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    China investiga comediante enquanto país tenta exportar imagem moderna

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    Folha de S.Paulo
    19 de agosto de 2026 às 15:06
    China investiga comediante enquanto país tenta exportar imagem moderna
    Dois homens vestindo roupas tradicionais pretas falam em microfones diante de um fundo vermelho com caracteres chineses. Um deles gesticula com a mão direita enquanto o outro observa atentamente. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Guo Degang (à esq.) e Yu Qian apresentam Xiangsheng, comédia em diálogos humorísticos, em Londres, Reino Unido, em 27 de abril de 2024 - Wu Lu/Xinhua · Wu Lu/Xinhua
    Guo Degang (à esq.) e Yu Qian apresentam Xiangsheng, comédia em diálogos humorísticos, em Londres, Reino Unido, em 27 de abril de 2024 - Wu Lu/Xinhua · Wu Lu/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    O comediante Guo Degang, um dos artistas mais populares da China, foi colocado sob investigação em 11 de agosto após alterar a letra de uma canção revolucionária do Partido Comunista durante um espetáculo em Wuhan. Guo é famoso por popularizar o Xiangsheng, gênero de comédia dialogada que remonta ao século 19 na China. Durante uma apresentação no fim de julho, ele improvisou uma nova versão de "Tocando meu adorado alaúde chinês" (弹起我心爱的土琵琶).

    A música é associada à resistência das forças comunistas contra a ocupação japonesa durante a guerra sino-japonesa. A obra é tão importante que foi uma das cem canções escolhidas em 2019 para celebrar os 70 anos da República Popular. A letra original diz que "o sol está prestes a pôr-se no oeste, tudo está tranquilo no lago Weishan". Guo substituiu a segunda parte por "tudo está tranquilo na Cidade Proibida", em tom de paródia. A referência ao complexo palaciano no centro de Pequim é sensível porque o local ainda mantém uma forte associação histórica ao exercício do poder no país.

    Confira imagens da Cidade Proibida
    Confira imagens da Cidade Proibida — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A apresentação motivou uma denúncia de usuários nacionalistas ao Departamento de Cultura e Turismo de Wuhan, que abriu a apuração sob acusação de que ele "distorceu e vulgarizou uma obra revolucionária clássica" e violou "a moral pública e os padrões de conduta aceitos", segundo um print divulgado pelo jornal chinês The Paper. A base formal da investigação não é a paródia em si, mas o fato de a parte adaptada não constar do material submetido à aprovação prévia, o que o órgão trata como "violação da regulação de espetáculos comerciais". Guo cumpria turnê pelos dez anos de seu grupo teatral. As apresentações seguintes foram canceladas, sem data de retorno anunciada. Por que importa: o episódio expõe a tensão entre a ambição de Pequim de projetar poder cultural no exterior e o aperto ideológico sobre a criação artística dentro do país. Ao exigir aprovação prévia de cada fala e punir o improviso, o Estado transforma um gênero popular em risco regulatório. A mesma máquina de controle atinge o setor criativo que a China tenta exportar como imagem de país moderno para o resto do planeta.

    "A Execução", tela satírica produzida pelo famoso pintor chinês Yue Minjun. Natural de Daqin, o artista costuma produzir figuras rindo de forma histérica e exagerada para expressar absurdos sociais e tensões políticas. Leia mais sobre ele aqui .

    ★ Um general da China aproveitou os cem anos de nascimento do ex-líder chinês Jiang Zemin para defender a "lealdade absoluta" do Exército ao Partido Comunista. Em um longo artigo publicado no periódico estatal Diário do Povo, o vice-presidente da Comissão Militar Central, Zhang Shengmin, escreveu que, diante do fim da União Soviética e da Guerra do Golfo, Jiang reagiu com redução de contingentes, investimentos em tecnologia e medidas para combater divisões internas em facções. Em meio a recentes investigações anticorrupção na cúpula militar, Zhang reforçou que o rigor ideológico demonstrado pelo líder, que morreu em 2022, é "essencial para que o país consolide uma força militar de classe mundial". ★ A gigante finlandesa Nokia vai cortar a maior parte de seus funcionários na China continental e fechar instalações até o fim do ano, mantendo apenas serviços pós-venda. Segundo o South China Morning Post, a retirada ocorre após a empresa perder espaço para concorrentes locais, como Huawei e ZTE, além da preferência estatal por tecnologia doméstica. A receita da Nokia na China caiu de € 1,84 bilhão (R$ 11,1 bilhões) em 2019 para € 913 milhões no último ano (R$ 5,5 bilhões). O movimento segue o de outras gigantes de tecnologia, como IBM e Microsoft, que reduziram operações no país devido à intensa concorrência e a barreiras geopolíticas. ★ O corpo do ex-premiê chinês Zhu Rongji foi cremado em Pequim nesta terça-feira (18). A cerimônia contou com a presença do líder Xi Jinping e da cúpula do Partido Comunista, além de homenagens com bandeiras a meio-mastro. Temendo instabilidade política, o governo reforçou a segurança e a censura em Pequim. Premiê de 1998 a 2003, Zhu era considerado o "engenheiro-chefe" das reformas econômicas do país e morreu aos 97 anos na última quarta-feira (12). Ele foi crucial para a entrada da nação na Organização Mundial do Comércio em 2001 e comandou a reestruturação de empresas estatais. A biografia oficial divulgada pela agência estatal Xinhua elogiou sua "integridade, firmeza contra a corrupção e seu papel decisivo na superação da crise financeira asiática (de 1997)".

