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    Chico Buarque tem suas músicas transformadas em rap em novo disco

    Foram dias de imersão em estúdio, entre partituras e letras, até que duas gerações da indústria fonográfica se encontrassem no álbum "Chico 2.0". Felipe Poeta, de 24 anos, e Alê Siqueira, de 54, uniram suas experiências para revisitar dez clássicos de Chico Buarque num álbum com vozes de diferentes gêneros, como funk , rap , trap e soul. Leia mais (09/15/2026 - 10h00)

    Folha de S.Paulo
    15 de setembro de 2026 às 13:00
    Chico Buarque tem suas músicas transformadas em rap em novo disco
    Foto: Folha de S.Paulo

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    Foram dias de imersão em estúdio, entre partituras e letras, até que duas gerações da indústria fonográfica se encontrassem no álbum "Chico 2.0". Felipe Poeta, de 24 anos, e Alê Siqueira, de 54, uniram suas experiências para revisitar dez clássicos de Chico Buarque num álbum com vozes de diferentes gêneros, como funk , rap , trap e soul.

    Chico Buarque pelas lentes de Bob Wolfenson
    Chico Buarque pelas lentes de Bob Wolfenson — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O projeto é uma parceria da Central Única das Favelas com as gravadoras FRecords, Tha House Company e Universal Music Brasil e reflete as experiências distintas dos dois produtores. Poeta traz a vivência da cena urbana e da produção de músicos mais jovens; Siqueira carrega décadas de trabalho ao lado de nomes como Marisa Monte e Arnaldo Antunes.

    No estúdio, a proposta foi encontrar um ponto de contato entre essas referências sem transformar as canções de Chico em simples releituras.

    A escolha das dez músicas não foi feita apenas a partir da popularidade das composições. A ideia era encontrar intérpretes capazes de estabelecer uma relação pessoal com cada obra, levando em conta suas trajetórias, a sonoridade e os temas com que trabalhavam em seus próprios repertórios.

    Don L em 'Caro Vapor II'
    Don L em 'Caro Vapor II' — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Se Chico fosse desta geração, ele com certeza seria rapper", diz Siqueira. A aproximação do artista com o gênero, para o produtor, está menos na sonoridade e mais na forma como ele observa a sociedade.

    Chico cria personagens, narra conflitos e retrata o cotidiano brasileiro em suas canções, explica o produtor. São elementos que também aparecem nas letras da música urbana contemporânea.

    Por isso mesmo, muitos rappers foram convidados para integrar o álbum. Nas releituras, personagens das crônicas de costumes cantadas por Chico ganharam novos nomes e vozes. A intenção foi mostrar como o ritmo dos beats e a riqueza melódica da obra de sua obra se complementam.

    Veja imagens da artista Julia Mestre
    Veja imagens da artista Julia Mestre — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O cearense Don L responde pela primeira faixa, gravada em colaboração com Vandal , artista de Salvador. A dupla abre o álbum com "O que Será (À Flor da Terra)", canção que ganhou notoriedade na voz de Milton Nascimento.

    le buscou levar a música para seu próprio terreno, em vez de tentar reproduzir a maneira como os cantores gravaram a faixa original. A melodia foi permeada pelo flow, com mudanças na cadência das palavras e no ritmo dos versos. "Eu não interpretei a música como cantor, mas como um rapper", diz.

    A relação de Don L com Chico começou na infância. "O Meu Guri" foi uma das primeiras músicas do compositor que ele ouviu, porque a mãe costumava cantá-la quando ele era criança. Foi só quando cresceu, porém, que percebeu que a canção sobre o amor incondicional de uma mãe pelo filho bandido era "uma música muito pesada".

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A obra de Chico também chegou cedo à vida de Júlia Mestre . "João e Maria", que ela canta no álbum ao lado de TZ da Coronel, estava entre as canções que aprendeu a tocar no violão antes mesmo de começar a compor.

    Anos depois, Mestre voltou a ela no estúdio, agora ao lado de um artista de outra geração e de outro universo musical. O som suave da cantora se contrapõe à voz grave do rapper.

    Mestre começou a carreira no audiovisual, no filme " Confissões de Adolescente ", e depois integrou o grupo Bala Desejo, vencedor do Grammy Latino em 2022. TZ iniciou a carreira nas batalhas de rima do Morro do Limão, em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, em 2017, e ganhou projeção no trap com "Anota Placa", de seis anos atrás.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As diferenças entre os dois também aparecem no timbre. "Eu tenho uma voz mais aveludada e suave, enquanto TZ tem uma voz mais grave e forte", diz Mestre.

    A ideia foi explorar esse contraste em uma música que, composta durante a ditadura militar, também esconde outras camadas sob a aparente inocência da letra. "Não importa quanto tempo passe, as letras de Chico fazem a gente parar para pensar", diz ela.

    "Chico 2.0" terá ainda uma segunda parte, a ser lançada em outubro.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/chico-buarque-tem-suas-musicas-transformadas-em-rap-em-novo-disco.shtml.

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