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    China tem 1º parque industrial zero carbono, com fábricas de baterias e de turbinas eólicas

    Fica na Mongólia Interior, na China , o primeiro parque industrial com saldo zero de dióxido de carbono, o principal gás do efeito estufa. Mas, ao contrário do que parece, o projeto não se refere a um complexo manufatureiro no qual não há emissões, mas a um cálculo que permite compensar matematicamente a quantidade de emissões lançadas na atmosfera. Leia mais (08/08/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    9 de agosto de 2026 às 02:00
    China tem 1º parque industrial zero carbono, com fábricas de baterias e de turbinas eólicas
    Complexo industrial grande com vários prédios retangulares brancos cercado por campos agrícolas verdes e estradas. Canal de água e áreas cultivadas se estendem ao fundo sob céu claro. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Fica na Mongólia Interior, na China , o primeiro parque industrial com saldo zero de dióxido de carbono, o principal gás do efeito estufa. Mas, ao contrário do que parece, o projeto não se refere a um complexo manufatureiro no qual não há emissões, mas a um cálculo que permite compensar matematicamente a quantidade de emissões lançadas na atmosfera.

    Foto aérea do parque industrial zero carbono na Mongólia Interior, na China - Divulgação/Envision · Divulgação/Envision
    Foto aérea do parque industrial zero carbono na Mongólia Interior, na China - Divulgação/Envision · Divulgação/Envision — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Chamado de "net-zero", o parque abriga fábricas de baterias e de turbinas eólicas e tornou-se parte da vitrine chinesa de energia renovável. Desde sua inauguração, em 2022, foi reconhecido pelo Fórum Econômico Mundial como o primeiro do tipo no mundo, e virou um modelo que a empresa responsável, a Envision, quer exportar.

    Para chegar ao saldo líquido de emissões de CO 2 , projetos do tipo equiparam o consumo de energia à geração renovável, ao armazenamento e a sistemas de gestão de carbono ao longo de um período de contabilização definido, explica Gang He, professor de política energética e climática da Faculdade Baruch, dos Estados Unidos.

    "Trata-se de uma inovação importante, porque a descarbonização industrial exige exatamente esse tipo de coordenação entre energia limpa, armazenamento e demanda flexível."

    Fachada do parque industrial zero carbono da Envision, o primeiro do mundo - Maxim Shemetov/Reuters · Maxim Shemetov/Reuters
    Fachada do parque industrial zero carbono da Envision, o primeiro do mundo - Maxim Shemetov/Reuters · Maxim Shemetov/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O docente afirma que, embora admirável, a iniciativa tem ressalvas. Uma delas é que a contabilização pode ser anual, o que permite compensar contabilmente o uso de combustíveis fósseis nos períodos em que não há disponibilidade de fontes renováveis –no caso da energia solar , por exemplo, durante a noite. Para ser totalmente zero carbono, a contabilização precisaria ser hora a hora.

    Na China, porém, o selo "net-zero" não exige um saldo realmente zerado. Para ganhar a certificação, deve-se fazer um cálculo que considera as emissões de carbono por unidade de consumo de energia, e o resultado deve ser cerca de 90% inferior à média nacional.

    A norma estabelecida pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma traz ainda outros indicadores, mas eles são considerados apenas como orientação, e podem ser dispensados caso a companhia justifique.

    China instala placas solares no deserto para gerar energia limpa
    China instala placas solares no deserto para gerar energia limpa — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo Huang Wenchuan, vice-diretor da Comissão de Desenvolvimento e Reforma da Mongólia Interior, projetos do tipo são parte central do esforço chinês para atingir as principais metas climáticas do país, que consistem no pico de emissões até 2030 e na neutralidade de carbono até 2060.

    "Apoiamos a participação de governos locais, empresas de parques, empresas de produção de energia, empresas de redes elétricas, empresas privadas e outros tipos de entidades na construção de parques de emissão zero, construindo uma comunidade de interesses", diz.

    A solução, que também será replicada na Espanha, chegará ao Brasil –mas, por enquanto, sem data marcada.

    Instalação da Envision com painéis solares organizados em fileiras diante de um prédio industrial cinza. O céu está claro com poucas nuvens.
    Instalação da Envision com painéis solares organizados em fileiras diante de um prédio industrial cinza. O céu está claro com poucas nuvens. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo o professor Gang He, a implementação do complexo brasileiro terá desafios adicionais, uma vez que a experiência chinesa se baseia em condições políticas, regulatórias e geográficas do país asiático.

    "A vantagem do Brasil é já ter um sistema elétrico relativamente limpo e forte experiência em biocombustíveis. O desafio é que o modelo chinês se apoia fortemente em política industrial coordenada, construção rápida de infraestrutura, cadeias de manufatura em larga escala e execução por governos locais. Essas condições podem ser mais difíceis de reproduzir", diz.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Envision afirma que o projeto terá como foco a produção de combustível sustentável de aviação, hidrogênio verde e amônia. O investimento chegará a US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões), segundo o Palácio do Planalto.

    Mais de um ano após o anúncio, a empresa afirma que não há novidades relacionadas à localização, ao prazo de construção ou ao cronograma de implementação.

    "Nossa avaliação considera recursos renováveis, logística, ecossistema industrial, disponibilidade de talentos e estabilidade política de longo prazo. Quaisquer decisões futuras de investimento serão baseadas em uma avaliação", afirma à Folha , em nota.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Preferimos comunicar apenas após o alcance de marcos importantes, para garantir a precisão e a transparência das informações."

    A divulgação do projeto aconteceu em maio de 2025, por ocasião da visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Pequim . Na época, o investimento foi apresentado pela Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e pelo Planalto como um dos frutos positivos da viagem.

    Segundo a Envision, Lula recebeu o CEO da companhia, Zhang Lei, para discutir o desenvolvimento do parque e dos combustíveis, além da transição energética no Brasil.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/china-tem-1o-parque-industrial-zero-carbono-com-fabricas-de-baterias-e-de-turbinas-eolicas.shtml.

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