para refletir de forma mais fiel a natureza hormonal, metabólica e reprodutiva da doença.

    Neste mês de conscientização sobre a Somp, a reportagem ouviu Anne Pereira, ginecologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, e Cristina Laguna Benetti Pinto, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), para falar sobre causas, sintomas, diagnóstico e tratamento da doença.

    O antigo nome, SOP (Síndrome do Ovário Policístico), focava alterações visíveis nos ovários, como aumento de tamanho e presença de pequenos cistos. Isso, porém, sempre foi apenas parte do quadro clínico, afirma Cristina Laguna.

    Acupuntura pode ajudar a aliviar cólicas menstruais e sintomas da TPM
    Acupuntura pode ajudar a aliviar cólicas menstruais e sintomas da TPM — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O ovário é parte da história, não é a história inteira", diz Anne Pereira. Segundo ela, uma mulher pode ter a síndrome sem apresentar a clássica imagem de ovários policísticos no ultrassom, e o objetivo da mudança de nome é evitar que o diagnóstico e o tratamento fiquem restritos a esse achado.

    Na origem do distúrbio está uma alteração metabólica chamada resistência insulínica, explica Cristina Laguna. É esse problema, que se não tratado tem repercussões graves no organismo da mulher, que o novo nome procura destacar. Por afetar diferentes glândulas e sistemas do corpo, a síndrome também passou a ser chamada de poliendócrina.

    O diagnóstico costuma ocorrer ainda na juventude, na idade da menarca, geralmente motivado pela irregularidade do ciclo menstrual e por sinais de excesso de andrógenos, como acne, aumento de pelos e queda de cabelo . Alterações na ovulação também estão entre as manifestações mais comuns, segundo as especialistas.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com o tempo, a síndrome pode se refletir em maior risco de obesidade, com acúmulo de gordura principalmente na região abdominal, resistência à insulina e diabetes tipo 2. Essas alterações metabólicas, somadas a mudanças no perfil de colesterol e triglicérides, aumentam as chances de doenças cardiovasculares , como infarto e AVC.

    A irregularidade do ciclo também está associada a sangramentos mais intensos durante a menstruação e a maior risco de câncer de endométrio .

    Entre as mulheres com a síndrome, a dificuldade para engravidar é uma das queixas mais frequentes. Distúrbios do sono, ansiedade, depressão e alterações na imagem corporal também aparecem com mais frequência entre essas pacientes, afirma Anne Pereira.

    Por esses motivos, a condição não pode ser tratada apenas como um problema ginecológico e deve ser acompanhada ao longo de toda a vida da mulher.

    A dor pélvica não é uma manifestação diretamente associada à síndrome. Segundo Cristina Laguna, a dor pélvica persistente precisa ser investigada e não deve ser atribuída automaticamente à Somp. Um ovário aumentado, por exemplo, pode elevar o risco de torção ovariana, mas o quadro é raro, diz a especialista.

    A síndrome resulta da interação entre predisposição genética e fatores epigenéticos e ambientais, não de um único gene, afirma Anne Pereira. Ter familiares com a condição aumenta a atenção para o diagnóstico, mas não significa que a mulher necessariamente vá desenvolver a doença.

    O oposto também é verdadeiro. Uma mulher pode manifestar a síndrome mesmo sem nenhum caso conhecido na família. Existe predisposição hereditária, mas não há um destino genético inevitável, diz a ginecologista.

    Não existe um exame isolado capaz de diagnosticar a síndrome, e um ultrassom com ovários aumentados ou com múltiplos folículos, por si só, não fecha o diagnóstico. Ao menos 1 em cada 4 mulheres jovens tem esse achado no exame sem ter a doença, afirma Cristina Laguna.

    O hormônio antimülleriano também já é usado como alternativa ao ultrassom para avaliar a morfologia dos ovários.

    Em mulheres adultas, o diagnóstico de Somp considera três componentes principais: a irregularidade da ovulação, o excesso de andrógenos e a morfologia ovariana policística.

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    A presença de pelo menos dois desses fatores, depois de descartadas outras doenças com sintomas parecidos, pode confirmar o quadro. Alterações na glândula adrenal, por exemplo, podem provocar sinais clínicos semelhantes aos da Somp, explica Cristina Laguna.

    Por não existir uma fórmula única, o tratamento também é individualizado, de acordo com a idade da paciente, os sintomas apresentados e o desejo ou não de engravidar.

    Atividade física, alimentação equilibrada e controle de peso são recomendados para todos os casos, junto ao acompanhamento de diferentes especialidades médicas.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/ciclo-menstrual-irregular-pode-indicar-somp-saiba-como-a-condicao-afeta-o-corpo.shtml.

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