    Reprodução · Reprodução
    Reprodução · Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Xi Jinping disse ao presidente do Equador, Daniel Noboa, nesta terça-feira (18) que a América Latina deve escolher seus parceiros internacionais "sem interferência externa", numa crítica velada aos Estados Unidos. O encontro aconteceu durante a primeira visita de Estado de Noboa à China, que Pequim vinculou aos dez anos da parceria estratégica integral entre os dois países. Noboa é um dos mais firmes aliados de Donald Trump na região e tem trabalhado para aproximar o Equador dos Estados Unidos mais do que qualquer presidente recente do país. Desde março, forças americanas fazem operações de combate ao narcotráfico em solo equatoriano e um acordo comercial recíproco retirou sobretaxas de 53% das exportações não petroleiras do país ao mercado americano. Contudo, o país ainda tem na China um de seus parceiros comerciais mais relevantes. As trocas entre Equador e o gigante asiático cresceram 20,1% no primeiro semestre, chegando a US$ 9,83 bi (cerca de R$ 51,1 bi).

    Noboa tenta reverter a suspensão de 14 processadoras de camarão equatorianas, alvo de restrições chinesas desde outubro de 2025, e também quer negociar um contrato de US$ 1,15 bilhão para a usina Coca Codo Sinclair com a PowerChina. Construída com capital chinês sob o chapéu da Iniciativa de Cinturão e Rota, Coca Codo Sinclair virou sinônimo de fracasso em infraestrutura. A barragem que integra a usina custou mais de US$ 2,2 bilhões e responderia por cerca de 30% da eletricidade equatoriana, mas foi entregue quase uma década após o previsto. Um laudo identificou 7.648 fissuras na estrutura, e um tribunal arbitral condenou a empresa chinesa responsável pelo projeto, a Sinohydro, a pagar US$ 400 milhões ao Equador em reparação pelos problemas registrados. Por que importa: o Orçamento Geral do Estado equatoriano para 2026 já conta com US$ 764 milhões em empréstimos do Eximbank e do China Development Bank, cujos termos ainda nem foram fechados. Quito planejou suas contas com um dinheiro que depende da boa vontade de Pequim e por isso não pode antagonizar os mesmos bancos estatais chineses que estão do outro lado das disputas do camarão e da hidrelétrica. Pressionar demais num flanco arriscaria travar recursos, mesmo motivo pelo qual Noboa precisou engolir a retórica chinesa anti-Washington a despeito de ser um dos presidentes sul-americanos mais próximos de Donald Trump.

    Estão abertas até quinta as inscrições para o 5º Concurso Internacional de fotografias e vídeos curtos da Rota da Seda para Jovens. Promovido pelo governo municipal de Fuzhou e pelo Comitê de Cooperação Marítima do Século 21, o concurso é destinado a pessoas de 12 a 20 anos. Vencedores ganharão prêmios em dinheiro que variam de R$ 750 a R$ 3.800. Saiba mais aqui .

    Xi Jinping cumprimenta um familiar de Zhu Rongji durante homenagem ao ex-premiê chinês - Xie Huanchi - 18.ago.26/Xinhua · Xie Huanchi - 18.ago.26/Xinhua
    Xi Jinping cumprimenta um familiar de Zhu Rongji durante homenagem ao ex-premiê chinês - Xie Huanchi - 18.ago.26/Xinhua · Xie Huanchi - 18.ago.26/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Xi Jinping recebe o presidente do Equador, Daniel Noboa, no Salão Norte do Grande Palácio do Povo - Liu Bin - 18.ago.26/Xinhua · Liu Bin - 18.ago.26/Xinhua
    Xi Jinping recebe o presidente do Equador, Daniel Noboa, no Salão Norte do Grande Palácio do Povo - Liu Bin - 18.ago.26/Xinhua · Liu Bin - 18.ago.26/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Oito homens em dois grupos distintos diante de um muro vermelho com detalhes amarelos no topo. Quatro homens à esquerda estão sem camisa, usando apenas roupas íntimas brancas, inclinados para frente e rindo. Quatro homens à direita vestem c
    Oito homens em dois grupos distintos diante de um muro vermelho com detalhes amarelos no topo. Quatro homens à esquerda estão sem camisa, usando apenas roupas íntimas brancas, inclinados para frente e rindo. Quatro homens à direita vestem c — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
    Dois líderes em traje preto formal apertam as mãos em cerimônia oficial, com guarda de honra militar ao fundo em posição de sentido.
    Dois líderes em traje preto formal apertam as mãos em cerimônia oficial, com guarda de honra militar ao fundo em posição de sentido. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
    Dois homens em ternos escuros caminham lado a lado sobre tapete vermelho em salão amplo. À esquerda, soldado em uniforme verde com espada marcha. À direita e ao fundo, fileiras de soldados em uniformes marrons e azuis seguram rifles alinhad
    Dois homens em ternos escuros caminham lado a lado sobre tapete vermelho em salão amplo. À esquerda, soldado em uniforme verde com espada marcha. À direita e ao fundo, fileiras de soldados em uniformes marrons e azuis seguram rifles alinhad — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/china-investiga-comediante-enquanto-pais-tenta-exportar-imagem-moderna.shtml.

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    Guo Degang (à esq.) e Yu Qian apresentam Xiangsheng, comédia em diálogos humorísticos, em Londres, Reino Unido, em 27 de abril de 2024 - Wu Lu/Xinhua · Wu Lu/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo

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