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    China anuncia pacote para reduzir competição 'desenfreada' no saturado mercado das montadoras

    O vice-ministro da Indústria da China , Xin Guobin, anunciou na quarta-feira (26) mais um pacote contra a guerra de preços entre as montadoras do país, numa entrevista sobre o início do 15º Plano Quinquenal . A disputa chegou ao ponto em que empresas vendem carros perto do custo de produção e cobrem o rombo atrasando o pagamento de fornecedores, e é isso que Pequim tenta interromper há dois anos. Leia mais (08/28/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    29 de agosto de 2026 às 02:00
    China anuncia pacote para reduzir competição 'desenfreada' no saturado mercado das montadoras
    Várias fileiras de carros elétricos novos, predominantemente brancos e cinza, alinhados em um estacionamento ao ar livre com piso de paralelepípedos. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, mestre em Estudos da China pela Academia Yenching (Universidade de Pequim) e em Assuntos Globais pela Universidade Tsinghua

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    Carros da BYD em um pátio de armazenamento, antes de serem carregados em navios para exportação em Yantai, no leste da China - 19.jul.26/AFP · 19.jul.26/AFP
    Carros da BYD em um pátio de armazenamento, antes de serem carregados em navios para exportação em Yantai, no leste da China - 19.jul.26/AFP · 19.jul.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O vice-ministro da Indústria da China , Xin Guobin, anunciou na quarta-feira (26) mais um pacote contra a guerra de preços entre as montadoras do país, numa entrevista sobre o início do 15º Plano Quinquenal . A disputa chegou ao ponto em que empresas vendem carros perto do custo de produção e cobrem o rombo atrasando o pagamento de fornecedores, e é isso que Pequim tenta interromper há dois anos.

    A palavra que o governo usa é neijuan (内卷), literalmente traduzida como "involução", mas usada neste contexto para descrever a corrida em que todos gastam mais para ficar no mesmo lugar.

    Ela entrou no vocabulário oficial em julho de 2024 e tem sido apontada como motivação para que a cúpula econômica do partido conduza a regulação de governos locais. Isso porque a origem do problema está nessa ponta: a capacidade automotiva foi erguida por províncias que disputaram montadoras com terreno barato, crédito e isenção, até formar um parque maior do que o mercado interno consegue absorver.

    Salão de Pequim 2026 confirma que a China é o novo centro da indústria automotiva
    Salão de Pequim 2026 confirma que a China é o novo centro da indústria automotiva — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As medidas seguintes têm tentado atacar o sintoma, mas a um custo alto que certamente levará marcas eficientes à bancarrota. Em junho do ano passado, 17 montadoras prometeram pagar seus fornecedores em até 60 dias, já que os fabricantes de peças estavam bancando a guerra de preços com o próprio caixa.

    O efeito direto foi fazer a receita cair 0,2% no primeiro trimestre e o lucro despencar 18%. A margem ficou em 3,2%, contra 4,9% da média industrial chinesa. Trocando em miúdos, fabricar carro na China rende menos do que fabricar quase qualquer outra coisa enquanto o mercado encolhe.

    Dados das empresas de capital aberto mostram queda de 20% nas vendas de janeiro a julho, em parte porque acabou no início do ano a isenção do imposto de compra do carro elétrico.

    Operadores trabalham no complexo da base de produção da BYD em Camaçari, na Bahia - Jin Haoyuan - 12.jun.26/Xinhua · Jin Haoyuan - 12.jun.26/Xinhua
    Operadores trabalham no complexo da base de produção da BYD em Camaçari, na Bahia - Jin Haoyuan - 12.jun.26/Xinhua · Jin Haoyuan - 12.jun.26/Xinhua — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Diante disso, havia dois caminhos, e Pequim escolheu o mais fácil. O pacote anunciado por Xin controla quem entra na indústria, com licença, registro e validação, decidindo quais empresas e modelos chegam ao mercado, e não fecha nenhuma das fábricas que já estão de pé.

    Boa parte das marcas usa hoje de 20% a 30% da capacidade instalada, o que significa linha de montagem erguida para produzir carros que ninguém compra mais.

    Trabalhadores em uniforme vermelho ajustam carro branco suspenso por guindaste amarelo em linha de montagem de fábrica. Ambiente amplo com estrutura metálica e outros veículos em montagem ao fundo.
    Trabalhadores em uniforme vermelho ajustam carro branco suspenso por guindaste amarelo em linha de montagem de fábrica. Ambiente amplo com estrutura metálica e outros veículos em montagem ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Fábrica que ninguém fecha precisa produzir, e o que produz precisa ser vendido em algum lugar, de modo que, no semestre em que o mercado chinês recuou, a exportação cresceu impressionantes 53%.

    O Brasil se tornou o principal destino mundial dos elétricos e híbridos que saem da China , com 299.803 unidades desembarcadas de janeiro a junho. Nas ruas, as marcas chinesas responderam por 23% dos emplacamentos de julho, segundo a consultoria Bright Consulting.

    Mas não para aqui. As marcas chinesas estão liderando com folga em quase todos os mercados em que operam, com destaque para Bélgica , Rússia , Holanda , Alemanha , México e Chile . A consequência imediata tem sido a quebradeira das marcas tradicionais e reclamações generalizadas das europeias acerca da desigualdade em condições de competição e sobrecapacidade chinesa.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Contra esse volume, o Brasil já tem calendário do imposto de importação , mas é improvável que só isso resolva o problema. A ideia é que a tributação aja sobre preço, mas o problema é quantidade.

    A Anfavea, que representa montadoras nacionais do setor como Fiat, Chevrolet e Volkswagen, também argumenta que a eficácia dos impostos é corroída porque o carro sai pronto da China, é desmontado, cruza a alfândega como caixa de peças e volta a ser parafusado aqui, pagando alíquota menor.

    A BYD promete 50% de conteúdo nacional em Camaçari até dezembro e prevê 600 mil carros por ano na Bahia até 2030. A GWM vai abrir uma fábrica nova no Espírito Santo, a Geely trabalha em parceria com a Renault e mesmo a novata DFM já prevê produção local em 2028.

    Para tudo isso virar indústria de verdade e não apenas o último posto de uma cadeia dimensionada para outro mercado, será preciso esforço em Brasília , mas em alguma medida a desativação de algumas linhas de produção também na China. E dessa diferença dependem os empregos e as autopeças que ficam de pé aqui.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/igor-patrick/2026/08/china-anuncia-pacote-para-reduzir-competicao-desenfreada-no-saturado-mercado-das-montadoras.shtml.

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    Carros da BYD em um pátio de armazenamento, antes de serem carregados em navios para exportação em Yantai, no leste da China - 19.jul.26/AFP · 19.jul.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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