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    Cicatrização de feridas no diabetes é desafio para o paciente e a ciência

    Sem controle, a doença favorece a formação de úlceras que podem levar a complicações graves

    UOL
    6 de outubro de 2026 às 15:00
    Cicatrização de feridas no diabetes é desafio para o paciente e a ciência
    Pessoa idosa sentada ajusta o sapato preto no pé direito, com o pé esquerdo descalço apoiado no chão de madeira clara. — Foto: UOL

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    Quem convive com diabetes sabe o quão preocupante e frequente pode ser o aparecimento de feridas de difícil cicatrização, especialmente nos pés. Os mecanismos que levam à formação desses machucados são múltiplos e, por isso, a ciência busca novos meios de ajudar quem convive com essa doença metabólica.

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    Pessoas com diabetes devem ter cuidado com as feridas, especialmente nos pés - toa555 - 30.mar.26/adobe stock · toa555 - 30.mar.26/adobe stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O problema começa antes mesmo do aparecimento das úlceras. Quando o diabetes não é controlado em longo prazo, a hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue ) somada ao estresse oxidativo e outras alterações metabólicas leva a inflamações nos vasos sanguíneos. Esse processo acelera a formação de placas de gordura, o que contribui para a obstrução das artérias e os problemas de saúde decorrente disso, incluindo o risco de infarto .

    "Esse conjunto de alterações pode reduzir a chegada de sangue e nutrientes aos tecidos, fundamentais para o processo de cicatrização quando surge alguma ferida", explica a endocrinologista Geísa Maria Campos de Macedo, coordenadora do departamento de Neuropatias e Complicações nos Pés da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes).

    A doença também interfere na resposta imunológica, ao prejudicar a atuação das células responsáveis pela defesa contra infecções.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Essas células passam a atuar de forma mais lenta, e alterações inflamatórias e o estresse oxidativo reduzem a capacidade de defesa do organismo ", detalha Macedo.

    "A situação pode ficar ainda mais grave quando existem complicações como a neuropatia diabética."

    A neuropatia diabética ocorre quando a doença descontrolada compromete o funcionamento dos nervos. É mais comum que afete os nervos periféricos dos pés, o que explica por que a formação das feridas não cicatrizáveis ocorre frequentemente nesses membros. Muitas vezes, a pessoa sequer percebe que há algo de errado, pois os pés ficam insensíveis. Em casos avançados, pode ser necessário amputar um membro.

    Os cuidados para evitar a necrose na úlcera devem ser constantes e pode levar meses até que se alcance a recuperação completa. O jovem Yunes Natal Menezes Coelho, 21, estudante de engenharia biomédica no Ensino Einstein, conhece bem essa preocupação.

    "Meu avô tem diabetes e acompanhei de perto os cuidados para evitar as complicações nas feridas que ele tinha nos pés, que foram muitas", lembra.

    Foi daí que surgiu a ideia de trabalhar em um projeto para desenvolver um curativo que ajudasse na cicatrização. A proposta combina tecnologias modernas, como a impressão em 3D de um material gelatinoso, com propostas de eficácia já conhecidas na sabedoria popular , a exemplo do óleo de semente de uva, com ação cicatrizante.

    "Embora sejam vários processos, todos convergem para estimular a cicatrização. Usamos um material que, quando pressionado, gera pequenas descargas elétricas. Essas cargas podem favorecer a entrada de cálcio nas células, que sinaliza ao organismo a necessidade de reprodução celular", relata o engenheiro de materiais Roger Borges, pesquisador e professor da graduação em Engenharia Biomédica do Ensino Einstein, orientador da pesquisa de Yunes.

    O projeto também utiliza impressão 3D para controlar a porosidade do curativo e permitir um melhor funcionamento de suas propriedades combinadas.

    "O fato de esse curativo especial estar sendo desenvolvido para a pele já é um diferencial, já que a maioria desses biomateriais é pensada para a cicatrização de ossos e, por isso, costuma ser feita em cerâmicas rígidas", observa Borges.

    Em estudos in vitro, o curativo já demonstrou a capacidade esperada de gerar pequenas descargas elétricas e bons níveis de segurança na manipulação do material. A possibilidade de uso em tecidos moles é uma inovação, o que o levou a ser destaque em congressos internacionais. O próximo evento em que o protótipo será apresentado é a Materials Science and Technology Conference 2026, que ocorre em outubro, nos Estados Unidos .

    A etapa seguinte dos estudos envolve testes com células da pele para avaliar qual impacto essa ação combinada pode causar. Depois, serão conduzidos os estudos pré-clínicos, ou seja, com animais. E ainda serão necessárias análises em humanos para entender a eficácia e segurança do curativo, na prática.

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    Para quem convive com diabetes , há muito que pode ser feito para evitar essas complicações. Manter a glicemia sob controle, assim como as taxas de colesterol , triglicérides e pressão arterial, são medidas essenciais. Pés inchados, muito avermelhados ou com lesão exigem atenção médica imediata.

    "Após uma úlcera, o acompanhamento continua porque a possibilidade de recidiva chega a 60% no primeiro ano", destaca a endocrinologista.

    Os cuidados ainda incluem usar calçados adequados, evitar andar descalço, ter cuidado ao cortar as unhas e manter a hidratação da pele .

    A neuropatia pode deixar os pés secos e favorecer rachaduras. A partir dessas lesões, bactérias podem entrar e provocar infecção.

    "A avaliação dos pés com um profissional especializado precisa ocorrer no mínimo anualmente em pessoas com diabetes", orienta a médica da SBD.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/10/cicatrizacao-de-feridas-no-diabetes-e-desafio-para-o-paciente-e-a-ciencia.shtml.

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